Controle de Pragas do Algodoeiro: Desafios e Mudanças
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Controle de Pragas do Algodoeiro: Expectativas de Mudanças
Jorge B. Torres
Universidade Federal Rural de Pernambuco (DEPA-Fitossanidade), Recife, PE. E-mail: [email protected]
O controle de insetos-praga do algodoeiro, Gossypium hirsutum L. (Malvaceae), é um dos fatores que mais onera os custos de produção. Apesar da variação dos métodos de controle e do nível tecnológico adotado entre as regiões produtoras, em muitas situações é registrada a necessidade de 12 a 14 pulverizações, ou mais, para o controle de insetos e ácaros (Richetti et al., 2004).
A necessidade de frequentes pulverizações faz com que o controle de pragas do algodoeiro, via amostragem, inseticidas e pulverizações, seja um dos custos que mais onera a produção, superando, inclusive, os gastos com a aquisição e aplicação de fertilizantes.
A situação torna-se ainda mais grave se for considerado que o investimento no controle de pragas é garantia de um aumento significativo da produção, como verificado no caso de outros itens que compõem os custos variáveis de produção, tais como fertilizantes, reguladores de crescimento, sementes de qualidade (semente-genética) e preparo do solo. Essa situação interfere nos limiares de lucro obtidos e determina a oferta de produtos a preços competitivos no mercado mundial.
A redução dos custos de produção, em especial aqueles que não resultam diretamente em aumento de produtividade, como é o caso dos custos com controle, é de suma importância para que os lucros da atividade sejam maximizados, possibilitando a oferta de pluma com preço mais acessível no mercado consumidor.
A necessidade de se controlar pragas nas lavouras algodoeiras foi uma das principais causas do desenvolvimento e expansão do controle químico de pragas nas diversas regiões produtoras do mundo. Essa estratégia de controle possibilitou, ainda, o desenvolvimento de outras táticas de controle, baseadas no conhecimento profundo da biologia de insetos e das interações estabelecidas entre as espécies pragas e não pragas.
Considerando a complexidade do tema e a necessidade de manutenção de outros herbívoros que ocorrem no agroecossistema do algodoeiro, o manejo de pragas nessa cultura tem se tornado dinâmico. Todas essas razões justificam a adoção de um programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP), fundamentado em práticas que contribuam para a redução de custos de produção e que, ao mesmo tempo, permitam a obtenção de produtividades satisfatórias.
Principais Pragas do Algodoeiro no Brasil
O algodoeiro hospeda entre 300 a 600 espécies de herbívoros (Whitcomb & Bell, 1964). Dentre essas, aproximadamente 32 espécies podem ocasionar redução significativa na produção do algodoeiro cultivado no Brasil (Degrande, 1998).
Independente do local onde se cultiva o algodoeiro, cerca de quatro a cinco espécies ou grupos exigem que, frequentemente, sejam adotadas medidas de controle para contenção dos surtos populacionais, sendo denominadas de pragas-chave. Entre elas, destacam-se:
- Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis);
- Pulgão-do-algodoeiro (Aphis gossypii);
- Curuquerê-do-algodoeiro (Alabama argillacea);
- Complexo de lagartas-das-maçãs (Heliothis virescens, Helicoverpa zea, Spodoptera frugiperda e Pectinophora gossypiella).
Entre as demais espécies com frequente relato de necessidade de pulverizações, destacam-se a mosca-branca (Bemisia sp.), o tripes (Frankliniella schultzei), o ácaro-rajado (Tetranychus urticae) e percevejos como o manchador (Dysdercus sp.) e os percevejos-da-soja (Nezara viridula, Piezodorus guildinii e Euschistus heros).
A detecção de densidades populacionais destas pragas acima do nível de controle, quando não seguida de medidas adequadas, pode acarretar perda total da produção. O bicudo-do-algodoeiro permanece como o maior desafio, sendo um exemplo crítico da dificuldade de convivência entre o agricultor e uma praga, cujos impactos econômicos e sociais, como o desemprego e o fechamento de indústrias, ainda persistem em diversas regiões do Brasil.