A Construção do Estado Liberal na Espanha (1833-1854)
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A Transição para o Estado Liberal na Espanha
Com a morte de Fernando VII, sua filha Isabel II ascendeu ao trono ainda menor de idade. O período foi marcado pelas regências de Maria Cristina e, posteriormente, de Espartero, iniciando a transição do Antigo Regime para a monarquia liberal.
1.1.1 Regência de Maria Cristina (1833-1840)
Durante este período, iniciou-se a transição da monarquia absoluta para a liberal. Reformas importantes foram implementadas, como a divisão territorial em províncias, a liberalização do comércio, o incentivo à indústria e o renascimento da Milícia Nacional. O marco desta fase foi a Carta Régia de 1834, uma tentativa de conciliar absolutismo e liberalismo.
Guerra Carlista (1833-1839)
Liderada por D. Carlos, foi um conflito civil entre liberais e defensores do Antigo Regime. O conflito teve dimensão europeia, com a Inglaterra apoiando Maria Cristina e a Áustria apoiando os carlistas. Após o fracasso na tentativa de conquistar Madrid em 1837, o carlismo enfraqueceu, culminando na Convenção de Vergara (1839).
Consequências da Guerra Carlista
- Fortalecimento do papel político dos generais, que passaram a ocupar cargos de ministros e presidentes do governo.
- Elevado custo humano e econômico.
- Novos conflitos carlistas ocorreram entre 1846-1849 e 1872-1876.
Transformações Agrárias e o Fim do Sistema de Morgado
As reformas liberais visavam introduzir o capitalismo agrário com o objetivo de suprimir o Mayorazgo (morgado), permitindo a venda de terras à burguesia. Os antigos feudos tornaram-se propriedades privadas. O confisco eclesiástico de 1837, promulgado por Mendizábal, expropriou terras da Igreja para leilão público.
Consequências do Confisco
Embora visasse o desenvolvimento do capitalismo agrícola e o saneamento das finanças estatais, a reforma não distribuiu terras aos camponeses, fortaleceu a aliança entre o clero e o carlismo e concentrou terras nas mãos da burguesia.
1.1.2 Regência de Espartero (1840-1843)
Após a expulsão de Maria Cristina, o progressista Espartero assumiu a regência. Seu governo, inicialmente popular, tornou-se autoritário. A assinatura de um acordo de livre comércio com o Reino Unido prejudicou artesãos e comerciantes catalães, gerando revoltas que levaram à queda de Espartero e à ascensão do partido moderado sob o comando de Narváez.
II. A Década Moderada (1844-1854)
O governo moderado consolidou-se com o apoio do exército e da Coroa. Isabel II foi declarada maior de idade.
Constituição de 1845
Os principais pilares foram:
- Soberania compartilhada entre a Rainha e as Cortes.
- Cortes bicamerais com Senado nomeado pela Rainha.
- Sufrágio restrito (apenas 1% da população mais rica).
- Estado confessional católico e centralização administrativa.
- Criação da Guarda Civil (1844) e reforma fiscal (Lei Santillán).
Oposição ao Governo Moderado
- Partido Progressista: Devido à fraude eleitoral, optaram por golpes militares.
- Democratas: Defendiam soberania nacional, sufrágio universal, tolerância religiosa e educação gratuita.