A Crítica da Cultura na Filosofia de Nietzsche

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Toda a filosofia de Nietzsche é, primeiro, uma crítica radical dos fundamentos da cultura ocidental, baseada em uma metafísica, religião e moralidade que têm substituído e invertido os valores da vida e, além disso, é uma tentativa de superar essa cultura, que qualifica como um produto de ressentimento contra a vida.

a) O Apolíneo e o Dionisíaco: A Filosofia como uma Visão Trágica da Vida

Em seu livro "O Nascimento da Tragédia", Nietzsche define questões-chave na filosofia. Ele faz isso ao descrever o desenvolvimento da cultura grega, usando metáforas como "o choque do apolíneo e do dionisíaco".

Nietzsche achava que a cultura grega foi conduzida por forças estéticas que lutam umas contra as outras e não podem existir sem o outro: "O Apolo", que representa a ordem, a luz, a medida, o limite, o princípio de individuação, e "dionisíaco", que é o símbolo do fluxo profundo da própria vida, que rompe todas as barreiras e ignora todas as limitações.

Nietzsche considera que a tragédia antiga é uma unificação do dionisíaco e do apolíneo.

No fenômeno da tragédia está a verdadeira natureza da realidade. A visão trágica do mundo é apresentada como um fato da vida e da morte.

Essa gangorra da vida é o que Nietzsche chamou de "oposição de apolíneo e dionisíaco". Ele vem para dar à própria vida o nome de Dionísio.

A tragédia é, para Nietzsche, um princípio cósmico. O mundo é um jogo trágico e a tragédia é a "chave" que fornece a compreensão do mesmo.

Intuição é a maneira de capturar o escuro e profundo que é a vida. Somente através da expressão artística é que se atinge.

Consequentemente, a filosofia de Nietzsche é aqui para a arte, uma sabedoria trágica.

b) A Crítica da Filosofia

A tarefa proposta é desvendar todo o idealismo. Somente a "evolução" é. Só há espaço-tempo do mundo vivido pelos sentidos.

Segundo Nietzsche, Sócrates personifica os instintos de segurança e racionalidade, iniciando a decadência grega. A equação socrática "razão = virtude = felicidade" parece ultrajante e contrária às críticas da vida. Após Sócrates, começa o ataque à metafísica, que ele chama de "egipticismo", sugerindo que Platão foi seduzido em sua viagem ao Egito pelos sacerdotes, tornando-se alheio à própria essência da Grécia, incluindo a filosofia e a moral ao negar o tempo.

Essa crítica de Platão como o iniciador de uma interpretação moral do ser é um pensamento crítico em substituição à interpretação que o mundo fez os filósofos pré-socráticos e, para Nietzsche, estava mais próximo da realidade.

  • Dois erros graves em pontos críticos desta filosofia:
  1. A subestimação da realidade da mudança, do devir. Também derivam do descrédito sofrido pelo conhecimento sensível.
  2. A confusão entre "passado" e "em primeiro lugar".

A metafísica é, para Nietzsche, o mundo de cabeça para baixo.

A tarefa proposta é a inversão da ontologia de Nietzsche e na avaliação que fez estar tão longe.

O que até então tinha sido considerado a aparência é a realidade, e ao invés disso, o que até agora se acreditava ser verdade, o atemporal, eterno, Deus é uma invenção do pensamento.

c) A Crítica da Religião

Nietzsche faz uma crítica semelhante à filosofia da religião. Deus considera uma dimensão da existência humana projetada pelo homem.

Nietzsche considera que o cristianismo fez um investimento de valores religiosos da Grécia e de Roma. É uma revolta de escravos contra os seus mestres orientais, uma "neurose" religiosa. Considera que o cristianismo é o inimigo mortal do tipo superior de homem que seduziu a filosofia europeia.

O cristianismo é a manifestação mais forte e tem sido universal na história da "perda dos instintos". É uma forma de "platonismo", um "platonismo para o povo", uma forma vulgar da metafísica. "A morte de Deus" significa para Nietzsche a supressão da importância dos valores.

Cristo é, para ele, os mansos, os instintos fracos, mas considerado o fundador de uma igreja.

O fundador da Igreja, para Nietzsche, é Paulo, que tomou um rumo diferente para os valores morais pregados por Jesus. Ele acredita que Nietzsche trouxe para finalizar o processo de declínio do cristianismo, que começou com a morte do Redentor. O conceito cristão de "pecado" é para Nietzsche um ataque contra a vida. O cristianismo e toda a verdade se tornam uma mentira.

d) A Crítica da Moral

É mais crítica de Nietzsche à cultura.

Em sua análise dos pedidos de moral, ele busca "além do bem e do mal". Seu método de análise é a pesquisa genealógica, que é um histórico e evolução etimológica dos conceitos morais.

Realiza a análise da origem da moralidade entre os gregos e a volta que sofrem os conceitos morais de Sócrates e Platão.

O ressentimento é gerado por esses novos valores morais. E este "sabor amargo" é típico dos padres. Os gregos não o conheciam, vem no judaísmo e no cristianismo herdado.

Nietzsche mostra que por trás da pretensa universalidade e objetividade das preferências morais estão escondidas a natureza emocional.

Assumindo este argumento, Nietzsche distingue dois tipos básicos de moral: a moral dos senhores, que é ativa, própria da moralidade do super-homem, e a moral do escravo, que busca a igualdade de todos os homens, amor ao próximo, e é passiva. A própria linguagem é um reflexo disso.

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