O Conceito de Cultura Escolar: Abordagens e Evolução
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O Conceito de Cultura Escolar
O conceito de cultura escolar tem sido utilizado para pôr em evidência a função da escola como transmissora de uma cultura específica. A abordagem sociológica não pode ignorar a dimensão cultural em uma perspectiva global. É necessário analisar as dimensões culturais da cultura escolar identificadas por três tipos de abordagem:
- Perspectiva funcionalista: a cultura veiculada através da escola, vista como simples transmissora de cultura produzida com finalidade de poder político.
- Perspectiva estruturalista: a cultura produzida de forma escolar através da modelização das suas formas e estruturas.
- Perspectiva interacionista: a cultura organizacional da escola, não da instituição global, mas de cada escola em particular.
Para Chervel (1998), a noção de cultura escolar comporta uma ambiguidade que significa a cultura difundida pelas novas gerações. Dominique Julia define que os conjuntos de normas definem saberes a ensinar e condutas a inculcar, um conjunto de práticas que transmitem saberes e incorporam normas. Sendo assim, definem a presença de dois elementos: o funcional (prática) e o determinista (normas).
A Escola e a Transmissão Cultural
Na opinião pública, a escola tem como finalidade transmitir os princípios de uma cultura escolar de geração para geração; nesse caso, a cultura deixa de ser uma subcultura. Chervel indaga também: como seria possível a escola ensinar o falso, sendo que a ciência traz o verdadeiro? É confiável, então, a escola como formação geral preparatória para o exercício das funções.
Para alguns autores estruturalistas, a escola deve produzir sua própria cultura ao invés de reproduzir uma cultura exterior. Reconhecem também que a escola funciona como autorreguladora e autônoma. Durkheim demonstra que, em todas as funções sociais, o ensino tem um espírito expresso nos programas sociais; a vida própria garante que as tentativas de mudança sejam determinadas pelo poder político, mas o sucesso tem sido muito baixo.
Gramática Escolar e Organização Pedagógica
Cuban (1990) afirma que os jornais influenciam algumas reformas e que cada sistema educacional tem consequências devido à sua forma de cultura escolar, a que chamam de gramática escolar, que constitui uma estrutura própria.
O princípio de homogeneidade distingue as marcas da cultura escolar desde que a organização pedagógica se estenda a escolas de outro grau, da seguinte forma:
- Constituição a partir da estrutura nuclear com referências de classe.
- Necessidade de adaptar o ensino coletivo baseado nas relações face a face entre mestre e discípulo.
A evolução da organização pedagógica elucida as características que a escola atual possui. Antigamente, a própria escola era vista como processo contínuo e os alunos abandonavam a escola quando estavam prontos. O modo mútuo corresponde à introdução da racionalidade no trabalho pedagógico, associado a todas as escolas primárias ligadas ao princípio de ensinar a muitos como se fosse um só (Barroso, 1995).
Transformações e Críticas ao Modelo Escolar
Castilho defende as vantagens do ensino simultâneo com o aumento de alunos, percebendo-se que a organização pedagógica atingiu maior homogeneidade dividindo a classe em cursos. A classe, que inicialmente era uma divisão de alunos, transforma-se progressivamente em um padrão organizativo para determinar o espaço escolar.
Atualmente, grande parte da crítica feita à escola graduada é contemporânea, ligada a reformas que procuram responder à crise escolar. O movimento da Escola Nova mostra a readequação da organização pedagógica tradicional para adaptar-se às características individuais das crianças, mas a organização manteve-se constante.
Desde 1980, a tentativa de mudança é essencial e está em causa das chamadas invariantes estruturais. Para Elite, essa alternativa de escolarização mostra que o problema não está na escola, mas nas características do passado que impedem a adaptação às necessidades do presente.
Conclusão: Cultura Escolar e Autonomia
Embora não exista uma definição consensual de cultura de escola, é possível dizer que ela responde a uma metáfora em que elementos como valores, crenças, ideologia, normas e condutas são determinantes. A cultura de escola remete a cada instituição como um conjunto de fatores organizacionais e processos sociais que relativizam essa cultura.
Significa, então, que a cultura escolar não fica apenas no nível macro do sistema, mas vai ao interior das escolas concretas para detectar as especificidades. Cada escola tem capacidade de produzir sua própria cultura, intimamente ligada às estruturas formais e informais da organização.