A Grande Depressão e a Ascensão dos Totalitarismos
Classificado em História
Escrito em em
português com um tamanho de 35,63 KB
O Crash de Wall Street e a Crise de 1929
Crash Bolchevique: Os norte-americanos acreditavam que o seu país atravessava uma crise de prosperidade. No entanto, havia indústrias que não tinham recuperado da anterior crise. O desemprego tecnológico aumentava e a agricultura, com produções excedentárias, originava preços baixos e queda de lucros. Os bancos, com uma política de facilitação do crédito, mantinham a aparência do poder de compra americano. Crentes na solidez da economia, muitos investiram na bolsa, onde crescia a especulação. Desde 21 de outubro que as ordens de venda das ações se acumulavam na bolsa. Os grandes acionistas estavam alarmados com a descida dos preços e dos lucros industriais que se fazia sentir. O pânico instalou-se a 24 de outubro, a "Quinta-Feira Negra", quando 13 milhões de títulos foram postos nos mercados a preços muito baixos e não encontravam comprador, o que significa que não havia dinheiro a circular. Esta catástrofe ficou conhecida como o Crash de Wall Street. Muitos acionistas ficaram na ruína, pois não havia ninguém que comprasse as suas ações, transformadas em papéis sem qualquer valor. Visto que a maior parte dos títulos tinha sido adquirida a crédito, a ruína dos acionistas foi também a ruína dos bancos, que deixaram de ser reembolsados. E com as falências dos bancos, a economia paralisou, pois cessou a grande base da prosperidade americana: o crédito. A retirada dos acionistas e as restrições do crédito levaram as empresas a falirem. O desemprego disparou, a procura afrouxou, a produção industrial contraiu-se e os preços baixaram. A diminuição do consumo e as dificuldades da indústria tiveram consequências nos campos; os preços agrícolas afundaram-se e famílias inteiras viviam na miséria: fábricas fechadas ou mantendo apenas os trabalhadores estritamente necessários, enquanto os salários tiveram cortes drásticos.
A Propagação Mundial da Grande Depressão
Objetivo 2: A Grande Depressão propagou-se às economias dependentes dos Estados Unidos, aos países fornecedores de matérias-primas e a todos aqueles cuja reconstrução se baseava nos créditos americanos. Neste último caso encontravam-se a Áustria e a Alemanha, onde a retirada dos capitais americanos originou uma situação económica e social absolutamente insustentável. Os anos 30 foram tempos de miséria e angústia. A conjuntura deflacionista, caracterizada pela diminuição do investimento e da produção, pela queda da procura e dos preços, parecia eternizar-se sem solução. Num ciclo vicioso, a diminuição do consumo acarretava a queda dos preços e da produção, as falências, o desemprego e, novamente, a diminuição do consumo. As autoridades políticas não compreenderam a real dimensão da crise e acentuaram a deflação com medidas desastrosas. Os Estados Unidos criaram dificuldades acrescidas aos outros países, que ficaram sem condições para adquirir a produção americana. A este facto não foi alheio o declínio do comércio mundial então verificado. Por outro lado, aumentaram-se os impostos, buscando receitas novas para o orçamento, e restringiu-se ainda mais o crédito para que desaparecessem as empresas não rentáveis. Na Alemanha, os funcionários públicos sofreram significativos cortes salariais. Pretendia-se o saneamento financeiro evitando despesas e aumentando as receitas, o que originava obstáculos ao investimento e à elevação do poder de compra da população. E sem procura não havia relançamento possível da economia. Instalada a descrença no capitalismo liberal, restou aos Estados em crise uma maior intervenção na regulação das atividades económicas.
Demoliberalismo vs. Totalitarismo
Objetivo 3: No mundo ocidental, o século XX despontou sob o signo do demoliberalismo. Direitos individuais, como a liberdade e a igualdade, eram garantidos por um Estado que se pretendia neutro e assentava na divisão de poderes. O homem e o cidadão ganhavam em dignidade e parcelas cada vez mais amplas da população estavam representadas na governação. A vitória dos Aliados na Primeira Guerra Mundial parecia inaugurar uma ordem internacional mais justa e mais fraterna, porque baseada no triunfo das nacionalidades e nos progressos da democracia. Com o passar dos anos 20, um novo sistema de exercício do poder confrontou o demoliberalismo. Movimentos ideológicos e políticos subordinaram o indivíduo a um Estado omnipotente, totalitário e esmagador. Na Rússia, o totalitarismo adquiriu uma feição revolucionária, nasceu da aplicação do Marxismo-Leninismo e culminou no Estalinismo. Já na Itália e, posteriormente, na Alemanha, o Estado totalitário foi produto do Fascismo e do Nazismo, revestindo um cariz mais conservador.
A Ideologia e o Estado Fascista
Objetivo 4: O Estado totalitário fascista define-se pela oposição firme ao liberalismo, à democracia parlamentar e ao socialismo. Enquanto o liberalismo e a democracia se afirmam defensores profundos dos direitos do indivíduo, o fascismo entende, pelo contrário, que acima do indivíduo está o interesse da coletividade, a grandeza da nação e a supremacia do Estado. A apologia do primado do Estado sobre o indivíduo leva o fascismo a desvalorizar a democracia partidária e o parlamentarismo, uma vez que este sistema governativo assenta no respeito pelas vontades individuais que se fazem ouvir diretamente nas eleições e através dos seus representantes nos parlamentos. O exercício do poder legislativo por assembleias é menosprezado pelo fascismo, que rejeita a teoria liberal da divisão dos poderes e faz depender a força do Estado do reforço do poder executivo. Para além do liberalismo e da democracia, também o socialismo merece ao fascismo a total reprovação. O socialismo não se distingue por respeitar as vontades individuais. Segundo este sistema, o indivíduo é a expressão da classe social em que está inserido, com ela se identifica e por ela luta. Para o fascismo, a luta de classes é algo de abominável porque divide a nação e enfraquece o Estado; por isso, o fascismo concebeu na Itália um modelo peculiar de organização socioeconómica, o corporativismo, destinado a promover a colaboração entre as classes.
O Culto do Chefe e as Elites Totalitárias
Objetivo 5: O culto do chefe no totalitarismo fascista e a defesa das elites: Após a Primeira Guerra Mundial, a desorganização socioeconómica foi aproveitada pela ideologia fascista para impor no poder novas elites. Ao contrário do demoliberalismo, que acredita na igualdade entre os homens e defende o respetivo acesso à governação (elegendo ou sendo eleito), o fascismo parte do princípio de que os homens não são iguais, a desigualdade é útil e fecunda e o governo só aos melhores, às elites, deve competir. A destruição da ideia de representatividade popular fez com que o poder emergisse das organizações fascistas: as elites eram compostas pelos membros do partido fascista, ligados à milícia e ao exército e considerados de raça superior. Numa sociedade profundamente hierarquizada e rígida, as elites mereciam o elevado respeito das massas. Cabia-lhes veicular a ideologia dominante, assegurar o cumprimento estrito da ordem, manter a Nação submissa. A chefiá-las estava um homem elevado à categoria de herói, apresentado como um ser providencial (trazido pelo destino) capaz de resolver todos os problemas. Simbolizava o Estado totalitário, encarnava a Nação e guiava os seus destinos. A ideia de representatividade popular foi substituída pela ideia do governo dos "melhores", uma aristocracia liderada pelo chefe incontestado a quem todos tinham de prestar adoração e seguir sem hesitação: na Itália, Benito Mussolini era, assim, designado por "Il Duce" e, na Alemanha, Hitler era "Der Führer" (expressões que significam "o chefe").
Enquadramento das Massas e Organizações Fascistas
Objetivo 6: Ao contrário do demoliberalismo, que acreditava na igualdade entre os homens e defende o respetivo acesso à governação, o fascismo parte do princípio de que os homens não são iguais, a desigualdade é útil e fecunda e o governo às elites deve competir. Desconfiando das escolhas baseadas no sufrágio universal, que atribuem o mesmo valor ao voto de qualquer indivíduo, Hitler chegou mesmo a afirmar existirem mais probabilidades de fazer passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que descobrir um grande homem por meio de uma eleição. Espécie de super-homens, os chefes (Duce na Itália fascista, Führer na Alemanha nazi) foram promovidos à categoria de heróis. Simbolizavam o Estado totalitário, encarnavam a nação e guiavam os seus destinos. Mas as elites não incluíam apenas os chefes. Delas faziam parte a raça dominante, em geral os homens. A arregimentação de italianos e alemães prosseguia na idade adulta, deles se esperando a total adesão e a identificação com o fascismo. Contava-se para o efeito com diversas organizações de enquadramento das massas:
- O partido único e as milícias, cuja filiação se tornava indispensável para o desempenho das funções públicas e militares e de cargos de responsabilidade.
- A Frente do Trabalho Nacional-Socialista e as corporações italianas, que forneciam aos trabalhadores condições favoráveis na obtenção de emprego.
- A Dopolavoro na Itália e a Kraft durch Freude na Alemanha, associações destinadas a ocupar os tempos livres dos trabalhadores com atividades recreativas e culturais que não os afastassem da ideologia fascista.
Repressão e Violência nos Estados Totalitários
Objetivo 7: A repressão policial e a violência exercida pelas milícias armadas e pela polícia tornaram-se decisivas para garantir o controlo da sociedade e a sobrevivência do totalitarismo. Na Itália, ainda Mussolini não conquistara o poder e já os esquadristas semeavam o pânico com as suas expedições punitivas. Incendiavam e pilhavam os sindicatos e as organizações de esquerda, cujos dirigentes abatiam ou, na melhor das hipóteses, espancavam. Em 1921-1923, o Partido Nacional-Socialista criou secções de assalto e de segurança, milícias temidas pela brutalidade das suas ações, em que os espancamentos e a tortura eram procedimento corrente. Com a vitória do nazismo em 1933, o Estado policial atingiu o mais elevado rigor. As milícias e a polícia política exerceram um controlo apertado sobre a população e a opinião pública. A todos envolviam numa atmosfera de suspeita e de denúncia generalizadas. Incentivavam a vigilância mútua, indo ao ponto de mentalizar as crianças para apresentarem queixa dos pais que contrariassem as disposições nazis. A criação dos primeiros campos de concentração em 1933 completou o dispositivo repressivo do nazismo.
O Racismo Nazi e o Horror do Holocausto
Objetivo 8: O desrespeito do nazismo pelos direitos humanos atingiu os cumes do horror com a violência do seu racismo. Fazendo uma apropriação incorreta do evolucionismo de Darwin, Hitler concebia a História como uma luta pela sobrevivência da cultura, uma luta de raças entre os povos fundadores, transmissores e destruidores de cultura. Para Hitler, os povos superiores eram arianos, que tinham nos alemães os seus mais puros representantes. Obcecados com o apuramento físico e mental da raça ariana, os nazis promoveram o eugenismo, aplicando as leis da genética na reprodução humana. Uma autêntica "seleção" de alemães (altos e robustos, louros e de olhos azuis) se esperava de casamentos entre membros das S.S. e jovens mulheres, todos eles portadores de "superiores" qualidades raciais. Ao mesmo tempo que se fomentava a natalidade entre os arianos, procedia-se à eliminação dos alemães "degenerados" (deficientes mentais, doentes incuráveis e velhos incapacitados), remetidos para as câmaras de gás em centros de eutanásia. Afirmava-se com crueldade que nenhum alemão podia envergonhar a excelência da sua raça e muito menos consumir os dinheiros da nação sem nada lhe dar em troca. Aos alemães competiria fatalmente o domínio do mundo, se necessário à custa da submissão ou eliminação dos povos inferiores (judeus, ciganos e eslavos). Considerados por Hitler um povo "destruidor de cultura", sofreram na pele uma das maiores humilhações e torturas de que há memória na história da humanidade. Em 1933, começou a primeira vaga de perseguições antissemitas: boicotaram-se as lojas de judeus, interditou-se o funcionalismo público e as profissões liberais aos não arianos. O segundo movimento antijudaico iniciou-se em 1935 com a adoção das Leis de Nuremberga: os alemães de origem judaica foram privados da nacionalidade, o casamento e as relações sexuais entre arianos e judeus foram proibidos, punindo-se com severidade os infratores. O segregacionismo foi levado a pontos extremos: os judeus deixaram de poder exercer qualquer profissão e de frequentar lugares públicos, passando a ser identificados pelo uso obrigatório e vexatório da estrela amarela. A fase mais cruel do antissemitismo chegou com a Segunda Guerra Mundial. Os nazis puseram em prática um meticuloso plano de destruição do povo judaico, que se veio a saldar no genocídio de quase 6 milhões de judeus, designado por "Solução Final do problema judaico". Perseguidos nas ruas, aprisionados nas suas casas e encurralados em guetos onde passaram as maiores provações, os judeus acabaram deportados para campos de concentração. Campos de morte foi no que se tornaram, pelas carências alimentares e de higiene, pelas doenças, pela brutalidade dos trabalhos forçados, pelas execuções sumárias e pelos massacres nas câmaras de gás. Nos campos de concentração terminavam os seus dias milhões de judeus, mas também muitos ciganos e eslavos, cujo único crime foi o de não terem nascido arianos.
Autarcia e Recuperação Económica no Fascismo
Objetivo 9: A recuperação da economia preocupou os regimes de Itália e da Alemanha, que sofreram de uma forma contundente a crise do pós-guerra e depois os efeitos da Grande Depressão. Em ambos os países se adotou uma política económica intervencionista e nacionalista que ficou conhecida pelo nome de autarcia. Propôs-se a autossuficiência económica, apelou-se ao heroísmo e ao empenho do povo trabalhador, prometeu-se o fim do desemprego e a glória da nação. Na Itália, o Estado fascista reforçou a intervenção na economia. O enquadramento das atividades em corporações facilitou a planificação económica no que respeita à aquisição de matérias-primas, ao volume de produção, ao tabelamento de preços e salários. Realizaram-se grandes "batalhas" de produção. A Batalha da Lira procurava a estabilização da moeda. A Batalha do Trigo aumentou a produção de cereais e fez diminuir as elevadas importações que agravavam o défice comercial. A Batalha de Bonificação conseguiu a recuperação de terras e a criação de novas povoações nas zonas pantanosas a sul de Roma. O comércio foi alvo de um rigoroso enquadramento por parte do Estado, que subiu os direitos alfandegários e controlou o volume das importações e das exportações. A criação do Instituto Imobiliário Itálico e do Instituto para a Reconstrução Industrial permitiu ao Estado financiar as empresas em dificuldades e intervir fortemente no setor industrial em pé de igualdade com os grandes grupos capitalistas. Este dirigismo económico do Estado fascista atingiu a sua plenitude quando a Itália se lançou na aventura colonial da conquista da Etiópia, que lhe permitiu a exploração de fontes de energia e minérios e a criação de produtos de síntese química, como a borracha artificial. Na Alemanha, com promessas de pão e trabalho, Hitler chegou ao poder. Uma política de grandes trabalhos na construção de autoestradas, aeródromos, pontes e linhas férreas permitiu reabsorver o desemprego. O Estado reforçou a autarcia e o dirigismo económico. Fixaram-se os preços. Em cereais, açúcar e manteiga, a Alemanha tornou-se autossuficiente. O vasto programa de rearmamento permitiu que a indústria alemã se elevasse ao segundo lugar mundial nos setores de siderurgia, química, eletricidade, mecânica e aeronáutica. As realizações económicas do nazismo e a quase eliminação do desemprego renderam-lhe a adesão das massas e a admiração até de países ocidentais. O poderio militar seria posto ao serviço da conquista do "espaço vital" prometido por Hitler.
A URSS de Estaline: Coletivização e Planificação
Objetivo 10: Vítima de doença cerebral, Lenine falece em 1924. O problema delicado da sua sucessão originou acesas disputas no seio do Partido Comunista. Estaline acabou por levar a melhor tanto sobre a fação esquerdista liderada por Trotsky como sobre a ala direita. Estaline foi chefe incontestado da União Soviética. Empenhou-se na construção da sociedade socialista e na transformação da Rússia em potência mundial. Conseguiu-o através da coletivização dos campos, da planificação económica e do totalitarismo repressivo do Estado. A coletivização dos campos avançou a um ritmo acelerado. Considerava-se ser imprescindível ao avanço da indústria, uma vez que libertaria mão de obra para as fábricas e fornecia alimentos para os operários. O movimento foi empreendido com brutalidade contra os kulaks, a quem foram confiscados terras e gados. Três milhões de camponeses denunciados como kulaks sofreram a execução ou a deportação para a Sibéria. As novas quintas coletivas correspondiam às antigas aldeias, devendo as famílias camponesas entregar as suas terras e instrumentos à coletividade. Uma parte da produção ficava para o Estado e a restante era distribuída pelos camponeses de acordo com o trabalho efetuado. O Partido Comunista criou estações de máquinas e tratores. Assim se assegurava o controlo político dos campos. A produção industrial desenvolveu-se sob o signo da planificação. Ao contrário do capitalismo liberal, o Estado soviético estabeleceu metas para a economia. O 1º Plano Quinquenal visou o incremento da indústria pesada e levou ao quase desaparecimento do setor privado da indústria soviética. Promoveu investimentos maciços, recorreu a técnicos estrangeiros, apostou na formação de especialistas e engenheiros. Um conjunto de medidas coercivas contribuiu para fixar os operários e aumentar a produtividade. O 2º Plano Quinquenal incidiu no setor da indústria ligeira e dos bens de consumo, cujos resultados foram considerados honrosos. No 3º Plano, as suas prioridades foram as indústrias pesada, hidroelétrica e química. A Segunda Guerra Mundial interrompeu-o. Já a URSS era a 3ª potência mundial, atrás dos EUA e da Alemanha.
O New Deal e a Recuperação Americana
Objetivo 11: Em 1932, nos EUA, quando Franklin Roosevelt é eleito, aproveita a teoria de Keynes. Deste modo, pôs em prática um conjunto de medidas que ficaram conhecidas pelo New Deal:
- 1ª Fase (1933-1934): estabeleceu como metas o relançamento da economia e a luta contra o desemprego e a miséria. Para acabar com o desemprego, instaura uma política de grandes trabalhos (construção de escolas, aeroportos, estradas, etc.) e toma medidas financeiras rigorosas, como o encerramento dos bancos e o abandono do padrão-ouro (o dólar deixa de ter equivalência ao ouro e é desvalorizado para diminuir a dívida externa), levando à subida dos preços mediante uma inflação controlada, que aumentou os lucros das empresas. Em relação à agricultura, os camponeses vão ser obrigados a reduzir a área de cultivo e vão receber indemnizações, sendo que, por esta redução, o Estado vai-lhes fornecer juros bonificados. Vai ainda conceder 500 milhões de dólares para os mais pobres, cria campos de trabalho para os jovens desempregados e intervém também a nível da indústria, determinando o quanto se pode produzir (quotas), estipula o preço máximo e mínimo dos produtos (evitando a concorrência) e declara um salário mínimo para os trabalhadores e liberdade sindical.
- 2ª Fase (1935-1938): tem um caráter essencialmente social, dado que vai determinar subsídios de desemprego, pensões de invalidez e salário mínimo. O Estado assume na plenitude os ideais do Estado-Providência, isto é, do Estado intervencionista que promove a segurança social de modo a garantir a felicidade, o bem-estar e o aumento do poder de compra dos seus cidadãos.
As Frentes Populares e a Resistência Democrática
Objetivo 12: O intervencionismo do Estado permitiu às democracias liberais, como a americana, resistirem à crise económica e recuperarem a credibilidade política. Assim, surgiram as frentes populares: coligações de esquerda. A primeira Frente Popular foi instalada em Espanha, em 1936.
Em Espanha: Em fevereiro de 1936, ganha uma coligação de esquerda (socialistas, anarquistas e sindicatos operários) que vai laicizar a Espanha (separação Igreja/Estado), aumentar os salários, permitir o direito à greve e permitir que os camponeses ocupem terras abandonadas. Como reação a isto, as forças conservadoras lideradas pelo General Franco vão-se opor aos republicanos, desencadeando a Guerra Civil de Espanha (1936-1939).
Em França: Em 1932, havia um número elevado de desempregados, aliado à dificuldade de construção, fazendo com que o Governo cessasse funções. Para evitar a tomada pelos fascistas, foi necessária uma coligação de comunistas, socialistas e radicais, que se candidatam e vencem em maio de 1936. O Governo é presidido pelo socialista Léon Blum e os comunistas não entram no regime. Após a tomada de posse do Governo, deu-se um movimento grevista que paralisou essencialmente a indústria automóvel. Inquietos com a ocupação das fábricas, os patrões denunciaram prontamente a ameaça bolchevista, e o Governo interveio na mediação do conflito, resultando nos "Acordos de Matignon", celebrados a 7 de junho, que tinham como novas medidas:
- Direito à greve;
- Aumento do salário e diminuição das horas de trabalho para 40;
- Quinze dias de férias pagas por ano;
- Contratos coletivos;
- Escolaridade obrigatória até aos 14 anos;
- Incremento de desportos em massa, do cinema e teatro populares;
- Controlo exercido pelo Estado no Banco de França, nacionalização das fábricas de armamento e regularização da produção e do preço dos cereais.
No entanto, esta coligação só durou até 1938, devido à oposição de grandes empresários e pelo próprio fracasso da política económica de Blum.
A Emergência da Cultura de Massas
Objetivo 13: Cultura de massas: É nos meios urbanos que, no início do século XX, emerge a cultura de massas, uma cultura comum à maioria da população cujos gostos se uniformizam, orientando-se para o consumo maciço dos mesmos bens culturais. Dois fatores que contribuíram para esta homogeneização cultural são a generalização do ensino e o desenvolvimento dos meios de comunicação de massas — os media — que, transformados numa poderosa indústria, moldaram a cultura do século XX.
A imprensa, a rádio e o cinema foram os mais importantes meios de comunicação da primeira metade do século XX. Proporcionaram ao cidadão comum a evasão da rotina diária. Transmitiram valores e modos de estar que se impuseram como padrões culturais. A imprensa de massas utiliza um vocabulário simples e atrativo, feito de frases curtas e diálogos vivos e informais. Desenvolvem-se novos géneros literários e também o jornal de grande tiragem. Para atrair o leitor, os jornais recheiam-se de histórias de guerra e crime, títulos bombásticos ilustrados com uma profusão de fotografias. Em breve, estes artigos ganham destaque e protagonizam as edições de domingo. A par dos jornais, proliferam as revistas com as temáticas mais diversas e instalam-se na rotina dos leitores da classe média. A rádio torna-se, entre as duas guerras, o mais popular dos meios de comunicação, com o início das emissões regulares que põem o homem instantaneamente em contacto com o universo. A rádio tornou-se um importante meio de difusão cultural. Estimula gostos e consumos, contribuindo para esbater as diferenças de pronúncia e vocabulário entre regiões e classes sociais. Esta abrangência da rádio transformou-a num veículo privilegiado de propaganda política. O cinema rapidamente se universaliza; este adquire uma dimensão muito mais próxima da realidade e cultiva outros géneros, com destaque para o musical. Qualquer que fosse o seu género, o filme conduzia o espectador a uma outra dimensão. De todos os mass media, o cinema foi também o que mais contribuiu para a difusão de modelos socioculturais e a consequente estandardização de comportamentos.
Objetivo 14:
Literatura e Arte: O Compromisso Social
Objetivo 15: Em meados dos anos 20, já se fazia sentir um certo cansaço relativamente às audácias da arte e da literatura modernas. Acusavam-nas de uma ânsia de originalidade a qualquer preço, de se lançarem em pesquisas excessivamente especializadas e de se tornarem incompatíveis para o grande público, não contribuindo, por isso, para a vida da coletividade. Numa Europa marcada ainda pelas dificuldades do pós-guerra e com os olhos postos na Revolução Soviética, cresceu o sentimento de que a literatura e a arte não possuíam um valor puramente estético, mas tinham também uma missão social a cumprir. A profunda crise económica desencadeada em 1929 veio avolumar este sentimento. Entre as duas guerras, a literatura tomou uma feição combativa e socialmente empenhada. Critica-se a sociedade que produziu a carnificina e que, no entanto, lhe sobreviveu: os seus vícios, a sua podridão moral, a sua hipocrisia. Os protagonistas deixam de ser personagens singulares e tornam-se tipos sociais. No romance, na poesia ou no teatro, este tipo de literatura ganhou um lugar cimeiro. Entre os seus muitos e excelentes cultores, podemos destacar o alemão Bertolt Brecht (1899-1956), o inglês Aldous Huxley (1894-1963) e o francês André Malraux (1901-1976).
Poeta e um dos maiores dramaturgos do seu tempo, Bertolt Brecht tem como fim primeiro provocar o leitor e forçá-lo a participar criticamente na obra. Segundo Brecht, o teatro tradicional (bem como a literatura em geral) deixava o público à mercê da ação dramática, forçando-o a uma identificação com as personagens que o fazia viver as suas desgraças, paixões e triunfos. Ao contrário, Bertolt Brecht propõe-se despertar no público a surpresa e a perplexidade para que este se sinta compelido a debater e a questionar o sentido da peça literária. Aldous Huxley publica, em 1932, a mais célebre das suas obras — Admirável Mundo Novo —, na qual, sob a forma de ficção científica, denuncia a civilização industrial, mecanizada, onde se perderam os valores humanos fundamentais. A literatura de contestação social identificou-se, muitas vezes, com os ideais marxistas, dando origem a obras de acentuado cariz sociopolítico. É o caso de A Condição Humana, de André Malraux (1933), cuja ação decorre na China e relata a repressão brutal de uma insurreição comunista. Esta literatura ideologicamente empenhada, que foi comum a uma geração de escritores como André Breton, André Gide ou Paul Éluard, mereceu ainda a Malraux obras como O Tempo do Desprezo (1935), onde, em traços apocalípticos, descreve as prisões hitlerianas, e A Esperança (1937), dedicada à luta antifranquista na Guerra de Espanha. O retorno da literatura a fórmulas neorrealistas teve também grande expressão nos Estados Unidos, onde a miséria resultante da Grande Depressão sensibilizou os escritores para as questões sociais. Ernest Hemingway (1899-1961), John dos Passos (1896-1970) e John Steinbeck, entre outros, retratam o mundo desencantado do capitalismo, que acusam de fomentar a guerra, a desumanização e as injustiças sociais.
Objetivo 16:
Objetivo 17:
Portugal: Da Ditadura Militar ao Estado Novo
Objetivo 18: Da ditadura militar ao Estado Novo: a 28 de maio de 1926, um golpe de Estado promovido pelos militares pôs fim à 1ª República parlamentar portuguesa. O pronunciamento marcaria a integração do nosso país na esfera dos regimes ditatoriais. Por uma conjunção especial de fatores, a democracia só voltou a Portugal decorridos quase 50 anos. Instalou-se uma ditadura militar que se manteve até 1933. Esta também fracassou nos seus propósitos de regenerar a pátria e devolver-lhe a estabilidade. Desentendimentos entre os militares provocaram uma sucessiva mudança de chefes do executivo. A impreparação técnica dos chefes da ditadura resultou no agravamento do défice orçamental e a adesão entusiástica dos primeiros tempos esmoreceu. Em 1928, a ditadura recebeu um novo alento com a entrada no governo de um professor de economia da Universidade de Coimbra. Chamava-se António de Oliveira Salazar e sobraçou a pasta das Finanças com a condição, por si expressa, de superintender nas despesas de todos os ministérios. Com Salazar nas Finanças, o país apresentou saldo positivo no orçamento. Este sucesso financeiro, logo qualificado de "milagre", conferiu prestígio ao novo estadista e explica a sua nomeação para a chefia do governo num ministério civil. Este tinha o propósito de instaurar uma nova ordem política, empenhando-se na criação das necessárias estruturas institucionais. Ainda em 1930, lançaram-se as bases orgânicas da União Nacional e promulgou-se o Ato Colonial. Em 1933, foi a vez da publicação do Estatuto do Trabalho Nacional e da Constituição de 1933, submetida a plebiscito nacional. Ficou assim consagrado um sistema governativo conhecido por Estado Novo, tutelado por Salazar, do qual sobressaíram o forte autoritarismo do Estado e o condicionamento das liberdades individuais aos interesses da nação. Salazar repudiou o liberalismo, a democracia e o parlamentarismo, e proclamou o caráter autoritário, corporativo, conservador e nacionalista do Estado Novo. Embora Salazar condenasse o caráter violento e pagão dos totalitarismos fascistas italiano e alemão, o Estado Novo não deixou de abraçar um projeto totalizante para a sociedade portuguesa. A concretização do seu ideário socorreu-se de fórmulas e estruturas político-institucionais decalcadas dos modelos fascistas, particularmente do italiano.
O Conservadorismo e o Nacionalismo de Salazar
Objetivo 19: Conservadorismo e tradição: Salazar foi uma personalidade extremamente conservadora. Grande ativista enquanto estudante, sempre repudiou os exageros republicanos, mantendo um amigável convívio com monárquicos e com adeptos do integralismo lusitano. Essa faceta de Salazar repercutiu-se no sistema político que liderou. O Estado Novo distinguiu-se entre os demais fascismos pelo seu caráter conservador e tradicionalista. Repousou em valores e conceitos morais que jamais alguém deveria questionar. Respeitou as tradições nacionais e promoveu a defesa de tudo o que fosse genuinamente português. Criticou-se a sociedade urbana e industrial e enalteceu-se o mundo rural. Protegeu-se a religião católica e reduziu-se a mulher a um papel passivo do ponto de vista económico, social, político e cultural.
Nacionalismo: O Estado Novo perfilhou um nacionalismo exacerbado. Erigiu em desígnio supremo da sua atuação o bem da nação, expresso no slogan “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”. Fez dos portugueses um povo de heróis, dotado de qualidades civilizacionais ímpares, de que eram testemunhas a grandeza da sua história, a ação evangelizadora e a integração racial levadas a cabo no império colonial. Para o Estado Novo, Portugal e os portugueses não primavam só pela superioridade do seu passado histórico, mas pela diferença que imprimiam às suas instituições. Salazar gostava de se demarcar do cariz agressivo e violento das experiências totalitárias europeias. Repugnava-lhe a sobranceria sobre-humana que rodeava os seus chefes e as suas manifestações de massas. Salazar via em tais demonstrações um paganismo contrário aos princípios da moral cristã e às tradições nacionais de que o Estado Novo se dizia defensor.
Corporativismo: O Estado Novo português mostrou-se empenhado na unidade da nação e no fortalecimento do Estado. Negou o divisionismo fomentado pela luta de classes marxista, propondo o corporativismo.
A Política de Austeridade e o Equilíbrio Financeiro
Objetivo 20: A estabilidade financeira converteu-se na prioridade de Oliveira Salazar e do Estado Novo. Sabemos já das condições rigorosas colocadas pelo então professor universitário quando assumiu, em 27 de abril de 1928, o cargo de ministro das Finanças. No que respeitou a gastos públicos, os diversos ministérios foram submetidos a um apertado controlo por parte de Salazar. Sob o lema de diminuir as despesas e de aumentar as receitas, Salazar conseguiu, nos anos seguintes, o tão desejado equilíbrio orçamental. Administraram-se melhor os dinheiros públicos e criaram-se novos impostos: o imposto complementar sobre o rendimento; o imposto profissional sobre os salários e os rendimentos das profissões liberais; o imposto de salvação pública sobre os funcionários públicos; a taxa de salvação nacional sobre o consumo de açúcares, gasolina e óleos minerais leves. Aumentaram-se, também, as tarifas alfandegárias sobre as importações, o que se relacionou com a redução das dependências externas ditada pelo regime de autarcia. A neutralidade adotada pelo país na Segunda Guerra Mundial mostrou-se favorável à manutenção do equilíbrio financeiro. Poupou-se nas despesas com armamento e defesa do território. Criaram-se mais receitas com as exportações, como foi o caso do volfrâmio. As reservas de ouro atingiram um nível significativo, permitindo a estabilidade monetária. Apelidada de “milagre”, a estabilidade financeira granjeou ao Estado Novo uma imagem de credibilidade e de competência governativa. O êxito tinha tanta ou mais relevância quanto a 1ª República terminara os seus dias com as contas públicas desequilibradas e o mundo vivia, nos anos 30, os terríveis efeitos da Grande Depressão. Mas, embora a propaganda se esforçasse por enaltecer a obra meritória de Salazar, não faltaram as críticas nem os detratores da sua política de austeridade. Censuraram-lhe os extremos sacrifícios pedidos, a elevada carga de impostos, a supressão das liberdades e até o critério duvidoso (e rejeitado pela Sociedade das Nações) de incluir nas receitas extraordinárias os empréstimos contraídos.