Conceitos Fundamentais da Filosofia de Ortega y Gasset
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- Elenco: Esta metáfora significa que a nossa vida é algo em que não escolhemos as suas circunstâncias, nem o seu mundo, nem o tempo para entrar. De forma repentina e fatal, sem a nossa decisão, estamos no mundo.
- Conhecimento: Todo o conhecimento é uma elaboração da revelação contínua, que consiste principalmente na vida, o desenvolvimento do primeiro atributo fundamental da existência. A teoria do conhecimento do perspectivismo de Ortega defende que todo o conhecimento, incluindo a ciência matemática experimental, é uma perspectiva histórica sobre o universo. Não há conhecimento absoluto. No Ocidente, a filosofia oferece uma perspectiva radical e abrangente sobre o universo que norteia a vida humana.
- Decidir: O terceiro atributo fundamental da vida. Viver é projetar-se no futuro, escolhendo a cada momento o que faremos a seguir entre as possibilidades oferecidas pelas circunstâncias.
- Conhecer: O relacionamento básico do indivíduo com o mundo. Não se trata da posição de um corpo no espaço, mas do relacionamento do "eu" com as coisas e pessoas que compõem o mundo da vida. A base da sensibilidade humana é encontrada nas nossas emoções e sentimentos, que nos dizem como estamos no mundo.
- Probatória: O primeiro atributo fundamental da vida é a manifestação imediata do "eu" percebendo tudo o que faz. A vida é olhar e visão; manifesta-se internamente e não pode ser percebida a partir do exterior.
- Existência: Ortega utiliza a concepção de Heidegger (da constituição fundamental da existência através do desenvolvimento da estrutura do ser-no-mundo) para expor a sua intuição da vida como uma realidade fundamental.
- Destino: Refere-se ao segundo atributo fundamental da vida e sugere a condição do mundo e a circunstância em que vivemos. Não implica uma filosofia específica da história, como se a vida humana fosse pré-determinada desde o princípio, e muito menos uma visão fatalista.
- Futurição: A vida é, inexoravelmente, um movimento para a frente; temos sempre de decidir o que será feito, escolhendo entre as possibilidades disponíveis. O futuro é a principal modalidade do tempo histórico, porque a vida é, essencialmente, decisão.
- Liberdade: Trata-se de decidir o que será feito a qualquer momento, escolhendo entre as possibilidades dadas pelas nossas circunstâncias. Identifica-se com o terceiro atributo fundamental da vida, mas não é separável do segundo, pois a existência da vida é: liberdade no destino e destino na liberdade.
- Mundo e Circunstâncias: Não é o cosmos físico dos gregos, nem o universo material da ciência moderna. Refere-se ao mundo do nosso cotidiano, ou seja, o mundo social e histórico. O mundo é comum, mas a vida está imersa nele dentro das suas próprias circunstâncias; por isso, a vida é circunstancial.
- Preocupação ou Cuidado: Viver é decidir o que vamos fazer no mundo, onde já estamos ocupados com as decisões diárias, tendo em conta que, com estas escolhas, nos projetamos.
- Divulgação: Esta metáfora sugere que a prova de vida tem os seus próprios princípios, sem recorrer a fundamentos transcendentes de cunho religioso.
- Tempo: Não se refere ao tempo físico ou biológico, mas ao tempo histórico. Este é o modo fundamental da vida. Como viver é decidir, o futuro é o principal modo do tempo. Não se trata de repetir o passado; cada geração tem o desafio de superá-lo, projetando o seu próprio futuro.
- Universo: A totalidade do que existe. A filosofia enfrenta esta questão problemática, pois ninguém sabe se o universo é múltiplo, se é cognoscível ou se é caótico.
- Eu: Sou eu quem vive a sua situação no mundo, sendo ambos inseparáveis. Não é o sujeito pensante de Descartes, nem a apercepção transcendental de Kant, mas uma vida própria, mundana e histórica, que revela a sua existência lançada sobre as circunstâncias do mundo e projetada para continuar a sua ação.