Crise da República, Fascismo e a Nova Ordem Mundial
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Fatores da Falência da 1ª República em Portugal
O período da 1ª República (1910-1926) foi bastante perturbado por grandes problemas a nível externo e interno na sequência da I Guerra Mundial.
A nível interno, um dos grandes problemas era a instabilidade política derivada à oposição ao regime republicano, organizada pelos setores mais conservadores da sociedade, como a Igreja Católica, grandes proprietários e a grande burguesia (comercial, industrial e financeira), monárquicos e até a pequena burguesia rural, descontentes com a legislação republicana de caráter popular e social.
A instabilidade política também se devia à divisão do Partido Republicano em três novos partidos, que raramente conseguiram formar maiorias parlamentares, pelo que em 16 anos existiram 45 governos e 8 presidentes da República. Mas a situação económica e financeira não era a melhor, pois o país permanecia maioritariamente agrícola, recusando a modernização, enquanto a indústria permanecia atrasada e o comércio atrofiado.
A carestia dos produtos e a inflação eram uma constante, o que se devia não só à frágil situação económica do país, mas também às carências provocadas pela I Guerra Mundial. Os governos foram obrigados a fazer constantes desvalorizações da moeda devido ao endividamento externo, porque o défice da balança comercial era um mal crónico, uma vez que o valor das exportações era inferior ao das importações.
Esta difícil situação económica e financeira provocou uma forte agitação social, pois as classes populares continuavam a viver uma situação de miséria, sujeitas aos baixos salários e à carestia dos preços.
O sindicalismo português renasce e rebentam greves e manifestações. A instabilidade política, as dificuldades económicas, financeiras e a falta de entendimento entre os republicanos abriram o caminho para o êxito do golpe de 28 de maio de 1926, que impôs uma ditadura militar em Portugal que, por sua vez, abriu o caminho para o Salazarismo.
Características do Fascismo
Uma das características do fascismo é o facto de ser antiparlamentar e antidemocrático, pois a ideologia fascista nega que a maioria, só por ser maioria, possa governar; considera que os homens não são iguais e só os mais aptos devem governar. Defende-se a existência de um partido único cujos membros seriam as elites, ou seja, os mais aptos para as governações.
O fascismo assume-se como antissocialista e anticomunista, pois este movimento ideológico surgiu como reação contra o crescimento e a afirmação dos partidos de esquerda.
Defende-se o totalitarismo de Estado, pois considerava-se que todas as classes e indivíduos deveriam estar sujeitos aos interesses do Estado, que se deveriam sobrepor aos interesses individuais e até aos direitos humanos. O poder do Estado não se deveria questionar e exige-se obediência cega por parte dos cidadãos.
O apelo aos sentimentos nacionalistas foi outra das características do fascismo, pois os regimes fascistas assumem-se como os grandes defensores da pátria. O apelo aos nacionalistas passava pela exaltação dos feitos históricos e pelos heróis da nação. Estes sentimentos nacionalistas conduziram à xenofobia e ao racismo que, no caso da Alemanha, foi marcado por um forte antissemitismo.
O culto do chefe é outra característica do fascismo. O chefe aparece como a máxima autoridade do Estado, uma espécie de ser eleito, dotado com qualidades excecionais.
A propaganda, o militarismo e o culto da força e da violência eram os principais instrumentos do fascismo. A propaganda intensa na imprensa, rádio e cinema manipulava a opinião pública. Os líderes apareciam em público em grande forma e fardados a impor a ordem e o respeito. E organizações como as polícias políticas reprimiam qualquer tentativa de oposição (PIDE e Gestapo).
Os regimes fascistas desenvolveram políticas expansionistas que implicavam a conquista de territórios, daí que os regimes fascistas estivessem na origem da II Guerra Mundial.
Duas características fascistas fundamentais: monopartidarismo e antiparlamentarismo.
Nova Ordem Mundial depois da I Guerra Mundial
Após a I Guerra Mundial, da Conferência de Paz de 1919/20, realizada em Paris, resultaram vários tratados, entre os quais o Tratado de Versalhes e a criação da Sociedade das Nações (SDN), que acordaram um novo mapa político da Europa e estabeleceram uma nova ordem internacional.
Esses tratados estabeleceram o desmembramento dos quatro grandes impérios: Alemão, Russo, Otomano (Turco) e o Austro-Húngaro. Estes impérios autocráticos e ditatoriais foram desmembrados, dando lugar a novos países como a Áustria, Hungria, Checoslováquia, Jugoslávia, Polónia, Estónia, Letónia, Lituânia e Irlanda.
Na maior parte destes novos países constituíram-se repúblicas assentes no sufrágio universal e na democracia representativa. Muitos destes novos Estados estavam subjugados aos grandes impérios e os seus povos viram confirmado o seu direito à autodeterminação. Durante as conversações de paz do Tratado de Versalhes foi criada, em abril de 1919, a Sociedade das Nações (SDN).
Tratava-se de uma organização internacional destinada a solucionar os diferendos entre as nações sem recurso à guerra. A proposta de criação da SDN foi do presidente Wilson dos EUA. Para além da manutenção da paz e da segurança dos Estados, os principais objetivos eram incentivar e manter a cooperação económica, financeira e cultural entre os Estados-membros e ainda assegurar o direito dos povos à autodeterminação.
O que aconteceu quando Salazar subiu ao poder? Tentou equilibrar as finanças com medidas duras que causaram descontentamento, mas ajudaram a sanear as contas públicas.
A Fundação da Sociedade das Nações
Foi a 16 de janeiro de 1920 que reuniu pela primeira vez o conselho da Sociedade das Nações, em Paris, assinalando formalmente a entrada em funcionamento da instituição. A Sociedade das Nações nasceu seis dias antes, a 10 de janeiro, data em que entrou em vigor o Tratado de Versalhes, que terminou oficialmente a I Guerra Mundial.
Foi a primeira organização internacional criada especificamente para manter a paz, onde as várias nações poderiam resolver os seus conflitos de forma partilhada e sem recurso à guerra. A Sociedade das Nações possuía três órgãos principais: a Assembleia, onde os diversos países estavam representados; o Conselho, que era uma espécie de comissão executiva que deveria implementar as decisões tomadas e que era formado por um número restrito de países membros; e ainda o Secretariado. Possuía também várias agências e comissões auxiliares. Teve inicialmente a sua sede em Londres, mas a partir de 1 de novembro de 1920 passou a ter o seu quartel-general no Palácio Wilson, em Genebra.
Quais foram os motivos que levaram à sua criação? A criação da Sociedade das Nações foi uma consequência direta da I Guerra Mundial e dos seus terríveis efeitos. As suas origens, porém, remontam ao século XIX, quando surgiram as primeiras propostas de criação de um organismo internacional que evitasse as guerras em que as potências europeias estavam permanentemente envolvidas. O desenvolvimento do direito internacional e o aumento das preocupações humanitárias e pacifistas foram fatores importantes que estimularam a ideia de um órgão que promovesse a paz mundial. No final da Grande Guerra, existia na opinião pública mundial um forte sentimento pacifista que considerava que um conflito com aquela dimensão não deveria repetir-se. Por outro lado, as potências vencedoras tinham que lidar com o problema do desmembramento dos impérios vencidos. A Sociedade das Nações foi, portanto, uma solução bem-vinda por todos para resolver de forma pacífica os problemas existentes e evitar os futuros. Como se dizia na altura, a I Guerra tinha sido uma “guerra para acabar com todas as guerras”.
E qual foi o seu sucesso? A Sociedade das Nações foi um avanço notável da diplomacia internacional, não apenas por constituir um fórum que garantia a representação das diversas nações, mas também por ter sido uma tentativa genuína de promover e garantir a paz mundial. Ao longo da década de 1920, vários conflitos territoriais e tensões entre diversos países foram abordados e discutidos no seio da organização. No entanto, a Sociedade das Nações possuía várias fraquezas e contradições. Era vista como uma organização dos vencedores da I Guerra e não possuía instrumentos legais ou forças militares para impor a paz. Um dos sinais da sua ineficácia foi o facto de os EUA nunca terem aderido à Sociedade, apesar do empenho do presidente Wilson. Com a crise económica dos anos 30 e o surgimento de regimes autoritários por toda a Europa e também no Japão, o seu papel tornou-se meramente simbólico. Em 1946 foi substituída pela ONU, que procurou corrigir as principais insuficiências e evitar os erros cometidos pela Sociedade das Nações.
Bipolarismo e a Ordem do Pós-Guerra
Consequências das decisões de Ialta e Potsdam para as relações internacionais no contexto do pós-guerra.
A reconstrução da Europa do pós-II Guerra Mundial começou a ser preparada mesmo antes da guerra acabar. As grandes potências aliadas (EUA, Inglaterra, URSS) fizeram importantes conferências para preparar a reconstrução do mundo após a guerra. As conferências mais importantes foram as conferências de Teerão (1943), Ialta e Potsdam (1945).
As conferências de Ialta e Potsdam foram determinantes para a definição de um novo mapa político. Esta nova ordem internacional ficou marcada pela emergência de duas novas grandes potências: os EUA e a URSS. Os norte-americanos abandonaram o isolamento do período que se seguiu à I Guerra Mundial e afirmam-se como grande potência económica e militar universal; os soviéticos, apesar das grandes perdas materiais e humanas, conseguiram importantes ganhos e pretendem expandir o seu modelo de organização da sociedade (socialismo) a outros países, nomeadamente no Leste Europeu.
A Europa sai arruinada e empobrecida da guerra e perde influência no campo mundial. A Europa Ocidental, Grécia, Turquia, Médio Oriente, Pacífico e continente americano ficam sob a influência política, militar, económica e ideológica dos EUA. A Europa Central e Oriental fica sob influência soviética. Em suma, as duas grandes potências são possuidoras de uma visão do mundo oposta e vão tentar impor os seus modelos político-ideológico e económico-social às respetivas áreas de influência. A sociedade internacional bipolariza-se.