A Crise do Antigo Regime e a Sociedade Francesa
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A Sociedade de Ordens no Antigo Regime
A velha sociedade de ordens do Antigo Regime repousava na defesa dos privilégios da nobreza e do clero, ordens que representavam apenas 2% da população. Nas mãos dos nobres concentravam-se as rendas provenientes da posse de 1/4 do solo francês, a quase totalidade dos cargos ministeriais e diplomáticos, bem como os lugares cimeiros do exército e da hierarquia religiosa.
Ao clero pertenciam 10% das terras mais ricas de França, das quais recolhiam numerosas rendas e direitos de origem feudal, além da dízima eclesiástica, à qual nem os nobres nem os reis escapavam; a ordem eclesiástica não pagava impostos à Coroa.
O Terceiro Estado e a Ascensão da Burguesia
- Camponeses: Totalizavam 80% da população e suportavam pesadas cargas tributárias.
- Povo miúdo: Trabalhadores das manufaturas e serviços domésticos.
- Burguesia: Grandes mercadores, banqueiros e proprietários de manufaturas que constituíam a elite do Terceiro Estado.
- Pequena e média burguesia: Mestres de ofício, lojistas, advogados, médicos e intelectuais.
Os estratos burgueses partilhavam dos mesmos ódios e frustrações. Nas lojas maçónicas, salões ou cafés, invocavam os ideais de igualdade e liberdade, criticando os privilégios de uma nobreza considerada ociosa e iletrada. Mais instruídos, os burgueses viam-se impedidos de aceder aos altos postos políticos, o que alimentou a contestação ao Antigo Regime.
A Crise Económica e Financeira
Uma crise profunda minava a economia do reino:
- Crise Agrícola: Baixa nos preços do trigo e do vinho, agravada por tempestades que destruíram colheitas, gerando a psicose da fome.
- Crise Industrial: O tratado de livre-câmbio de 1786 favoreceu os tecidos ingleses, deixando mais de 200 000 desempregados no setor têxtil francês.
- Défice Crónico: Gastos excessivos com o exército, obras públicas, a Corte e o serviço da dívida pública.
A injusta sociedade de ordens, que isentava o clero e a nobreza de impostos, impedia o equilíbrio das finanças reais.
As Tentativas de Reforma e o Fim do Absolutismo
Luís XVI, ao subir ao trono em 1774, tentou resolver a crise. O ministro Turgot liberalizou o comércio de cereais e propôs a substituição da corveia real por uma subvenção territorial, mas foi demitido devido à pressão da nobreza. Os parlamentos e a Assembleia dos Notáveis moveram cerrada oposição às reformas, contribuindo para o clima de motins e violência entre 1787 e 1789.
Incapaz de conter a reação nobiliárquica e a agitação social, Luís XVI convocou os Estados Gerais:
- 1º Estado: 291 deputados.
- 2º Estado: 270 deputados.
- 3º Estado: 578 deputados.
Dada a exigência do Terceiro Estado de que o voto fosse por cabeça e não por ordem, iniciou-se o impasse que levaria à Revolução.