Crianças Selvagens, Imaturidade do Bebê e Comunicação Mãe-Bebê

Psicologia e sociologiaAtualizado em 4,49 KB

Resumo

O texto aborda o caso das crianças selvagens, crianças criadas fora da sociedade, e analisa o que estes casos revelam sobre o papel das interações sociais no desenvolvimento humano. Apresenta também a imaturidade biológica do bebé, as suas competências precoces e a importância da regulação mútua na comunicação mãe-bebé, segundo Erik Erikson.

Pontos-chave

  • O termo "crianças selvagens" designa crianças que cresceram fora da sociedade e da cultura, como Victor de Aveyron, Amala e Kamala e Genie.
  • As crianças selvagens apresentam linguagem mímica ou nula, comportamento social pouco orientado para humanos e dificuldades no controlo emocional.
  • O ser humano nasce imaturo e dependente dos adultos durante muito tempo para se alimentar, proteger e sobreviver.
  • Os bebés têm competências precoces como ver, ouvir, sorrir, chorar, vocalizar (3-6 meses) e expressar emoções faciais.
  • A regulação mútua na relação mãe-bebé exige que a mãe interprete e responda adequadamente aos sinais do bebé.
  • Segundo Erik Erikson, entre o nascimento e os 18 meses a relação com a mãe oscila entre confiança e desconfiança, influenciando a adaptação social futura.

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**Explorar as Consequências da Privação Social: Crianças Selvagens**

O termo “crianças selvagens” é usualmente atribuído a crianças que crescem e se desenvolvem fora da sociedade, fora da cultura e da civilização. Os relatos apresentam-nos três tipos de crianças: as que terão sobrevivido por si próprias (Victor de Aveyron); aquelas que parecem ter sido auxiliadas por animais (Amala e Kamala); e ainda crianças que crescem em clausura (Genie). O estudo dos casos conhecidos tem vindo a contribuir para a compreensão do papel das interações sociais no desenvolvimento do ser humano.

As características mais gerais que estas crianças apresentam são:

  • Possuem uma linguagem sobretudo mímica, em alguns casos imitativa dos sons e gestos dos animais com que conviveram.
  • A sua linguagem verbal é sempre nula ou muito reduzida (varia de caso para caso, conforme o tipo de isolamento e a idade a partir do qual este aconteceu).
  • O seu comportamento social não é, regra geral, orientado para outros seres humanos, nem segue os mesmos padrões, podendo, em alguns casos, aproximar-se ao dos animais com que interagiam, quando existia uma interação de tipo social com outros animais.
  • As crianças selvagens não choram nem riem, manifestam dificuldades no controlo emocional e têm que aprender a exprimir as suas emoções e a reconhecer emoções no rosto das pessoas com quem interagem.
  • São também insensíveis ao frio e ao calor ambientais.
  • Têm a visão noturna e o olfato superior ao normal, e o ritmo do sono é coincidente com o intervalo de tempo entre o anoitecer e a madrugada.

O que nos torna humanos depende da genética, da herança biológica, e da dimensão sociocultural. Os casos das crianças selvagens permitem-nos perceber o papel da cultura e da sociedade na definição do que é o ser humano. Dependemos dos outros, do contacto físico e sociocultural com eles para nos tornarmos os seres humanos que somos.

**Analisar a Imaturidade Biológica do Bebê e as Suas Competências**

O ser humano, quando nasce, é um ser imaturo. Essa imaturidade, que se revelou um elemento decisivo no processo de desenvolvimento da espécie, torna-o dependente, durante muito tempo, dos adultos: para se alimentar, para ser protegido, para sobreviver física e psiquicamente. Os novos meios de investigação e os novos dados que se obtiveram motivaram um acréscimo do interesse dos psicólogos sobre as competências precoces do bebê. Abandonou-se a ideia de que o bebê era um ser passivo nos primeiros meses de vida, e constatou-se que apresenta um conjunto de capacidades e competências que estimulam aqueles que o rodeiam a satisfazer as suas necessidades. Este processo vai ter, pelo seu carácter comunicacional, repercussões nas relações futuras.

As observações e as experiências desenvolvidas nos últimos anos mostraram que as capacidades dos bebês, designadamente a capacidade para comunicar são muito superiores às que, até há pouco tempo, se imaginava. Assim sendo, as competências do bebê são: ver, ouvir, o sorriso, o choro, as vocalizações (3-6 meses), e ainda as expressões faciais/emoções.

**A Importância da Comunicação Mãe-Bebê**

A regulação mútua envolve o bebê e os seus progenitores numa interação em que ambos procuram responder de forma adequada. Uma interação equilibrada exige que a mãe interprete adequadamente os sinais emitidos pelo bebê e que responda de forma adequada. Se o bebê consegue o que precisa, reagirá com alegria, e, se depois de várias tentativas para atrair a mãe, não consegue, manifestará ansiedade e frustração.

Erik Erikson chamou a atenção para a importância das primeiras relações que o bebê estabelece, designadamente com a mãe. Entre o nascimento e os 18 meses, o bebê mantém uma relação privilegiada com a mãe, que oscila entre a confiança e a desconfiança. Se a mãe cuida do bebê, se está disponível para responder às suas solicitações, desenvolve um sentimento de confiança, fazendo-o sentir-se seguro. O bebê acredita que os seus desejos e necessidades serão satisfeitos. Se a mãe não responder positivamente, podem desenvolver-se sentimentos de desconfiança que se manifestam por medos e receios. O mundo surge-lhe como imprevisível e ameaçador. Segundo Erikson, o sentimento de confiança refletir-se-ia ao longo da vida manifestando-se numa capacidade de adaptação às pessoas e às situações em contexto social.

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Perguntas frequentes

Quem foram as crianças selvagens mencionadas no texto?

O texto refere três casos: Victor de Aveyron, que terá sobrevivido por si próprio; Amala e Kamala, que parecem ter sido auxiliadas por animais; e Genie, que cresceu em clausura.

O que é a regulação mútua entre mãe e bebé?

É uma interação em que o bebé e os progenitores procuram responder de forma adequada um ao outro. A mãe deve interpretar corretamente os sinais do bebé e responder-lhes.

O que defendeu Erik Erikson sobre a relação inicial com a mãe?

Erikson considerou que, entre o nascimento e os 18 meses, o bebé oscila entre confiança e desconfiança conforme a mãe responde ou não às suas necessidades. A confiança desenvolvida reflete-se na capacidade de adaptação social ao longo da vida.

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1. Qual destes casos de crianças selvagens é mencionado no texto?
2. Segundo o texto, como se caracteriza o bebé ao nascer?
3. Que competência precoce do bebé é referida no texto?
4. O que acontece quando a mãe não responde positivamente às necessidades do bebé, segundo Erikson?
5. Quais características são atribuídas às crianças selvagens?

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