Desenvolvimento Embrionário das Glândulas Endócrinas
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Desenvolvimento Embrionário da Tireoide
A glândula tireoide é a primeira a iniciar seu desenvolvimento no embrião, por volta da 3ª semana após a fecundação. Sua origem se dá a partir de duas estruturas: a faringe primitiva, cujo espessamento das paredes leva à formação da tireoide média, e a crista neural, de onde se desenvolve a tireoide lateral rudimentar.
Por volta da 4ª semana, surge um divertículo tireoideano na região que dará origem à base da língua. A partir dele, a tireoide em desenvolvimento migra inferiormente através do ducto tireoglosso até assumir uma posição cervical. O resquício embrionário dessa migração é o forame cego, uma estrutura anatômica que divide os dois terços anteriores e o terço posterior da língua, situando-se atrás do V lingual.
À medida que o embrião se desenvolve, a glândula se move para uma posição anterior à laringe. O ducto tireoglosso, que inicialmente a conecta à língua, degenera algumas semanas depois. Após isso, a estrutura originada da faringe primitiva divide-se em dois lobos (esquerdo e direito), conectados pelo istmo da tireoide, finalizando sua forma e posição definidas por volta da 7ª semana.
Em alguns indivíduos, o ducto tireoglosso não regride completamente, podendo persistir na forma de massas (cistos) abaixo da língua ou ao longo de seu trajeto na região cervical. Esses cistos podem dificultar a deglutição, mas são geralmente removidos cirurgicamente em procedimentos simples. A ocorrência de fístulas é possível, porém, muito rara.
Por volta da 11ª semana, já é possível detectar atividade da glândula, que se torna capaz de estocar iodo e produzir hormônios, principalmente o T4, durante o desenvolvimento fetal. A função da tireoide é crucial para o metabolismo do feto, com mecanismos de feedback já desenvolvidos na produção de seus hormônios. Problemas no desenvolvimento da tireoide durante a gestação podem causar condições graves, como o cretinismo, resultante da deficiência no acúmulo de iodo.
Desenvolvimento Embrionário do Pâncreas
As células pancreáticas originam-se a partir de células endodérmicas definitivas (CED), influenciadas pela expressão dos fatores de transcrição Foxa1 e Foxa2. Esses fatores também participam do desenvolvimento de células de órgãos gastrointestinais. Durante a gastrulação, as CED formam partes distintas da endoderme que darão origem ao intestino.
A junção das partes média e anterior do endoderma intestinal produz os fatores de transcrição Pdx1 e Ptf1α, essenciais na formação do pâncreas. Células responsivas ao Pdx1 contribuem para a formação das partes endócrina e exócrina do pâncreas, enquanto aquelas que respondem ao Ptf1α geram derivados da glândula.
Em seguida, ocorre o desenvolvimento dessa endoderme nos brotos ventral e dorsal do pâncreas, em contato com tecidos originados da mesoderme, como a notocorda, que é fundamental para a regulação da organogênese da glândula.
Desenvolvimento Embrionário da Glândula Suprarrenal
A glândula suprarrenal, também conhecida como adrenal, possui uma origem mista: o córtex se origina da mesoderme celômica da crista urogenital, e a medula, da crista neural.
Por volta da 5ª semana de gestação, ocorre a proliferação de células mesoteliais entre a raiz do mesentério e a crista urogenital, formando o córtex primitivo ou fetal da suprarrenal. Na 6ª semana, uma nova camada de células mesoteliais envolve o córtex primitivo, que mais tarde formará o córtex adulto ou definitivo. Após 8 semanas, o córtex se separa do tecido mesotelial e é envolvido por tecido conjuntivo.
A medula surge de um gânglio simpático associado à crista neural, na altura do plexo celíaco. Algumas células desse complexo, denominadas células cromafins, migram da região em direção ao córtex da medula por volta da 7ª semana. Com o tempo, essas células atingem gradualmente uma posição central dentro do tecido cortical.
Durante o restante da gestação, as glândulas adrenais encapsulam-se e posicionam-se acima dos rins. Contudo, assim como o pâncreas, essas glândulas completam seu desenvolvimento apenas no período pós-natal, por volta dos três anos de idade da criança, com a divisão do córtex em três zonas: glomerulosa, fasciculada (presentes ao nascimento) e reticular (completadas nessa idade).
Desenvolvimento Embrionário da Paratireoide
As glândulas paratireoides (PT) originam-se da terceira e quarta bolsas faríngeas, sendo detectáveis entre 5 e 6 semanas de gestação. A terceira bolsa faríngea dá origem às PT inferiores e ao timo, enquanto a quarta origina as PT superiores e as células parafoliculares da tireoide.
A atividade da glândula pode ser detectada a partir do segundo trimestre da gestação.
Desenvolvimento Embrionário da Hipófise (Pituitária)
A hipófise, também conhecida como pituitária, é uma glândula formada a partir da ectoderme anterior e da neuroectoderme. Ela coordena todas as glândulas do corpo, mas é dependente do hipotálamo.
A hipófise é dividida em duas partes: a adeno-hipófise e a neuro-hipófise, formadas a partir de diferentes estruturas e com anatomia e atividades fisiológicas distintas.
Durante o desenvolvimento, a borda da ectoderme epitelial acima da faringe, denominada estomodeu (ou primórdio bucal), forma uma evaginação conhecida como bolsa de Rathke. Por volta das quatro semanas, essa estrutura projeta-se em direção ao diencéfalo, tornando-se adjacente a ele.
Na semana seguinte, o alongamento da bolsa de Rathke causa uma constrição em sua ligação com a cavidade bucal. Essa ligação degenera coincidentemente com o contato da bolsa com o infundíbulo, uma invaginação do diencéfalo que estabelece a conexão com o hipotálamo.