Desenvolvimento Embrionário: 2ª a 4ª Semana
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Segunda Semana do Desenvolvimento Embrionário
Na 2ª semana, ocorrem eventos cruciais como a formação da cavidade amniótica, do saco vitelino primário, do disco embrionário bilaminar (composto por epiblasto e hipoblasto), a conclusão da implantação, o estabelecimento da circulação útero-placentária primitiva e a formação da placa pré-cordal.
- Formação da Cavidade Amniótica: Com a implantação do blastocisto no endométrio, surge um espaço no embrioblasto, entre as células do epiblasto, denominado cavidade amniótica, que é revestido pelo âmnio.
- Formação do Saco Vitelino Primitivo: O saco vitelino primário origina-se do hipoblasto e é revestido pela membrana de Heuser. Entre essa cavidade e o citotrofoblasto, surge o mesoderma extra-embrionário.
- Formação do Disco Embrionário Bilaminar: O epiblasto (que forma o assoalho da cavidade amniótica) e o hipoblasto (do saco vitelino primitivo) constituem o disco embrionário, responsável por originar os tecidos e órgãos do embrião.
- Conclusão da Implantação: O sinciciotrofoblasto invade o tecido endometrial, promovendo a erosão de vasos e glândulas e formando espaços lacunares que realizam a nutrição do embrião por difusão.
- Circulação Útero-Placentária Primitiva: Ocorre a diferenciação no mesoderma que reveste o saco vitelino.
- Formação do Saco Coriônico: As células que revestem o retículo extra-embrionário formam cavidades preenchidas por fluido que, posteriormente, se fundem para constituir a cavidade coriônica.
- Formação da Placa Pré-cordal.
Terceira Semana: Gastrulação e Neurulação
Na 3ª semana, o principal evento é a gastrulação (conversão do disco bilaminar em trilaminar) com a formação da linha primitiva. Esse processo direciona a migração e a proliferação das células do epiblasto para formar as novas camadas germinativas. Enquanto a linha primitiva sofre alongamento pela adição de células na sua extremidade caudal, a extremidade cranial se prolifera e forma o nó primitivo, ambos resultantes da invaginação das células epiblásticas. A diferenciação das três camadas germinativas dá origem a órgãos e tecidos específicos.
Nesse período, também ocorre a formação do mesênquima, responsável pela constituição dos tecidos de sustentação do embrião. Parte do mesênquima forma o mesoblasto, que dará origem ao mesoderma intra-embrionário. A formação do endoderma definitivo ocorre a partir do deslocamento do hipoblasto pelo ectoderma embrionário. Algumas células do mesênquima migram cefalicamente a partir do nó e da fosseta primitiva, formando o processo notocordal.
Esse processo notocordal cresce entre o ectoderma e o endoderma até alcançar a placa pré-cordal. Na metade da 3ª semana, o mesoderma intra-embrionário separa o ectoderma do endoderma em praticamente toda a extensão do embrião. O processo notocordal sofre transformações e desenvolve a notocorda que, ainda em desenvolvimento, induz o ectoderma sobrejacente a se espessar e formar a placa neural, precursora do Sistema Nervoso Central (SNC).
A placa neural sofre invaginação, formando pregas neurais em ambos os lados. No final da 3ª semana, essas pregas se aproximam e se fundem, transformando a placa neural no tubo neural. Esse processo, denominado neurulação, termina na 4ª semana, quando o tubo neural se separa do ectoderma de superfície. As células da crista neural migram e passam a formar a crista neural.
Com a fusão de duas pequenas depressões formadas pelo ectoderma com o endoderma, o mesoderma é excluído, originando duas membranas bilaminares: a membrana cloacal (caudal) e a membrana bucofaríngea. À medida que a linha primitiva regride durante a 3ª semana, as células do mesoderma migram lateralmente até formar estruturas alinhadas de cada lado da notocorda, originando o mesoderma paraxial, intermediário e lateral. O mesoderma paraxial se diferencia e forma os somitômeros, precursores dos somitos. O mesoderma lateral forma o celoma intra-embrionário, dividindo-se em dois folhetos: a esplancnopleura (em contato com o endoderma) e a somatopleura (em contato com o ectoderma).
Quarta Semana: Organogênese e Dobramento do Embrião
Na 4ª semana, ocorre o fechamento da placa neural, a diferenciação dos somitos, o desenvolvimento do sistema nervoso, o desenvolvimento segmental e a integração corporal.
Primeiramente, ocorre a invaginação da porção do ectoderma correspondente à placa neural e a formação do tubo neural, que tende a se fechar e liberar células responsáveis pela produção de diversos segmentos do corpo (como músculos, gânglios nervosos, entre outros) que migram pela região dorsal do embrião. Essas células são chamadas de células da crista neural. Após o fechamento, o tubo neural se aprofunda, posicionando-se paralelamente à notocorda, entre o ectoderma e o endoderma.
No mesmo momento, os somitômeros do mesoderma paraxial, a partir do 8º par, começam a se diferenciar em somitos. Estes se subdividem em:
- Esclerótomos: Formam os ossos da coluna vertebral (as células que migram ventralmente formam o corpo da vértebra e as que migram dorsalmente formam o arco vertebral).
- Miótomos: Responsáveis pela formação dos músculos.
- Dermátomos: Responsáveis pela formação da derme.
Enquanto isso, o mesoderma lateral divide-se em duas camadas: a ventral, associada ao endoderma, e a dorsal, associada ao ectoderma. A primeira é o mesoderma esplancnopleural, que faz a cobertura mesotélica dos órgãos viscerais; a segunda é o mesoderma somatopleural, que reveste internamente a parede corporal e parte dos membros.
Simultaneamente, o embrião sofre um dobramento (curvatura) devido ao crescimento acelerado do tubo neural nas porções cranial e caudal. Concomitantemente, ocorre o fechamento do corpo do embrião, que se dá pela união lateral e craniocaudal dos folhetos embrionários (ectoderma com ectoderma, endoderma com endoderma, etc.).