Controle Interno, Auditoria e Modelos: COSO, ERM, Deming

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Deming — Modelo

Princípios (14 pontos de Deming)

  1. Constância de propósito — Manter objetivo contínuo de melhoria e inovação.
  2. Adotar nova filosofia — Aceitar mudanças para competir no mercado atual.
  3. Deixar de depender da inspeção — Construir qualidade no processo, não inspecionar para corrigir.
  4. Eliminar a prática de atribuir negócios apenas ao menor preço — Focar em qualidade e valor, não apenas preço.
  5. Melhoria contínua — Buscar melhoria constante em produtos, serviços e processos.
  6. Instituir formação no trabalho — Capacitar pessoas para executar e melhorar processos.
  7. Instituir liderança — Liderança para ajudar as pessoas a atingir melhor desempenho.
  8. Eliminar o medo — Criar ambiente seguro para comunicação e melhoria.
  9. Derrubar barreiras entre departamentos — Promover colaboração entre áreas.
  10. Eliminar slogans e metas numéricas prejudiciais — Evitar metas que gerem comportamento disfuncional.
  11. Eliminar quotas e metas de qualidade por fases — Evitar metas que comprometam a qualidade.
  12. Reconhecer conquistas — Valorizar realizações sem comparações injustas.
  13. Promover capacitação — Educação e autoaperfeiçoamento contínuos.
  14. Promover transformação — Liderar mudanças profundas para excelência.

Sete Pecados Capitais (Doenças da Administração segundo Deming)

Observações corrigidas e organizadas:

  1. Falta de constância no propósito e foco fraco em objetivos de longo prazo.
  2. Busca de ganhos de curto prazo e distribuição imediata de dividendos em detrimento do futuro.
  3. Sistemas de avaliação e revisão que premiam resultados imediatos sem contexto.
  4. Mobilidade excessiva da alta direção, promovendo visão de curto prazo.
  5. Direção baseada apenas em números visíveis, sem analisar causas sistêmicas.
  6. Custos ocultos por garantia e manutenção, gerando decisões equivocadas.
  7. Custos médicos e outros encargos que afetam a competitividade quando não geridos estrategicamente.

COSO — Relatório

Definição e objetivo: Processo conduzido pelo conselho de administração, pela direção e por outros agentes da entidade, projetado para fornecer segurança razoável quanto ao cumprimento de metas nas seguintes categorias: eficácia e eficiência das operações, confiabilidade das informações financeiras e conformidade com leis e normas.

As mudanças no ambiente demandam que toda a organização ajuste o sistema de controle interno, oferecendo um grau razoável de segurança e adaptando os objetivos de controle interno.

Elementos do controle interno

  1. Ambiente de controle: contexto ético e profissional que envolve o tratamento dos riscos.
  2. Avaliação de riscos: identificação das ameaças no ambiente que podem afetar as operações e a consecução dos objetivos definidos; inclui mecanismos para prevenir e mitigar riscos.
  3. Atividades de controle: procedimentos estabelecidos para reduzir riscos identificados (políticas, processos, revisões e autorizações).
  4. Informação organizacional e comunicação: dados necessários para direcionar as atividades de controle; canais formais de comunicação e transmissão de informações.
  5. Supervisão: revisão periódica do processo de controle interno; objetivo é adaptar o sistema às mudanças organizacionais e promover evolução/maturação do sistema de controle.

Normas Internacionais para a Profissão de Auditoria

Estrutura em três blocos:

  • Standards de atributos: trata dos fundamentos básicos — independência e objectivos do auditor interno; competência e formação profissional; qualidade dos serviços.
  • Regras de desempenho: orientações para a gestão eficaz do trabalho de auditoria — planeamento, execução do programa e conclusões.
  • Orientações de execução: práticas específicas para trabalhos de asseguração (certificação) e atividades de consultoria.

Sarbanes‑Oxley — Responsabilidade Corporativa

Responsabilidades da direção

Os responsáveis financeiros (executivos que assinam relatórios) são obrigados a certificar, antes da publicação de demonstrações financeiras anuais ou trimestrais, que, na sua avaliação, as demonstrações não contêm erros relevantes ou informações enganosas e que refletem adequadamente as operações financeiras da entidade.

O signatário é responsável por:

  • Estabelecer e manter controles internos.
  • Avaliar a eficácia do sistema de controle interno e reportar os efeitos materiais nas demonstrações financeiras.
  • Comunicar ao conselho, ao comitê de auditoria e aos diretores quaisquer deficiências, tanto no desenho quanto na operação do sistema de controle interno, incluindo fraudes.

Funções do comitê de auditoria

O comitê de auditoria deve ser responsável por supervisionar as contas anuais, a composição e as funções do conselho fiscal, analisar planos e atividades do departamento de auditoria interna, revisar contratos e avaliar o diretor de auditoria interna. Deve examinar todos os relatórios de auditoria interna e a resposta da gestão, avaliando a adequação dos sistemas financeiros e de controle interno.

Relatório Olivencia

Recomendações de estrutura do conselho:

  • Estrutura da mesa: presidente, secretário e vocalias do conselho.
  • Comitê executivo: órgãos delegados para desempenhar tarefas auxiliares ao conselho; deve assegurar reflexo preciso das decisões do conselho e equilíbrio por meio de conselheiros independentes.
  • Comissões de controlo: apoio de revisão em áreas significativas para governação (informação contabilística e controlo, seleção da administração e da gestão sénior, políticas de remuneração e avaliação do sistema de governo e cumprimento regulatório).

Características de um relatório de auditoria de qualidade

Requisitos mínimos:

  • Detalhar objetivos e alcance do trabalho.
  • Descrever os procedimentos realizados.
  • Descrever pontos fracos e desafios identificados.
  • Apresentar correções e recomendações para discussão com a administração.
  • Incluir planos da administração para evitar recorrência dos pontos fracos.

IIA — Comunicação e Requisitos Básicos (2400)

A seção relacionada às comunicações (2400) emitida para auditores internos recomenda sete requisitos básicos para relatórios:

1. Precisos • 2. Objetivos • 3. Claros • 4. Concisos • 5. Construtivos • 6. Completos • 7. Oportunos

Referência ao ponto 2440 — divulgação de resultados: o auditor interno, ao comunicar resultados potencialmente sensíveis, deve avaliar riscos de divulgação, consultar diretores e/ou assessor jurídico e limitar a difusão dos resultados quando necessário.

ERM — Gestão de Riscos Corporativos

Definição: Sistema para identificar, avaliar e gerir riscos individuais e o impacto conjunto desses riscos na organização.

Categorias de risco

  • Financeiro
  • Capital humano
  • Legal e regulatório
  • Operacional
  • Tecnologia
  • Estratégico

Componentes do ERM

  1. Ambiente interno
  2. Desenvolvimento de estratégia e objetivos relacionados ao risco
  3. Identificação de situações que podem alterar o perfil de risco
  4. Avaliação do impacto dos riscos
  5. Respostas ao risco (evitar, reduzir, aceitar, transferir)
  6. Atividades de controle e sistema de comunicação
  7. Informação e reporte
  8. Monitorização e acompanhamento

Informação Ambiental — Conteúdo

  • Descrição e características dos sistemas, equipamentos e instalações para melhoria e proteção do meio ambiente.
  • Despesas ocorridas no exercício destinadas à proteção e melhoria do meio ambiente.
  • Provisões para riscos e encargos de ações ambientais.
  • Contingências relativas à proteção e melhoria do meio ambiente.
  • Valor completo das responsabilidades de natureza ambiental.
  • Subsídios ou subvenções de natureza ambiental recebidos.

EMAS — Sistema Comunitário de Ecogestão

Definição: Sistema de auditoria de gestão ambiental criado pela União Europeia. É voluntário e destina-se a avaliar e melhorar o desempenho ambiental de organizações em qualquer setor.

Pontos importantes:

  1. Cumprimento das obrigações legais.
  2. Melhoria do desempenho ambiental das atividades e condições de trabalho.
  3. Comunicação clara e transparente.
  4. Envolvimento dos trabalhadores.

Etapas de registro no EMAS

  1. Realizar um estudo ambiental.
  2. Elaborar auditoria do sistema de gestão ambiental.
  3. Preparar uma declaração ambiental.
  4. Implementar ações de melhoria.
  5. Obter verificação independente por organismo certificador EMAS.
  6. Registrar-se junto do organismo competente do Estado‑membro.

O EMAS reconhece a ISO 14001, mas exige três requisitos adicionais: 1. atuação, 2. transparência e 3. credibilidade.

Modelo EFQM

Foco: Organizações orientadas para qualidade total. Qualidade = satisfação dos clientes, dos empregados e do ambiente. A satisfação é alcançada por meio da correta gestão de pessoal e recursos, definição clara de processos e estratégias de liderança para alcançar a excelência empresarial.

Para alcançar a excelência:

  • Determinar áreas específicas de melhoria.
  • Definir planos de ação e aplicar processos de avaliação e reavaliação.
  • Implementar ciclos de feedback contínuo.

Objetivo do EFQM

Auxiliar as organizações a identificar oportunidades de melhoria.

Critérios de avaliação

Dois tipos principais:

  • Critérios de agentes — aspectos do sistema de gestão da organização: liderança, política e estratégia, pessoas, parceiros e recursos, processos.
  • Critérios de desempenho — resultados obtidos pela organização: satisfação do cliente, satisfação dos funcionários, impacto na sociedade e desempenho em relação aos objetivos estratégicos.

Metodologia de avaliação (RADAR)

RADAR: Results (resultados) • Approach (abordagem) • Deployment (implantação) • Assessment & Refinement (avaliação e revisão). Planeamento → desenvolvimento → implementação → medição de resultados → revisão e melhoria contínua.

O modelo permite a comparação com organizações semelhantes, oferecendo uma estrutura diagnóstica para garantir a margem de resultados e a melhoria contínua.

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