Descartes e o Racionalismo: A Fundação da Filosofia Moderna
Classificado em Filosofia e Ética
Escrito em em
português com um tamanho de 3,4 KB
Descartes e o Racionalismo
Uma das conquistas centrais do racionalismo do século XVII é a criação de sua própria esfera da razão e do seu método. A razão humana, analítica e metódica, é capaz de compreender o mundo para transformá-lo; assim, todo pensamento é uma ação para transformar a realidade. A modernidade pretende mudar tudo em relação ao passado, separando-se de qualquer entidade e fundando-se em princípios racionais de autoconhecimento. A ciência moderna é aquela que responde a esta necessidade.
O tema central é o pensar, além do estudo do homem e da natureza. Inicia-se uma nova maneira de pensar que divide a história da filosofia, quando o que estava estabelecido começa a desmoronar e seus pressupostos epistemológicos deixam de convencer; o problema do conhecimento torna-se o personagem principal. Com Descartes, a filosofia moderna tem a tarefa de repensar, a partir do início, a construção da episteme.
O saber agora depende do vínculo entre a compreensão e o mundo, mas também das condições do conhecedor. A ciência será considerada a empresa mais racional criada pelo homem que procura a verdade e o conhecimento absoluto. A primeira coisa a fazer é distinguir entre o que as coisas são em si mesmas e como as representamos ou imaginamos, perguntando-se se conhecemos a verdadeira essência das coisas. Aqui, a matemática adquire um valor fundamental, chegando-se a pensar que a natureza pode ser transcrita pela linguagem matemática.
Descartes é considerado o fundador do racionalismo. Suas principais características são:
- Plena confiança na razão humana: Por si só, ela pode levar o homem a conhecer a verdade, em oposição aos sentidos, à imaginação e à paixão, embora não necessariamente oposta à fé. Seu poder reside na capacidade de tomar as verdades por si mesmas e basear-se em ideias inatas, a partir das quais, por dedução, pode-se obter todas as outras. Pode-se construir uma cadeia dedutiva do sistema mundial; a razão é uma faculdade sistemática e coerente com a realidade, como acontecia em Parmênides, quando ele unia o pensar e o ser. O motivo é aceito sem críticas anteriores; é uma razão dogmática, algo que será denunciado por Kant.
- Encontrar um novo método: O próximo passo, após reconhecer o valor da razão, é encontrar um método adequado de raciocínio, ao contrário da dispersão do início do Renascimento. O modelo é o método de descoberta matemática, que visa prosseguir com as provas e a necessidade da matemática. Não se trata de uma discussão sobre a intuição, mas na intuição em si e em como alcançá-la para evitar a incerteza e o erro. Portanto, Descartes pretende levar a cabo a construção de uma filosofia firme, segura, duradoura e verdadeira.
A história da filosofia apresenta-se como uma sucessão infinita de pontos de vista. A partir da divisão feita por Aristóteles dos poderes da alma (sentidos externos, senso comum, compreensão, memória e imaginação), explica-se como os homens podem atingir o objetivo. Todos os poderes, exceto a compreensão, operam em virtude do corpo e da alma, de modo que a causa do erro provém dos sentidos e da imaginação. Assim, ignora-se a experiência como ponto de partida; purificada e livre dos sentidos, defende-se o uso da razão pura: parte-se da ideia para chegar à realidade da coisa.