Controle Interno, Auditoria e Modelos: COSO, ERM, Deming
Deming — Modelo
Princípios (14 pontos de Deming)
- Constância de propósito — Manter objetivo contínuo de melhoria e inovação.
- Adotar nova filosofia — Aceitar mudanças para competir no mercado atual.
- Deixar de depender da inspeção — Construir qualidade no processo, não inspecionar para corrigir.
- Eliminar a prática de atribuir negócios apenas ao menor preço — Focar em qualidade e valor, não apenas preço.
- Melhoria contínua — Buscar melhoria constante em produtos, serviços e processos.
- Instituir formação no trabalho — Capacitar pessoas para executar e melhorar processos.
- Instituir liderança — Liderança para ajudar as pessoas a atingir melhor desempenho.
- Eliminar o medo — Criar ambiente seguro para comunicação e melhoria.
- Derrubar barreiras entre departamentos — Promover colaboração entre áreas.
- Eliminar slogans e metas numéricas prejudiciais — Evitar metas que gerem comportamento disfuncional.
- Eliminar quotas e metas de qualidade por fases — Evitar metas que comprometam a qualidade.
- Reconhecer conquistas — Valorizar realizações sem comparações injustas.
- Promover capacitação — Educação e autoaperfeiçoamento contínuos.
- Promover transformação — Liderar mudanças profundas para excelência.
Sete Pecados Capitais (Doenças da Administração segundo Deming)
Observações corrigidas e organizadas:
- Falta de constância no propósito e foco fraco em objetivos de longo prazo.
- Busca de ganhos de curto prazo e distribuição imediata de dividendos em detrimento do futuro.
- Sistemas de avaliação e revisão que premiam resultados imediatos sem contexto.
- Mobilidade excessiva da alta direção, promovendo visão de curto prazo.
- Direção baseada apenas em números visíveis, sem analisar causas sistêmicas.
- Custos ocultos por garantia e manutenção, gerando decisões equivocadas.
- Custos médicos e outros encargos que afetam a competitividade quando não geridos estrategicamente.
COSO — Relatório
Definição e objetivo: Processo conduzido pelo conselho de administração, pela direção e por outros agentes da entidade, projetado para fornecer segurança razoável quanto ao cumprimento de metas nas seguintes categorias: eficácia e eficiência das operações, confiabilidade das informações financeiras e conformidade com leis e normas.
As mudanças no ambiente demandam que toda a organização ajuste o sistema de controle interno, oferecendo um grau razoável de segurança e adaptando os objetivos de controle interno.
Elementos do controle interno
- Ambiente de controle: contexto ético e profissional que envolve o tratamento dos riscos.
- Avaliação de riscos: identificação das ameaças no ambiente que podem afetar as operações e a consecução dos objetivos definidos; inclui mecanismos para prevenir e mitigar riscos.
- Atividades de controle: procedimentos estabelecidos para reduzir riscos identificados (políticas, processos, revisões e autorizações).
- Informação organizacional e comunicação: dados necessários para direcionar as atividades de controle; canais formais de comunicação e transmissão de informações.
- Supervisão: revisão periódica do processo de controle interno; objetivo é adaptar o sistema às mudanças organizacionais e promover evolução/maturação do sistema de controle.
Normas Internacionais para a Profissão de Auditoria
Estrutura em três blocos:
- Standards de atributos: trata dos fundamentos básicos — independência e objectivos do auditor interno; competência e formação profissional; qualidade dos serviços.
- Regras de desempenho: orientações para a gestão eficaz do trabalho de auditoria — planeamento, execução do programa e conclusões.
- Orientações de execução: práticas específicas para trabalhos de asseguração (certificação) e atividades de consultoria.
Sarbanes‑Oxley — Responsabilidade Corporativa
Responsabilidades da direção
Os responsáveis financeiros (executivos que assinam relatórios) são obrigados a certificar, antes da publicação de demonstrações financeiras anuais ou trimestrais, que, na sua avaliação, as demonstrações não contêm erros relevantes ou informações enganosas e que refletem adequadamente as operações financeiras da entidade.
O signatário é responsável por:
- Estabelecer e manter controles internos.
- Avaliar a eficácia do sistema de controle interno e reportar os efeitos materiais nas demonstrações financeiras.
- Comunicar ao conselho, ao comitê de auditoria e aos diretores quaisquer deficiências, tanto no desenho quanto na operação do sistema de controle interno, incluindo fraudes.
Funções do comitê de auditoria
O comitê de auditoria deve ser responsável por supervisionar as contas anuais, a composição e as funções do conselho fiscal, analisar planos e atividades do departamento de auditoria interna, revisar contratos e avaliar o diretor de auditoria interna. Deve examinar todos os relatórios de auditoria interna e a resposta da gestão, avaliando a adequação dos sistemas financeiros e de controle interno.
Relatório Olivencia
Recomendações de estrutura do conselho:
- Estrutura da mesa: presidente, secretário e vocalias do conselho.
- Comitê executivo: órgãos delegados para desempenhar tarefas auxiliares ao conselho; deve assegurar reflexo preciso das decisões do conselho e equilíbrio por meio de conselheiros independentes.
- Comissões de controlo: apoio de revisão em áreas significativas para governação (informação contabilística e controlo, seleção da administração e da gestão sénior, políticas de remuneração e avaliação do sistema de governo e cumprimento regulatório).
Características de um relatório de auditoria de qualidade
Requisitos mínimos:
- Detalhar objetivos e alcance do trabalho.
- Descrever os procedimentos realizados.
- Descrever pontos fracos e desafios identificados.
- Apresentar correções e recomendações para discussão com a administração.
- Incluir planos da administração para evitar recorrência dos pontos fracos.
IIA — Comunicação e Requisitos Básicos (2400)
A seção relacionada às comunicações (2400) emitida para auditores internos recomenda sete requisitos básicos para relatórios:
1. Precisos • 2. Objetivos • 3. Claros • 4. Concisos • 5. Construtivos • 6. Completos • 7. Oportunos
Referência ao ponto 2440 — divulgação de resultados: o auditor interno, ao comunicar resultados potencialmente sensíveis, deve avaliar riscos de divulgação, consultar diretores e/ou assessor jurídico e limitar a difusão dos resultados quando necessário.
ERM — Gestão de Riscos Corporativos
Definição: Sistema para identificar, avaliar e gerir riscos individuais e o impacto conjunto desses riscos na organização.
Categorias de risco
- Financeiro
- Capital humano
- Legal e regulatório
- Operacional
- Tecnologia
- Estratégico
Componentes do ERM
- Ambiente interno
- Desenvolvimento de estratégia e objetivos relacionados ao risco
- Identificação de situações que podem alterar o perfil de risco
- Avaliação do impacto dos riscos
- Respostas ao risco (evitar, reduzir, aceitar, transferir)
- Atividades de controle e sistema de comunicação
- Informação e reporte
- Monitorização e acompanhamento
Informação Ambiental — Conteúdo
- Descrição e características dos sistemas, equipamentos e instalações para melhoria e proteção do meio ambiente.
- Despesas ocorridas no exercício destinadas à proteção e melhoria do meio ambiente.
- Provisões para riscos e encargos de ações ambientais.
- Contingências relativas à proteção e melhoria do meio ambiente.
- Valor completo das responsabilidades de natureza ambiental.
- Subsídios ou subvenções de natureza ambiental recebidos.
EMAS — Sistema Comunitário de Ecogestão
Definição: Sistema de auditoria de gestão ambiental criado pela União Europeia. É voluntário e destina-se a avaliar e melhorar o desempenho ambiental de organizações em qualquer setor.
Pontos importantes:
- Cumprimento das obrigações legais.
- Melhoria do desempenho ambiental das atividades e condições de trabalho.
- Comunicação clara e transparente.
- Envolvimento dos trabalhadores.
Etapas de registro no EMAS
- Realizar um estudo ambiental.
- Elaborar auditoria do sistema de gestão ambiental.
- Preparar uma declaração ambiental.
- Implementar ações de melhoria.
- Obter verificação independente por organismo certificador EMAS.
- Registrar-se junto do organismo competente do Estado‑membro.
O EMAS reconhece a ISO 14001, mas exige três requisitos adicionais: 1. atuação, 2. transparência e 3. credibilidade.
Modelo EFQM
Foco: Organizações orientadas para qualidade total. Qualidade = satisfação dos clientes, dos empregados e do ambiente. A satisfação é alcançada por meio da correta gestão de pessoal e recursos, definição clara de processos e estratégias de liderança para alcançar a excelência empresarial.
Para alcançar a excelência:
- Determinar áreas específicas de melhoria.
- Definir planos de ação e aplicar processos de avaliação e reavaliação.
- Implementar ciclos de feedback contínuo.
Objetivo do EFQM
Auxiliar as organizações a identificar oportunidades de melhoria.
Critérios de avaliação
Dois tipos principais:
- Critérios de agentes — aspectos do sistema de gestão da organização: liderança, política e estratégia, pessoas, parceiros e recursos, processos.
- Critérios de desempenho — resultados obtidos pela organização: satisfação do cliente, satisfação dos funcionários, impacto na sociedade e desempenho em relação aos objetivos estratégicos.
Metodologia de avaliação (RADAR)
RADAR: Results (resultados) • Approach (abordagem) • Deployment (implantação) • Assessment & Refinement (avaliação e revisão). Planeamento → desenvolvimento → implementação → medição de resultados → revisão e melhoria contínua.
O modelo permite a comparação com organizações semelhantes, oferecendo uma estrutura diagnóstica para garantir a margem de resultados e a melhoria contínua.