Crise e Expansão na Península Ibérica (Séculos XIV-XV)

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Crise Demográfica, Econômica e Política (Séculos XIV e XV)

Desde 1270, apresentaram-se os primeiros sintomas de uma crise que afetou todas as esferas da vida. As culturas especulativas levaram os senhores, no intuito de enriquecer devido aos bons anos anteriores, a impedir o desenvolvimento da agricultura de subsistência, fazendo com que os mais humildes começassem a morrer de fome. A deterioração climática trouxe más colheitas e a fome generalizada.

A Peste Negra e Conflitos Políticos

Em 1348, a Peste Negra piorou a crise do século XIV, que foi intensificada em toda a Europa pela Guerra dos Cem Anos (1339-1453) entre a Inglaterra e a França, e pelo Grande Cisma do Ocidente (1378-1417), no qual a hierarquia da Igreja contestou o seu domínio, chegando a ter até três papas simultaneamente.

A crise econômica acompanhou a crise demográfica. Os campos foram despovoados e a produção agrícola caiu. Os senhores foram obrigados a pagar salários mais altos aos agricultores para evitar a sua migração para as cidades. Por volta de 1420, já havia sinais de recuperação populacional, sendo Castela a primeira a se recuperar.

A Expansão da Economia Espanhola

A partir do início do século XV, houve uma recuperação econômica, com o aumento da população urbana e a integração na economia europeia. Os senhores passaram a produzir de acordo com o mercado, e as exportações alcançaram grande expansão na Espanha. A nobreza, que controlava a Mesta, e a monarquia tornaram o comércio de lã o motor econômico espanhol. A indústria têxtil fornecia principalmente para o mercado interno. Sevilha tornou-se um centro de construção naval e escala estratégica entre o Atlântico e o Mediterrâneo.

A Economia de Aragão

Entre 1275 e 1356, a Catalunha e as Baleares atingiram uma expansão comercial impulsionada por uma burguesia poderosa, que importava especiarias, trigo e algodão, e exportava produtos têxteis e artigos de ferro. Estimulada pelo comércio, a metalurgia alcançou importantes avanços técnicos e a construção naval atingiu o nível de um grande império marítimo. A indústria têxtil foi um dos pilares da economia catalã. No entanto, desde meados do século XIV, a crise começou a agravar-se, culminando no século XV, quando Valência assumiu a liderança econômica.

Conflitos Sociais e Tensões Urbanas

Com o pano de fundo desta crise, desenvolveram-se inúmeros conflitos sociais. Primeiro, a pressão senhorial sobre as pessoas que ocupavam as terras da nobreza aumentou. Para garantir a continuidade nobiliárquica, aprovou-se a instituição do morgadio (primogenitura), que reservava a transferência quase total da riqueza em favor de um filho único. Para se distinguirem de outros grupos sociais, os nobres inventaram rituais e cerimônias, como o ato de ser armado cavaleiro.

Quanto aos movimentos camponeses, estes reagiram desde o final do século XIII contra as práticas senhoriais. A partir de 1462, a revolta misturou-se com a guerra política entre D. João II de Aragão e a Generalitat da Catalunha. A Sentença de Guadalupe, emitida pelo rei Fernando em 1486, não pacificou totalmente a situação. Os senhores fugiram de suas terras, deixando torres e castelos destruídos pelos camponeses, mas em 1470 retornaram e esmagaram a revolta.

Quanto aos conflitos urbanos, ocorreram principalmente na Catalunha. Em grandes cidades como Barcelona, os interesses protecionistas da classe dos artesãos entraram em conflito com os da nobreza, que era favorável ao livre comércio e ao monopólio do governo municipal. Esta rivalidade expressou-se na luta entre a Busca e a Biga pelo controle municipal de Barcelona.

Neste período, explodiu também um sentimento antijudaico na Península, alimentado pelo papel crescente dos judeus como agiotas e administradores de rendas. A nobreza utilizava seus serviços, mas no final do século XIII, a expulsão dos judeus da França e da Inglaterra serviu de modelo. Pregadores insistiam na imagem negativa dos judeus e, como resultado, muitos foram mortos ou optaram pela conversão ao cristianismo.

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