A Crise e a Sociedade Espanhola no Século XVII

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A Crise Demográfica no Século XVII

Ao longo do século XVII, a população espanhola estagnou. O crescimento zero foi impulsionado por vários fatores:

  • Crises de subsistência: Causadas principalmente por colheitas pobres.
  • Epidemias: Favorecidas pela desnutrição das populações.
  • Guerras: A falta de mercenários forçou o recrutamento obrigatório.
  • Expulsão dos mouros: Impactou negativamente o campesinato.
  • Emigração: O fluxo migratório para a América também contribuiu para a redução populacional.

Os Problemas Económicos

1. Produção Agrícola

A produção agrícola reduziu-se, especialmente em Castela, devido à escassez de mão de obra, à pesada carga fiscal e à queda na demanda. Valência e a Coroa de Aragão sofreram severamente com a perda dos mouros.

2. Desequilíbrio do Comércio Externo

Havia um défice na balança comercial: importavam-se produtos manufaturados e exportavam-se matérias-primas. O pagamento aos fornecedores era feito em ouro e prata, tornando a extração desses metais essencial. O porto principal foi Sevilha, sendo posteriormente transferido para Cádiz.

3. Decadência do Comércio com a América

Entre 1630 e 1660, o comércio declinou devido à intensificação das trocas entre as colónias, carga tributária excessiva e a perda de remessas de prata pela Coroa. A recuperação, a partir de 1660, foi favorecida principalmente por comerciantes estrangeiros.

4. Recessão Industrial

Os ofícios espanhóis, especialmente o têxtil, entraram em recessão devido à falta de competitividade causada pelos preços elevados.

5. Falta de Investimento

Houve escassez de investimento em empresas industriais e comerciais, pois tais atividades eram consideradas inadequadas para a nobreza, oferecendo ganhos limitados e alto risco. As elites preferiam investir em imóveis, buscando rendimentos sem trabalho.

A Sociedade Estática

A Nobreza

A aristocracia concentrava-se no norte da península, com os maiores títulos no topo da hierarquia. A nobreza tornou-se urbana, vivendo em cidades como Madrid, Sevilha e Barcelona. A nobreza da corte vivia de rendas de terras que raramente visitava, comprando cargos e privilégios, além de serem isentos de impostos.

O Clero

O clero cresceu durante o século XVII. O alto clero, de origem nobre, possuía grande estabilidade financeira. O baixo clero era de origem humilde. A Igreja acumulava riqueza através de dízimos, isenções fiscais, propriedades urbanas/rurais e doações privadas.

O Terceiro Estado

Composto por uma grande variedade de pessoas. O grupo predominante era o dos camponeses, sujeitos a impostos pesados. Artesãos e comerciantes organizavam-se em corporações fechadas e hierárquicas, sendo muitos deles estrangeiros. A burguesia espanhola, em busca de enobrecimento, abandonou atividades industriais e comerciais para investir em terras e títulos imobiliários.

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