Crise da Restauração: Oligarquia, Nacionalismo e Greves
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Oligarquia e Caciquismo (Texto 1)
O texto Oligarquia e Cacique insere-se num contexto político-social e possui um caráter informativo, explicando a corrupção do sistema político da Restauração. O conteúdo foi escrito por Joaquín Costa, o principal teórico do movimento Regeneracionista, que apresentava soluções para a crise da época.
Segundo o autor, os componentes externos do sistema são três:
- Oligarcas;
- Chefes locais (caciques);
- Governador civil.
O texto aponta que a eleição não é decidida pelo povo, mas sim pelos conservadores e governadores que garantem a vitória através da deturpação e corrupção do sistema de votação, realizando diversas manobras. O autor critica os oligarcas e os patrões que dominam e controlam os principais motores de um núcleo populacional. Em certos momentos, estes estavam incorporados à Igreja; em outros, eram fazendeiros que controlavam os recursos e os votos.
Costa enfatiza a crítica ao sistema político e à corrupção, referindo-se aos caciques e oligarcas como a "classe dominante enquadrada em ambos os partidos". Ele afirma que estes não se integram à nação, sendo um corpo estranho limitado a impor e recolher impostos. Esta foi uma das razões para o surgimento do Regeneracionismo, que tentou reformar o sistema idealizado por Cánovas, visando acabar com a corrupção e o atraso cultural da Espanha para recuperar o prestígio perdido em 1898. Além de Joaquín Costa, figuras como Maura e Canalejas também buscaram valorização na política.
Para finalizar, o autor evidencia que não é o povo que corrompe a nação, mas sim os governantes que usam sua autoridade através de procedimentos como o caciquismo e o aparelhamento. Cronologicamente, o texto situa-se entre o final do século XIX e o início do século XX, período da Restauração na Espanha, marcado pela busca por estabilidade (Pacto de Pardo), mas prejudicado por problemas de credibilidade da monarquia.
Nacionalismo Catalão (Texto 2)
O texto A Nacionalidade Catalã possui natureza político-historiográfica. Seu autor é Enric Prat de la Riba, político catalão e membro da Unió Catalanista. Ele escreveu o programa "As Bases de Manresa" e, mais tarde, ingressou na Lliga Regionalista, tornando-se seu ideólogo mais importante.
A obra foi publicada originalmente em 1906, durante a Restauração, no contexto da campanha contra a Lei de Jurisdições, estabelecendo a teoria nacionalista catalã conservadora. O texto defende um Estado Federal e argumenta a favor do nacionalismo. Primeiro, utiliza o conceito de nacionalismo para referir-se à aspiração de que todos os territórios de uma mesma nacionalidade sejam agrupados sob um único Estado, baseando-se em ideologias do século XIX como o pangermanismo.
Posteriormente, refere-se ao Estado Federal como solução para estados com diferentes nacionalidades. Desde a 1ª República, o catalanismo voltou-se ao federalismo, transformando o fenômeno cultural em político. A ideia fundamental é: "O fato da nacionalidade catalã nasceu uma lei estadual da Catalunha". Por mais de 600 anos, a Catalunha foi independente e soberana, com língua, leis e governo próprios.
Em 1715, após a Guerra de Sucessão, os catalães perderam seus direitos históricos. No século XIX, reviveram os sentimentos de diferenciação cultural e política. O autor defende o federalismo como sistema adequado para a Espanha, respeitando a unidade política espanhola e as diferentes nacionalidades que a compõem, concluindo que o nacionalismo catalão nunca foi separatista, ao contrário de outros movimentos desintegradores.
Manifesto UGT-CNT (Texto 3)
O Manifesto Comum UGT-CNT é um texto histórico-político direcionado à sociedade espanhola. Foi escrito em março de 1917, em Madrid, durante a crise do sistema canovista no reinado de Alfonso XIII. A ideia principal é a imposição de uma greve geral como arma poderosa para resolver as misérias das massas.
No primeiro parágrafo, destaca-se que, apesar dos alertas dos sindicatos, a desgraça do proletariado crescia devido ao desemprego e à alta dos preços. Estabeleceu-se a necessidade de união entre as duas principais forças sindicais: CNT (anarquista) e UGT (socialista). O acordo visava:
- Combater a falta de subsistência e o desemprego;
- Exigir direitos diante da inércia do governo;
- Coordenar movimentos de protesto contra a postura política vigente.
O governo recorreu à intervenção militar e a repressão foi brutal, resultando em 80 mortos e 200 presos. Os membros do comitê de greve foram condenados à prisão perpétua, sendo absolvidos no ano seguinte. No final daquele ano, a notícia da Revolução Russa impulsionou ações sindicalistas conhecidas como o Triênio Bolchevique. Alarmados, os empregadores catalães decidiram perseguir a CNT. Em suma, o período evidenciou a crise do liberalismo espanhol sem que surgisse uma alternativa clara imediata.