Crônicas de Memórias: Reflexões sobre a Vida e o Amor
Reflexões sobre a Natureza e a Solidão
Interpreto um arbusto de saúde: ele estava seco, mas ainda retinha o calor do sol daquele dia de verão. O céu era de cetim, com uma estrela a titilar na mesma pedra. O orvalho caía suavemente, sem sequer um sopro de ar. A natureza parecia-me benigna e eu pensava que ela me amava; embora eu fosse um pária, se os homens não podiam oferecer mais do que insultos, rejeição e ressentimento, eu podia confiar no afeto filial da natureza. Naquela noite, pelo menos, seria seu protegido: como uma mãe, ela me acolhia sem cobrar nada. Eu ainda tinha um pedaço de pão, a crosta de um pão que comprara em uma cidade onde paramos para almoçar, com uma moeda de um centavo esquecida, o último dinheiro que me restava. Entre os arbustos, vi framboesas silvestres maduras, que brilhavam como pérolas de vidro.
O Amor em Movimento: Uma Noite em Barcelona
Nossas mãos se tocaram inadvertidamente enquanto caminhávamos para o carro. O ar da meia-noite era profundo e frutado; mostrávamos nosso carinho entre os poucos pedestres que cruzavam nosso caminho, incluindo um indigente que parou para nos ver e nos saudou com as pétalas de uma canção. Sentíamo-nos satisfeitos e transportados pelo prazer de reverter o que parecia imutável. Masae levou Barcelona com calma o tempo todo. Sentíamos a trilha sonora de um filme que seria mais típica de uma violação do que da paixão que nos inundava. E eu pensava — porque, no coração do êxtase, ainda nos perguntamos se há alguma música apropriada para o amor ou se a invocamos apenas quando somos dominados pela perda, quando retornamos ao passado através de uma melodia. Tudo parecia sublime enquanto percorríamos de sessenta a cem quilômetros por hora, tocando a coxa de Masae, enquanto as luzes deixavam para trás vestígios de túneis.
Desafios e Risos: O Festival Escolar
Chegando em junho, preparamos a festa anual. "Podemos introduzir o pensamento, Glória?", perguntamos com vergonha. Mireia estava tão iludida que continuamos testando até o dia em que Paco escolheu ver todas as tabelas e decidir a data do festival. Se costumávamos errar, naquele dia, na frente da classe, fomos ainda piores. Mireia rompeu em lágrimas de impotência enquanto estávamos sentados no chão; representávamos ginastas russas que ganhavam todas as medalhas, mas desmoronávamos como peças de dominó, umas sobre as outras, porque Mark tropeçou no colchão e perdemos o equilíbrio. A classe estava morrendo de rir, e Paco também. Jordi estava com medo, mas reconheceu que tinha sido fatal. Fomos consolar Mireia, que estava desfeita.
O Fim do Mundo e as Incertezas
Um dia, quando tudo prometia ser mais feliz, fomos informados de que o mundo estava prestes a terminar. Foi uma reviravolta grande, porque, apesar das advertências de várias doutrinas e do tom categórico de algumas profecias, ficamos surpresos. As reações foram de todos os tipos. Tia Madrona, por exemplo, estocou arroz e legumes, e André (nosso vizinho) matou o gato, dizendo que queria salvá-lo do sofrimento moral. Veio-me uma ansiedade terrível. Eu tinha que me casar dentro de duas semanas (a contar do primeiro aviso do desastre) e percebi que não teria tempo para nada. São as desvantagens de querer casar com uma moça muito educada e à moda antiga.