Controle de Infecções Hospitalares no Brasil
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Aspectos Históricos das Infecções Hospitalares no Brasil
No ano de 1963, foi criada a primeira comissão de controle de infecção no Hospital Ernesto Dornelles, RS. Entre 1972 a 1976, foram elaboradas portarias que determinavam a criação e a organização das comissões de controle de infecção. Na década de 80, foi publicada a Portaria 196/83, que determinava que todo hospital, independente da entidade mantenedora, porte ou especialidade, deve constituir uma comissão de controle de infecção. No ano de 1992, sai a Portaria 930/92, que estabelece que todos os hospitais do país, além de comissões, deveriam também constituir o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), compreendendo pelo menos um médico e um enfermeiro para cada 200 leitos. Atualmente, está em vigor a Portaria 2616/98; em seu artigo primeiro, fala da obrigatoriedade dos hospitais de manterem um programa de controle de infecção hospitalar e, no artigo segundo, preconiza a constituição de uma CCIH para a adequada execução do programa.
Portaria 2616/98
Organização
- Consultores: serão os representantes do serviço médico, enfermeiros, farmácias, laboratório de microbiologia e administração.
- Executores: os membros da CCIH são encarregados da execução do programa de controle de infecção hospitalar. Serão, no mínimo, 2 técnicos para cada 200 leitos; a carga horária deve ser de 6 horas para o enfermeiro e 4 horas para os demais. O membro executor deve ser, de preferência, um enfermeiro.
- Pontos Críticos (PC): pacientes de terapia intensiva, oncológicos, berçários, queimados, SIA.
Competências
- Capacitação do quadro de funcionários e profissionais quanto à prevenção e controle das infecções hospitalares;
- Implantação de um sistema de vigilância epidemiológica das IHs (Infecções Hospitalares);
- Uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares;
- Elaborar regimento interno para a comissão de controle de infecção hospitalar;
- Nomear componentes por meio de ato próprio.
Conceitos e Critérios Diagnósticos das IHs
- Infecção Comunitária: infecção constatada ou em incubação no ato da admissão hospitalar do paciente, desde que não relacionada com internação no mesmo hospital.
- Infecção Hospitalar (IH): é adquirida durante a hospitalização ou após a alta, que puder ser relacionada com a internação hospitalar.
- Critérios para Diagnóstico de Infecção Hospitalar: os critérios serão através de evidência clínica, exames laboratoriais, evidência de estudo como método de imagem, biópsia e endoscopia.
Vigilância Epidemiológica
Objetivos:
- Determinar o nível endêmico das IHs;
- Obter as taxas endêmicas;
- Tabulação, análise e divulgação dos dados;
- Analisar os dados para reconhecer as tendências das IHs (sítios, patógenos e surtos);
- Comparar dados entre hospitais em populações similares;
- Determinar áreas, situações e serviços que merecem atuação da CCIH.
Métodos de Coleta de Dados
- Passivo: notificação pelo médico ou enfermeira da unidade.
- Ativo: membro da CCIH ou através de busca de casos.
Métodos de Vigilância
- Prospectivo: monitora a ocorrência de infecções, visitas periódicas, visão global das infecções.
- Retrospectivo: revisão de prontuário após a alta do paciente.
- Transversal: só é eficaz se houver início, meio e fim.
Tipos de Vigilância Epidemiológica
- Global: avaliação sistemática de todos os pacientes internados em todas as clínicas do hospital; as infecções são monitorizadas em todas as topografias.
- Objetivo: define qual infecção pretende diminuir, quanto e qual estratégia a ser implantada.
- Dirigida: direcionamento de ações de vigilância e prevenção de IHs para áreas críticas ou problemas na instituição.
- Microbiológica: dados de laboratórios de microbiologia.
- Vigilância Pós-Alta: avalia a ocorrência de infecção hospitalar; ótima para infecção do sítio cirúrgico.
- Componentes: global, cirúrgico, UTI e berçário.
- Objetivo Geral: estimar a incidência de IHs a nível nacional; obter medida precisa dos riscos para IHs; conduzir pesquisas.