A Constituição de 1837 e a Regência de Espartero (1837-1843)

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1. A Constituição de 1837 e as Reformas Progressistas

A Constituição de 1837, descrita como progressista, foi o resultado de um consenso entre os grupos liberais. Baseou-se na Constituição de 1812, mas incorporou abordagens mais conservadoras. A Constituição reconheceu o princípio da soberania nacional e a separação de poderes, embora mantivesse um executivo forte (o direito da Coroa de vetar a legislação, dissolver as Cortes e de livre nomeação e demissão dos ministros).

O poder legislativo era partilhado pelas Cortes e pela Coroa. As Cortes eram bicamerais, compostas por:

  • O Congresso dos Deputados (eleitos com base no censo).
  • O Senado (por nomeação real).

Além disso, a Constituição incluiu uma série de direitos individuais (liberdade de imprensa, opinião, associação, etc.) e a ausência de um estado confessional católico (embora o Estado tivesse a obrigação de manter o culto e o clero).

O Poder Municipal e a Milícia Nacional

A Constituição deu amplos poderes aos municípios (prefeitos e vereadores seriam eleitos pelos moradores) e restabeleceu a Milícia Nacional, composta por cidadãos voluntários para manter a ordem sob o domínio das corporações municipais. Os municípios tornaram-se centros de poder e de incitação a revoltas e levantes, especialmente de natureza progressista.

As Reformas Progressistas

Para desmantelar permanentemente as instituições do Antigo Regime e estabelecer um regime liberal, os governos progressistas realizaram uma série de reformas, que incluíram:

  • Desamortização Eclesiástica: Apreensão de bens do clero secular (catedrais e igrejas) e a remoção de algumas ordens religiosas (aquelas que não exerciam a docência ou cuidados hospitalares).
  • Dissolução do Sistema Feudal: Abolição dos domínios dos tribunais.
  • Reforma Agrária: Separação de terras e liberalização do mercado (abolição da primogenitura).
  • Reforma Fiscal: Eliminação do dízimo para a Igreja.
  • Liberalização Económica: Abolição da Mesta, união aduaneira e mercado interno.

Com estas medidas legislativas, visava-se estabelecer progressivamente o livre funcionamento do mercado (liberalização económica) e, assim, assentar as bases do liberalismo económico em Espanha.

A Reação Moderada e a Crise de 1840

No entanto, os progressistas não conseguiram consolidar a sua dominação política. Nas eleições de 1837, os moderados conquistaram a maioria, graças a um sufrágio extremamente restrito (envolvendo entre 2% e 4% da população votante), e juntaram-se ao governo com o apoio da regente.

Durante os três anos seguintes, os moderados tentaram minar a legislação iniciada pelos progressistas:

  • Prepararam uma lei eleitoral mais restritiva.
  • Limitaram a liberdade de imprensa.
  • Tentaram devolver os bens ao clero secular e restaurar o dízimo.

Em 1840, os moderados tentaram alterar a lei eleitoral municipal (Lei dos Municípios), eliminando o voto dos residentes (referido no art. 70 da Constituição) para dar à Coroa e ao Governo o poder de nomear os prefeitos das capitais. A eliminação do voto popular, levando a muitas revoltas progressistas, forçou a regente a demitir-se e a sair do país. O General Espartero, vencedor da guerra carlista, assumiu a regência com o apoio dos progressistas.

2. A Regência de Espartero (1840-1843)

Durante três anos, Espartero governou de forma autoritária, independente das Cortes e cada vez mais separado dos seus companheiros liberais. Reprimiu duramente qualquer sinal de rebeldia, fosse moderada ou popular, o que gradualmente lhe valeu a rejeição de todos.

A sua política de portas abertas (uma tarifa que permitia a entrada de tecidos ingleses) causou a revolta da burguesia e da classe trabalhadora de Barcelona, que temiam pelos seus empregos. Espartero, para sufocar a revolta, bombardeou a cidade, o que lhe valeu a oposição dos progressistas e da Catalunha (1842).

Os moderados começaram a conspirar e um golpe militar liderado pelo General Narváez forçou Espartero a deixar a regência e a exilar-se na Inglaterra (1843). As Cortes decidiram antecipar a maioridade de Isabel II e proclamaram-na rainha aos 13 anos.

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