A Crise Econômica e a Bolha Imobiliária na Espanha

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Crise econômico-financeira na Espanha: Após o estouro do crash da bolsa em 2002, no qual os protagonistas foram importantes empresas de telecomunicações e Internet, as taxas de juros foram reduzidas significativamente, favorecendo o aumento do consumo das famílias, especialmente de bens duráveis, e uma mudança de poupanças para ativos imobiliários na Espanha.

O processo recebeu o estímulo adicional de taxas de juros reais que eram particularmente baixas, resultando em uma taxa de inflação mais elevada do que a média da UE, bem como o rápido crescimento populacional, derivado da grande onda de imigração que começou em 1995. A procura interna cresceu a taxas elevadas, com uma grande contribuição do consumo das famílias e, sobretudo, o investimento em viviendas (moradias). Não se poderia impedir um aumento apreciável destes preços, tendo em vista que refletiam as expectativas de expansão da renda; e, com base no efeito riqueza decorrente da reavaliação dos edifícios, a dívida das famílias subiu bem substancialmente, incrementando-se a vulnerabilidade do setor institucional chave para um possível aumento nas taxas de juros ou a redução do valor da propriedade.

O Banco de Espanha, preocupado com a alavancagem excessiva das famílias, tentou impedir a expansão do crédito hipotecário, forçando os bancos e instituições de poupança a estabelecer disposições para lidar com o estouro da bolha imobiliária quando esta desacelerasse. Com a demanda por moradia no início de 2008, tornou-se evidente que o ciclo de crescimento da construção havia se esgotado e o excesso de propriedades acumulado pressionou os preços. O abrandamento da atividade de construção reduziu, inevitavelmente, o nível de ocupação da população espanhola.

Esse quadro sombrio de desaceleração, que poderia alcançar maior ou menor grau, escureceu ainda mais com a eclosão da crise financeira internacional. O custo de oportunidade das facilidades financeiras concedidas ao setor imobiliário tem resultado em uma relativa escassez de fundos destinados a modernizar todo o setor produtivo espanhol.

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