Cooperação e Relações Interpessoais na Psicologia
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Cooperação e Relações Interpessoais
Experiência da "Caverna dos Ladrões"
Realizada pelo psicólogo Muzafer Sherif:
- Objetivo: esclarecer a formação do conflito entre grupos e o papel da cooperação na sua superação.
- Grupo objeto da experiência: constituído por rapazes de 11 e 12 anos, saudáveis e equilibrados, que não se conheciam.
Fases da experiência:
- 1ª fase: formação de grupos e definição da situação experimental (promoção de atividades que estimulam o espírito grupal).
- 2ª fase: instalação do conflito — promoção de atividades competitivas que estimulam a rivalidade entre os grupos.
- 3ª fase: promoção de ações conjuntas sem competitividade para reduzir o conflito (fracasso).
- 4ª fase: introdução de objetivos superordenados — promoção de ações essenciais para os dois grupos que exigiram a colaboração na sua execução.
Conclusão:
- Não basta o simples contacto entre grupos hostis para se ultrapassarem os preconceitos e o conflito.
- O contacto que envolve a cooperação, a entreajuda e a interdependência tem muito mais possibilidades de sucesso na superação de conflitos.
- Os grupos só poderiam alcançar os objetivos se colaborassem entre si.
Formas de Superar os Conflitos
- Dominância/Submissão: um grupo impõe unilateralmente a solução a outro grupo, ou o outro grupo cede às exigências do primeiro.
- Inação: os dois grupos, ou um deles, escolhem não agir, esperando que o passar do tempo resolva por si só o conflito.
- Mediação: prevê o envolvimento de alguém neutro. O mediador terá a distância para apreciar e ajudar a clarificar o conflito, visando promover a comunicação entre as partes.
- Negociação: os grupos procuram construir um acordo para impedir o desenvolvimento da hostilidade, implicando cedências e exigências mútuas.
- Cooperação: a ação conjunta que implica a colaboração dos envolvidos para se atingir um objetivo comum.
Atualmente, num mundo de problemas globais, dominam as soluções baseadas na cooperação, na mediação e na negociação.
Atração Interpessoal
A atração é a avaliação cognitiva e afetiva que fazemos dos outros e que nos leva a procurar a sua companhia. Manifesta-se pela preferência por determinadas pessoas e pelo interesse em partilhar a sua presença.
Fatores que influenciam a atração:
- Proximidade: pessoas geograficamente próximas tendem a gerar mais atração (e também mais conflitos).
- Familiaridade: a atração pode aumentar se estivermos frequentemente com a pessoa.
- Atração física: a aparência física é uma das primeiras impressões. Padrões culturais de beleza influenciam a popularidade e a atração inicial.
- Semelhanças interpessoais: sentimo-nos atraídos por quem possui sentimentos, comportamentos e valores semelhantes aos nossos.
- Qualidades positivas: preferimos características que consideramos agradáveis.
- Complementaridade: atração por características que não possuímos, onde as assimetrias se completam.
- Reciprocidade: simpatizamos mais com quem simpatiza connosco, facilitando relações de confiança.
Intimidade
A intimidade é uma relação estreita de partilha, abertura e confiança. Implica uma comunicação profunda e grande envolvimento.
- Dimensão relacional: manifesta-se em diferentes níveis conforme a pessoa.
- Dimensão pessoal: varia segundo a história pessoal, personalidade e experiência de cada indivíduo.
As relações interpessoais íntimas são intensas, duradouras e privilegiam a comunicação de afetos e crenças.
Componentes das interações íntimas:
- Interações verbais: partilha de emoções e confidências através da conversa.
- Interações não-verbais: proximidade física, toque e a forma como se sorri.
O contexto social condiciona estas expressões. Nas sociedades ocidentais, as mudanças no papel da mulher alteraram profundamente as interações sociais e de intimidade. As expressões mais significativas são a amizade e o amor.
Amizade
Uma relação de amizade é pessoal, informal, voluntária, positiva e implica reciprocidade e atração pessoal. Existem diferentes graus de amizade baseados na confiança, lealdade e apoio.
Fatores que fazem variar a amizade:
- Idade:
- Infância: papel no desenvolvimento socioafetivo.
- Jardim-de-infância: parceiros de brincadeiras.
- Escola: início de relações duradouras e leais.
- Adolescência: papel dominante na construção da identidade.
- Idade Adulta: perde o caráter central e apresenta menor nível de intimidade.
- Género: o senso comum sugere que mulheres focam mais em confidências e homens em atividades profissionais.
- Contexto social: a valorização da amizade difere no espaço e no tempo.
- Características individuais: dependem da história pessoal e personalidade.
Amor
O amor inclui paixão, proximidade, exclusividade e desejo sexual. Distinguem-se dois tipos:
- Amor apaixonado: envolvimento intenso com excitação fisiológica e desejo.
- Amor companheiro: forte afeto por pessoas com relações consolidadas (pais, amigos íntimos).
Teoria Triangular do Amor
Robert Sternberg propõe que o amor tem três componentes fundamentais:
- Intimidade: sentimentos de proximidade emocional e partilha (emocional).
- Paixão: intenso desejo sexual e vontade de estar com o outro (motivacional).
- Compromisso: intenção de manter a relação amorosa (cognitiva).