Descartes e Bacon: Os Pilares da Filosofia Moderna
Descartes
René Descartes aprendeu filosofia pelo método escolástico. Apesar de ser católico, percebeu a diferença entre aquele ensino antigo e o espírito renascentista, baseado nas últimas descobertas e inovações científicas e culturais.
Descartes tinha um projeto filosófico. Ligado à matemática, queria associar as leis numéricas com as leis do mundo, resgatando a antiga doutrina pitagórica. Sua principal teoria afirmava a eficácia da razão. Ele buscava refletir sobre a autonomia da ciência e a objetividade da razão frente ao divino.
Através de sua obra Discurso do Método, foi considerado o fundador da filosofia moderna. Para chegar à verdade, Descartes concluiu: "Penso, logo existo" (em latim: Cogito, ergo sum).
Por pensamento, Descartes considera tudo o que é de fato e do qual nos tornamos conscientes. São pensamentos todas as operações intelectuais, da imaginação e da vontade.
Bacon
O objetivo do método baconiano é constituir uma nova maneira de estudar os fenômenos naturais. Para Bacon, a descoberta de fatos verdadeiros não depende do raciocínio silogístico aristotélico, mas sim da observação e da experimentação regulada pelo raciocínio indutivo.
O conhecimento verdadeiro é resultado da concordância e da variação dos fenômenos. Para isso, deve-se descrever pormenorizadamente os fatos observados e confrontá-los com três tábuas que disciplinam o método:
- Tábua da presença: registro de presenças das formas investigadas.
- Tábua da ausência: controle de situações onde as formas estão ausentes.
- Tábua da comparação: registro das variações das formas.
Com isso, elimina-se causas que não se relacionam ao fenômeno. Bacon distingue a experiência vaga da experiência escriturada (observação metódica e verificável). Embora a indução fosse conhecida, é com Bacon que ela ganha eficácia.
O método possui duas falhas: Bacon subestima a importância da hipótese e não prevê a relevância da dedução matemática. Seu pensamento representa a Instauratio magna (Grande Restauração), uma reforma completa do conhecimento para superar Aristóteles. Bacon é considerado o fundador da ciência moderna.