Comunicação e Linguagem: Elementos, Funções e Fonologia
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1. A comunicação e a língua
A comunicação é essencial para a realização do ser humano, tanto como indivíduo quanto como ser social. Temos a capacidade de usar a linguagem em formas diferentes:
- Verbal — sinais orais articulados (palavras).
- Não verbal — imagens, atitudes, gestos, cheiros, gostos, etc.
A língua é a potência necessária para a comunicação. Língua = idioma de um sistema verbal ou de gestos de uma comunidade humana.
Variações do discurso de um idioma
- Regionais — variantes geográficas (ex.: andaluz, variedades da Extremadura).
- Locais — diferenças entre falas de localidades próximas (ex.: o discurso de Cáceres e o de Badajoz).
- Individuais — variações entre falantes (por exemplo, a fala de uma criança e a de um adulto).
2. Elementos da comunicação
- Emitente: codifica, processa e transmite a mensagem.
- Receptor: recebe, decodifica e interpreta a informação.
- Mensagem: conteúdo da informação que o emitente transmite ao receptor, através de sinais simbólicos escolhidos pelo emitente.
- Código: sistema de signos comum ao emissor e ao receptor.
- Canal: meio físico para transmitir a mensagem; na comunicação linguística inclui o sentido corporal pelo qual o receptor a recebe.
- Contexto: conjunto de circunstâncias que cercam o ato de comunicação e influenciam o significado da mensagem.
3. Ruídos e distúrbios na comunicação
Os distúrbios (ruídos) são elementos externos que dificultam a comunicação. A comunicação costuma ser compensada pela redundância para garantir a compreensão.
4. Funções da linguagem
As funções da linguagem focam diferentes elementos da comunicação. Exemplos e recursos:
- Expressiva (foco no emitente): expressa sentimentos e emoções. Recursos: exclamações, interjeições, superlativos, perguntas retóricas.
- Conativa (ou apelativa) (foco no receptor): busca provocar uma resposta. Recursos: vocativo, imperativos, questões.
- Referencial (representativa) (foco no contexto): transmite informação objetiva. Recursos: enunciados indicativos, frases declarativas.
- Poética (foco na mensagem): intenção de embelezar a língua. Recursos: figuras de linguagem, recursos sonoros.
- Fática (ou de contacto) (foco no canal): objetiva confirmar se o canal funciona. Recursos: saudações, interjeições, marcas de contato.
- Metalinguística (foco no código): fala sobre o próprio código linguístico.
5. Signos
Um signo tenta representar a realidade e combina um significante (o que percebemos pelos sentidos) e um significado (a ideia representada).
Sinais não linguísticos
Tipos de sinais não verbais:
- Sinais naturais — relação natural entre significante e significado (ex.: fumaça → fogo).
- Ícones — criados artificialmente por semelhança física entre significante e significado.
- Símbolos — criados artificialmente sem semelhança entre significante e significado (convenções culturais).
O signo linguístico
O signo linguístico é composto por:
- Significante — forma (ex.: letras da palavra).
- Significado — imagem mental do conceito.
- Referente — a coisa real a que o signo se refere.
Características do signo linguístico:
- Arbitrário — a relação entre significante e significado não é natural.
- Convencional — existe um acordo da comunidade de falantes.
- Mutável e relativamente estável — pode mudar ao longo do tempo, embora não mude constantemente.
- Linear — a sequência de unidades linguísticas ocupa tempo e espaço (fala e escrita).
- Divisível — pode ser analisado em unidades menores.
Resumo do tópico 2: Fonologia, Fonética e Ortografia
Fonologia: parte da linguística que estuda os fonemas.
Fonética: parte da linguística que estuda os sons.
Ortografia: conjunto de regras que regem a escrita, incluindo o uso adequado de letras e pontuação.
Unidades mínimas da linguagem
Sons — produzidos ao falar; têm suporte nos órgãos da fala. Representam‑se entre colchetes, por exemplo: [s].
Fonemas — representação mental de um som; menor unidade distintiva de uma língua. Não têm significado em si, mas distinguem significados. Representam‑se entre barras, por exemplo: /s/.
Grafemas / ortografia — representação escrita dos fonemas.
Classificação dos fonemas
Distinção básica entre vogais e consoantes:
- Vogais: podem constituir uma sílaba sozinhas; o fluxo de ar não encontra obstáculo.
- Consoantes: exigem apoio de uma vogal para formar sílabas; o fluxo de ar é parcialmente obstruído.
(Veja a tabela de vogais e consoantes no material do tema.)
Características supra‑segmentais
Elementos da fala que afetam segmentos maiores que o fonema e transmitem informação adicional:
- Acento (sílaba tônica) — todas as palavras têm um acento prosódico; distingue sílabas tônicas e átonas. Em espanhol: aguda, grave (llana) e proparoxítona.
- Entonação — variações de altura (tons) representadas por curvas melódicas.
- Pausas — usadas para respirar, organizar enunciados e dar ritmo ao discurso; grupos de fonemas entre pausas formam unidades de enunciação.
Acentuação gráfica
Todas as palavras têm acento prosódico, mas nem todas têm til (acento gráfico). Aplicam‑se as regras ortográficas de acentuação.
Ditongos, tritongos e hiatos
- Ditongo: união de duas vogais na mesma sílaba, geralmente envolvendo uma vogal fechada (i, u) e uma vogal aberta (a, e, o) ou duas sem impedimento de pronúncia (ex.: tierra, viento).
- Hiato: encontro de duas vogais que pertencem a sílabas diferentes. O hiato ocorre quando a vogal tônica forma sílaba própria (ex.: ma-rí-a, di-a).
- Triptongo: união de três vogais na mesma sílaba (fechada‑aberta‑fechada). O núcleo tônico recai na vogal aberta, seguindo as regras de acentuação.
Regras específicas: quando duas vogais iguais aparecem juntas podem formar hiato (ex.: A‑braham); se houver vogal átona e vogal fechada tônica, em qualquer ordem, forma‑se hiato e o acento gráfico se coloca conforme as regras.
Formação de palavras
A partir de uma palavra simples podem formar‑se muitas outras ao juntar lexemas, prefixos ou sufixos. Resultam palavras compostas, derivadas e parasintéticas.
1. A palavra
Características:
- Possui significado lexical ou gramatical.
- É separada por pausas (no oral) ou espaços (no escrito).
- Pode deslocar‑se dentro de uma frase (mobilidade sintática).
2. Constituintes da palavra
- Fonemas: menores unidades da linguagem sem significado. A palavra é combinação de fonemas que distinguem palavras; na escrita representam‑se por letras.
- Morfemas: unidades mínimas com significado. Dois grupos principais:
- Lexema ou raiz: termo que conserva um significado próprio.
- Morfemas: elementos que se ligam ao lexema para indicar acidentes gramaticais (morfemas flexionais) ou para alterar o significado (morfemas derivativos). Quanto à posição: prefixo (antes do lexema), sufixo (após o lexema) e interfijo (entre o lexema e o sufixo).
3. Processos de formação de palavras
- Palavras simples: não se podem decompor em unidades menores de sentido (p. ex., preposições, conjunções; alguns advérbios).
- Composição: união de dois lexemas (ex.: saca‑rolhas).
- Derivação: adição de prefixos ou sufixos a uma palavra base (ex.: feliz → felicidade).
- Parassíntese: combinação simultânea de composição e derivação; formam‑se palavras só com prefixo + raiz + sufixo (ex.: envelhecer), sem existir a forma intermediária.
- Siglas, abreviaturas e encurtamentos:
- Encurtamento: perda de parte do significante (p. ex., formas coloquiais ou abreviadas).
- Sigla: palavra formada pelas iniciais de outras palavras (ex.: NATO).
- Acrónimo: união de sílabas iniciais ou partes de palavras (ex.: telecomunicações → telefonia/teleco, RENFE).
- Empréstimo: palavra vinda de outra língua incorporada ao léxico.
Observação: consulte o material didático para tabelas de vogais e consoantes, exemplos de fonemas e exercícios sobre acentuação e formação de palavras.