David Hume: Empirismo, Ceticismo e Teoria do Conhecimento

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Críticas de Hume

  • Não há certezas para a minha consciência enquanto pensamento permanente, uma vez que temos diferentes momentos de consciência. Esta crítica foca-se na ideia de cogito.
  • Deus tanto pode ser um ser existente ou não existente, uma vez que um ser perfeito não tem necessariamente que existir, nem nada obriga a que a existência seja uma perfeição.
  • Se Deus existe e nos dá o conhecimento certo, sem nos enganar, então como é possível que nós erremos, como erramos?
  • Não faz sentido usar Deus como fundamento para o conhecimento, uma vez que não temos provas.

Elementos e Modos de Conhecimento

  • Impressões: são as perceções que apresentam maior grau de força e vivacidade. Incluem as sensações, as emoções e as paixões. Podem ser simples ou complexas.
  • Ideias: são representações ou cópias das impressões, das quais derivam, podendo ser simples ou complexas.
  • Relações de ideias: um dos modos ou tipos de conhecimento segundo Hume. As relações de ideias são a priori, traduzindo-se em proposições necessárias, baseadas no princípio da contradição. Assumem estas características os conhecimentos da lógica e da matemática.
  • Questões de facto: um dos modos ou tipos de conhecimento segundo Hume. As questões de facto são a posteriori, visto serem justificadas pela experiência, traduzindo-se em proposições contingentes.

Relações de Ideias (A Priori)

  • Proposições verdadeiras, necessárias e evidentes, referentes à relação entre as ideias em causa.
  • Embora estas ideias não deixem de derivar da experiência, a relação entre elas é independente da experiência, não estando a sua verdade dependente do confronto com a mesma.
  • Baseiam-se no princípio da contradição, uma vez que negar essas ideias é emitir uma contradição.
  • Conhecimentos lógicos e matemáticos.

Questões de Facto (A Posteriori)

  • O valor de verdade destas proposições só pode ser verificado recorrendo à experiência.
  • Não é logicamente impossível afirmar o contrário de um facto.
  • Proposições contingentes.

Crítica de Hume à Indução

O raciocínio indutivo baseia-se no Princípio da Uniformidade da Natureza (o futuro assemelha-se ao passado e ao presente). No entanto, o Princípio da Uniformidade da Natureza baseia-se naquilo que ele próprio quer fundamentar: a Falácia da Petição de Princípio.

Confiança na Indução

  • Não tem um fundamento racional.
  • Não pode ser justificada só pela experiência.
  • É uma necessidade psicológica e de sobrevivência.
  • Baseia-se numa inclinação, num hábito, num costume, num instinto, numa expectativa.
  • A certeza de que o fogo queimará assenta apenas num fundamento psicológico que é o hábito ou o costume.
  • O hábito é um guia imprescindível da vida prática, mas não constitui um princípio racional.
  • O indivíduo tem necessidade de produzir um hábito e de acreditar numa causalidade de modo a conseguir planear as suas ações e a viver com tranquilidade.

Ceticismo Moderado ou Mitigado de Hume

  • Hume reconhece as limitações das nossas capacidades cognitivas e a nossa propensão para o erro.
  • Reconhece-se que a nossa capacidade de conhecer é limitada e que o nosso conhecimento é falível.
  • O nosso conhecimento sobre o mundo baseia-se na experiência, mas este não é suficiente para fornecer conhecimentos certos e necessários, sendo o nosso conhecimento meramente provável.
  • Apesar de não terem um fundamento racional suficiente, as nossas crenças na existência do mundo exterior, na causalidade e na uniformidade da natureza têm de ser mantidas para podermos viver e conhecer.
  • Temos de ter consciência de que essas crenças não são verdades necessárias, mas sim superstições.

O Problema do Mundo Exterior

  • Só podemos considerar real um hipotético mundo exterior se as coisas forem independentes das nossas impressões.
  • O problema está no facto de que não temos experiência, nem impressão de tal realidade exterior.
  • São a coerência e a constância de certas perceções que nos levam a acreditar que há coisas externas, dotadas de uma existência contínua e independente.

Críticas à Filosofia de David Hume

  • O ceticismo de Hume pode conduzir à descrença ou desconfiança relativamente à nossa capacidade de conhecer e pôr em causa a investigação e os progressos científicos.
  • Se abandonássemos a crença na realidade do mundo exterior e o princípio da causalidade (mesmo que este não tenha um valor objetivo), cairíamos numa hesitação constante e a vida prática tornar-se-ia insuportável.
  • A análise do conhecimento humano, nomeadamente da indução, centra-se mais em questões psicológicas do que na procura racional filosófica dos limites e condições dessas crenças.
  • A reflexão filosófica sobre a experiência e o conhecimento humano é também ela metafísica, estando fora da lógica e da matemática e ultrapassando as questões de facto e a própria experiência.

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