Crítica ao Desenvolvimento Ferroviário Espanhol (1850-1873)

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Análise Historiográfica da Construção Ferroviária Espanhola

O texto é uma fonte secundária de natureza historiográfica, que interpreta as razões pelas quais os eventos analisados foram adequados ou não no tempo.

O autor, Gabriel Tortella, toma como base a construção da ferrovia na Espanha e critica as características econômicas e políticas do desenvolvimento do transporte ferroviário, bem como sua contribuição para o desenvolvimento econômico do país.

Barreiras ao Progresso e o Atraso Industrial

Após a linha reformista europeia do despotismo esclarecido, uma série de fatores impediram o progresso esperado. A Espanha sofreu um atraso significativo, ficando para trás no desenvolvimento industrial europeu. O texto destaca as seguintes barreiras:

  • O impacto da Guerra da Independência.
  • As dificuldades das reformas liberais.
  • As barreiras naturais do ambiente.
  • Uma destrutiva Guerra Civil que consumiu grandes quantias de dinheiro.
  • A política de confiscos que distorceu o significado da reforma agrária.

A falta de fluidez na comunicação, finalmente, parou o que poderia ter sido um estímulo para ativar a revolução industrial com a ajuda de uma rede ferroviária eficiente.

A Intervenção Estatal e o Fracasso da Lógica Econômica

A Espanha iniciou a construção de sua rede ferroviária a partir dos anos cinquenta, concluindo seu núcleo em 1864. A velocidade exigiu um esforço financeiro considerável, e o Estado assumiu o projeto como uma prioridade, fornecendo subsídios generosos que cobriram boa parte dos gastos.

A lógica do governo era que, ao combater as deficiências naturais da comunicação e permitir a existência de um sistema de transporte mais barato e mais rápido, criaria uma maior demanda por produtos industriais, e este setor levaria a um maior crescimento. No entanto, isso não aconteceu devido a:

  • A falta de poder de compra da pobre população rural.
  • A falta de mercados urbanos nas rotas escolhidas.

Deficiências de Planeamento e Críticas Estruturais

A economia estatal foi prejudicada devido a vários fatores, entre os quais se destacam:

  • Isenção de Direitos de Importação: A lei que permitia às empresas de construção a isenção de direitos de importação para todos os materiais de construção da ferrovia, impedindo o desenvolvimento da indústria espanhola.
  • Financiamento Inadequado: Conforme citado no texto, houve um “financiamento inadequado” e uma “estrutura empresarial fraca”.
  • Caminho Especulativo: O texto fala de um “caminho especulativo”, onde nem sempre prevaleciam aspectos de rentabilidade mínima.
  • Bitola Larga: A largura entre os trilhos (bitola) impedia o comércio com o resto da Europa, o que é referido como um “planeamento deficiente”.

Uma vez que os benefícios eram escassos, o valor das ações ferroviárias despencou. Dois anos depois, em 1866, uma crise à escala europeia piorou ainda mais a situação na Espanha. Em 1873, a construção de uma nova fase de conclusão do traçado da rede foi paralisada.

Conclusão: A Crítica à Classe Política

O texto começa com uma pergunta central para o seu estudo: “Por que demorou tanto tempo para construir a ferrovia em um país que precisava tanto?” O país tinha muitos pontos econômicos que poderiam ter sido amortecidos com boas políticas de construção de uma rede de caminhos de ferro, o que teria ajudado a criar uma indústria forte e, consequentemente, a aumentar o poder econômico do Estado.

O autor critica a classe política da época como a causa direta por não aproveitar o momento, contando com a inércia para manter seus privilégios e demonstrando falta de iniciativa.

Também adverte sobre o quão prejudicial foi a queda do *boom* econômico provocado pela ferrovia e o desvio de todos os recursos do Estado para a sua construção, deixando outras áreas expostas.

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