A Crise e Queda da Primeira República Portuguesa

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Instabilidade Política

Em termos políticos, a Primeira República caracterizou-se por uma enorme instabilidade:

  • Em 16 anos, registaram-se 8 eleições presidenciais, 7 parlamentares e 45 governos;
  • Excessivo peso do Parlamento na vida política, uma vez que o Poder Legislativo controlava o Executivo;
  • Divergências no Partido Republicano, que se dividira em: Partido Democrático (Afonso da Costa), Partido Evolucionista (António José de Almeida) e Partido Unionista (Brito Camacho);
  • Programas de governo mal definidos, uma vez que estes não tinham tempo de ser aplicados e concretizados;
  • Rivalidades pessoais que contribuíram para o enfraquecimento do próprio poder político;
  • Atos de violência despropositada que manchavam o regime (como a Noite Sangrenta);
  • Ação da oposição (monárquicos, Igreja, grandes proprietários e capitalistas);
  • A entrada na Primeira Guerra Mundial (1916-1918) agravou a instabilidade:
    • 1917-1918: Golpe militar de Sidónio Pais. Destituiu o Presidente da República, dissolveu o Congresso e fez-se eleger presidente por eleições diretas em abril de 1918. Apoiou-se nas forças mais conservadoras da sociedade portuguesa, nomeadamente nos monárquicos;
    • Janeiro/Fevereiro de 1919: Ocorreu uma guerra civil em Lisboa e no Norte (Monarquia do Norte, proclamada no Porto por Paiva Couceiro);
    • 1921 (Noite Sangrenta): Assassinato do chefe do Governo deposto na véspera, António Granjo, e de heróis do 5 de Outubro, como Carlos da Maia e o almirante Machado dos Santos.

Dificuldades Económicas

Economicamente, registaram-se grandes dificuldades, não se tendo conseguido resolver os problemas herdados da monarquia.

Agricultura (a principal atividade económica)

  • A entrada na guerra provocou a escassez de bens de consumo;
  • Atraso estrutural: 40% de solos incultos; excessivo parcelamento da propriedade a norte; absentismo dos grandes proprietários no centro e sul;
  • Produção essencialmente de vinho, cortiça e frutas;
  • Fraca produção de trigo (o chamado "pão político");
  • 1925: Proposta de lei da Organização Rural de Ezequiel de Campos.

Indústria

  • Grande atraso em relação às congéneres europeias;
  • Forte domínio do capital estrangeiro;
  • Principais setores: têxteis, conservas de peixe, cortiça, fósforos e tabaco;
  • Durante a guerra e nos anos seguintes, observou-se uma certa prosperidade devido à diminuição das importações e da concorrência estrangeira;
  • Porém, permaneceram vários obstáculos: falta de infraestruturas nos transportes e comunicações, escassez de recursos humanos e falta de iniciativa estatal e/ou privada.

Finanças

  • Grande défice orçamental herdado da monarquia;
  • A Primeira Guerra Mundial e a instabilidade política provocaram um novo descalabro neste setor, fazendo disparar a dívida pública;
  • Recurso sistemático à emissão de notas de banco e à consequente desvalorização da moeda;
  • Especulação financeira, culminando no escândalo de Alves dos Reis em 1925.

Instabilidade Social

Socialmente, vivia-se um clima de grande instabilidade, marcado por greves, manifestações e atentados bombistas.

  • Aumento galopante do custo de vida e acentuada diminuição do poder de compra;
  • Apesar do apoio inicial do operariado e da classe média à República, a crise económica e a instabilidade política pós-guerra geraram uma profunda deceção. Estes grupos sociais deixaram de apoiar o regime, passando a desejar um "governo forte" que restaurasse a ordem, a tranquilidade e o desafogo financeiro;
  • Os proprietários rurais e a burguesia capitalista criticavam a instabilidade e hostilizavam abertamente o regime;
  • A Igreja Católica aspirava recuperar a sua antiga influência e combater o ateísmo oficial do Estado republicano.

A Falência da Primeira República

Sem sólidas raízes democráticas e assolado por uma profunda crise socioeconómica, Portugal tornou-se uma presa fácil para soluções autoritárias.

A 28 de maio de 1926, instaurou-se uma ditadura militar (1926-1928), liderada inicialmente pelo General Gomes da Costa e por Mendes Cabeçadas, caracterizada por:

  • Supressão das liberdades individuais;
  • Dissolução do Parlamento;
  • Estabelecimento da censura à imprensa;
  • Readmissão das ordens religiosas.

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