Cultura, Identidade e a Evolução das Universidades
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Conceito de Cultura e Aproximações
Harriot: “Cultura é o que resta depois de tudo se ter esquecido”. Hoje há muitas coisas que já não tenho presentes, mas já ouvi falar delas; ora, isso é o que resta. O que resta é o que nos fica registado, ainda que não sistematicamente. É uma definição no sentido do indivíduo culto, elitista, erudito, pois tem por base algo já aprendido.
Perspetiva Histórica
Sob o ponto de vista histórico, aplicado às sociedades humanas, a palavra “cultura” apareceu na 2ª metade do séc. XVIII, em língua alemã, e universalizou-se na 2ª metade do séc. XIX. O termo é polissémico, ambivalente e contraditório. Tal como o conceito de sociedade, a cultura é muito usada em Sociologia e por muitas ciências sociais (Antropologia), para designar as normas, valores e bens materiais caraterísticos de determinado grupo.
- Geertz: “Sistema de significação corrente/partilhado pelos indivíduos membros de uma mesma coletividade”.
- Compagnon: “Conceito opaco que balança entre o sentido humanista dos valores que formam o ideal de todos os homens civilizados e o sentido sociológico das tradições próprias a uma sociedade”.
- Eliot: “Simplesmente aquilo que torna a vida digna de ser vivida”.
Sentido Amplo e Identidade
No sentido amplo do termo, a cultura inclui os valores e sistemas de símbolos que servem de mediação às interações sociais: tradições culturais, mitos, literatura, humanidades, representações religiosas, crenças, modos de divertimento e formas artísticas (Michaud). A cultura está ligada à própria noção de identidade, influenciando de forma determinante a construção identitária e concorrendo para a mobilização (língua, etnia, religião).
O Conceito de Civilização
No séc. XVIII, distinguir os conceitos de cultura e civilização trazia alguma inquietação. Cultura é entendida como estando ligada aos progressos individuais, cabendo à civilização os progressos coletivos. Segundo Braudel, o conceito de civilização é definido tendo em conta a geografia, sociologia, economia e psicologia coletiva. As civilizações são:
- Espaços: Território próprio.
- Sociedades: Não há civilização sem sociedades que as encarnam.
- Economias: As condições materiais e biológicas pesam sobre o destino das civilizações.
- Mentalidades coletivas: A religião assume-se como o elemento mais forte.
Fases da Cultura
1ª Etapa: Da Grécia Antiga ao Século XVII
Os gregos foram os primeiros ocidentais a utilizar o termo. O grego era considerado um cidadão “culto”, individual, erudito e intelectual. Em Roma, o termo aparece com Horácio e Cícero. Na 1ª Revolução Cultural (Renascimento, séc. XVI), o culto democratiza-se e acrescenta-se a técnica.
2ª Etapa: Séculos XVIII e XIX
Caracterizada pelo “Iluminismo”, a compreensão de tudo o que nos rodeia através da razão. Em 1871, Edward Taylor cria o conceito evolucionista: “Cultura ou civilização, no sentido mais lato do termo, é esse complexo que compreende o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, o direito, os costumes e as outras capacidades ou hábitos adquiridos pelo homem enquanto membro da sociedade”.
3ª Etapa: Século XX - Relativismo Cultural
As culturas são relativas e autonomizadas. Não há uma cultura melhor que outra; todas têm a mesma validade. Franco Crespi destaca as dimensões subjetiva (valores) e objetiva (parte material) da cultura.
Instituição Escolar e Fundação das Universidades
Joaquim de Carvalho afirmou: “A escola constitui sempre um fator basilar da vida intelectual e social de um povo”. As escolas medievais dividiam-se em catedrais, paroquiais, capitulares e monacais. O ensino baseava-se no trivium (gramática, retórica, dialética) e quadrivium (aritmética, música, geometria, astronomia).
A Fundação da Universidade em Portugal
Em 1 de março de 1290, D. Dinis cria a universidade (Estudo Geral) em Lisboa. Em 1309, elabora a Magna Charta Privilegiorum, protegendo estudantes e famílias. A universidade oscilou entre Lisboa e Coimbra até se fixar definitivamente nesta última em 1537, por ordem de D. João III.