Conceitos de Epidemiologia: Endemia, Epidemia e Pandemia

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Conceitos Fundamentais de Epidemiologia

Endemia

É a ocorrência de uma doença de forma constante em agrupamentos humanos distribuídos em espaços delimitados e caracterizados, num determinado período de tempo, permitidas flutuações cíclicas ou sazonais.

Epidemia

A elevação brusca do número de casos caracterizando, de forma clara, um excesso em relação ao normal esperado. O número de casos que indicam a presença de uma epidemia variará de acordo com o agente, tipo e tamanho da população exposta, experiência prévia ou ausência de exposição.

A existência de um grande número de pessoas suscetíveis aliada a condições determinadas por movimentos migratórios, facilidade de transporte, concentração de indivíduos etc. pode determinar um processo epidêmico caracterizado por uma ampla distribuição espacial da doença, atingindo diversas nações ou continentes.

Classificação e Características da Epidemia

  • AIDS = Pandemia
  • Não apresenta obrigatoriamente um grande número de casos, mas excesso de casos quando comparada à frequência habitual de uma doença em uma localidade.
  • Aumento gradual ou constante representa uma alteração do nível endêmico.
  • Aumento brusco do número de casos caracteriza um processo epidêmico.

Pandemia

A pandemia é uma epidemia que atinge grandes proporções, podendo se espalhar por um ou mais continentes ou por todo o mundo, causando inúmeras mortes ou destruindo cidades e regiões inteiras.

Os critérios de definição de uma pandemia são os seguintes:

  • A doença ou condição, além de se espalhar ou matar um grande número de pessoas, deve ser infecciosa.

Para saber mais: o câncer (responsável por inúmeras mortes) não é considerado uma pandemia porque não é uma doença infecciosa, ou seja, não é transmissível.

Exemplos de Pandemias

AIDS, tuberculose, peste, gripe asiática, gripe espanhola, tifo, etc.

É importante saber que: o vírus ebola e outras doenças rapidamente letais como a febre de Lassa, febre do Vale do Rift, vírus de Marburg e a febre hemorrágica boliviana são doenças altamente contagiosas e mortais com o potencial teórico de se tornar pandemias no futuro.

Aprofundamento em Endemia

É uma doença localizada em um espaço limitado denominado “faixa endêmica”. Isso quer dizer que a endemia é uma doença que se manifesta apenas numa determinada região, de causa local, geralmente infecciosa.

Para entender melhor: endemia é qualquer doença que ocorre apenas em um determinado local ou região, não atingindo nem se espalhando para outras comunidades. Enquanto a epidemia se espalha por outras localidades, a endemia tem duração contínua, porém restrita a uma determinada área.

A ENDEMIA pode se tornar uma EPIDEMIA!

Endemias no Brasil

No Brasil, existem áreas endêmicas:

  • A Febre Amarela é comum na Amazônia. No período de infestação da doença, as pessoas que viajam para tal região precisam ser vacinadas.
  • A Dengue é outro exemplo de endemia, pois são registrados focos da doença em um espaço limitado, ou seja, ela não se espalha por toda uma região; ocorre apenas onde há incidência do mosquito transmissor da doença.

As principais doenças endêmicas do Brasil são: a malária; a leishmaniose; a esquistossomose; a febre amarela; a dengue; o tracoma; a doença de Chagas; a hanseníase; a tuberculose; a cólera e a gripe A.

Morbidade ou Morbilidade

É a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento. A quantificação das doenças ou cálculo das taxas e coeficientes de morbidade e morbimortalidade são tarefas essenciais para a Vigilância Epidemiológica e controle das doenças.

Para fins de organização dos serviços de saúde e intervenção nos níveis de saúde pública, estas podem ser divididas em:

  • Doenças transmissíveis;
  • Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DANTs).

Morbidade: Variável característica das comunidades de seres vivos, refere-se ao conjunto dos indivíduos que adquiriram doenças num dado intervalo de tempo. Denota-se morbidade ao comportamento das doenças e dos agravos à saúde em uma população exposta.

Coeficiente de morbidade: Relação entre o número de casos de uma doença e a população exposta a adoecer. Muito útil para o objetivo de controle de doenças ou de agravos, bem como para estudos de análise do tipo causa/efeito.

Doenças Infectocontagiosas

  • São as doenças de fácil e rápida transmissão, provocadas por agentes patogênicos.
  • O agente patogênico responsável recebe o nome de agente etiológico.
  • Em algumas ocasiões, para que ocorra a doença, é necessária a ação de outro organismo chamado agente transmissor ou vetor.
  • Os agentes patogênicos deste tipo de doenças geralmente são vírus ou bactérias.

Contágio

  • É a transmissão da doença de uma pessoa ou animal doente a um homem são. O contágio pode ser direto ou indireto.
  • Contágio direto: quando se toca a pessoa ou animal infectado, ou pelas Gotículas de Flügge, que o doente elimina ao falar, tossir ou espirrar.
  • Contágio indireto: quando se tocam objetos contaminados (lenços, roupa suja, roupa de cama, utensílios utilizados pelo doente). Os alimentos e as partículas do pó atmosférico também podem ser portadores de germes.

Incubação e Infecção

  • Incubação: Período que decorre desde o contágio até a manifestação da doença. É muito variável: em alguns casos demora apenas umas poucas horas, enquanto em outros a doença se manifesta após vários meses de ocorrido o contágio.
  • Infecção: Denomina-se assim a entrada, desenvolvimento e multiplicação de um agente infeccioso. A infecção produz-se se as defesas orgânicas falharem.

Epidemiologia Clínica vs. Comunitária

  • Clínica: Estuda o processo saúde-doença em indivíduos.
  • Epidemiologia: Se preocupa com o processo de ocorrência de doenças, mortes, quaisquer outros agravos ou situações de risco à saúde na comunidade ou grupos dessa comunidade.
  • Objetivo: Propor estratégias que melhorem o nível de saúde das pessoas que compõem essa comunidade.

Índices de Vida (Positivos)

Incluem indicadores como:

  • Saúde, incluindo condições demográficas;
  • Alimentação e nutrição;
  • Educação, incluindo analfabetismo e ensino técnico;
  • Condições e mercado de trabalho;
  • Consumo e economia;
  • Transporte;
  • Habitação, saneamento e instalações domésticas;
  • Vestuário, lazer e segurança social;
  • Liberdade humana.

Indicadores de Saúde

Paradoxalmente, a avaliação do nível de vida é efetuada através da quantificação de óbitos ou denominados “indicadores de saúde”, medida indireta da saúde coletiva pelo uso de coeficientes e índices de mortalidade.

Objetivos dos Indicadores de Saúde: Avaliar sob o ponto de vista sanitário a higidez de agregados humanos, fornecer subsídios ao planejamento de saúde permitindo entender as flutuações e tendências históricas do padrão sanitário em:

  • Diferentes coletividades na mesma época;
  • Mesma coletividade em diversos períodos de tempo.

Distribuição: “Estudo da variabilidade da frequência das doenças de ocorrência em massa, em função de variáveis ambientais e populacionais ligadas ao tempo e ao espaço” (ALMEIDA FILHO e ROUQUAYROL, 1992).

Após os cuidados com a qualidade e cobertura dos dados, é preciso transformar esses dados em indicadores para comparar o observado em determinado local com outros locais e tempos.

Coeficientes, Proporções e Índices

  • Coeficientes (ou taxas): Representam o “risco” de determinado evento ocorrer na população (país, estado, município, nascidos vivos, mulheres, etc.).
  • Proporções: Representam a “fatia da pizza” do total de casos ou mortes, indicando a importância desses casos no conjunto total. A proporção não expressa risco.
  • Índice: Pode ser multidimensional (escore/pontuação) ou a razão entre duas quantias de naturezas diferentes. Exemplos: Índice de Massa Corporal (IMC - Quetelet), Escala de Glasgow (coma), Apgar, índice de autonomia, etc.

Mortalidade

  • Coeficiente de Mortalidade Geral: Expressa a intensidade da ocorrência anual de mortes em determinada população. É obtido pelo número de óbitos dividido pela população, expresso por mil habitantes.
  • Coeficiente de Mortalidade Materna: Estima a frequência de óbitos femininos atribuídos a complicações da gravidez, parto e puerpério.
  • Mortalidade Proporcional por Grupos de Causas: Expressa o percentual de óbitos por grandes grupos (CA, AVC, traumas) em relação ao total de óbitos. Multiplica-se por 100 para obter o percentual, auxiliando na gestão e avaliação de políticas de saúde para reduzir óbitos.

Controle Social do SUS

Com o SUS (Sistema Único de Saúde):

  • A saúde emerge como questão de cidadania;
  • A participação política torna-se condição de seu exercício;
  • Lei Federal nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990: Assegura o princípio constitucional de “participação da comunidade” e estabelece os Conselhos e as Conferências de Saúde como espaços de representação institucional e participação popular.

Controle da Sociedade

  • Controle da Sociedade: Algo controla a sociedade.
  • Controle da Sociedade: A sociedade controla algo.

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