Desenvolvimento Humano: Infância, Cognição e Psicanálise
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Desenvolvimento Humano
Desenvolvimento humano é um processo de mudanças ao longo do tempo, de grande importância, em que o organismo experimenta modificações até alcançar uma conduta de equilíbrio.
Condutas e características da infância
- Condutas: o ser humano se submete a um estado de dependência durante um longo período, adquirindo uma conduta adulta.
- Infância: etapa de grandes aprendizagens, em que construímos nossa inteligência e conhecimento e nos convertemos em membros da sociedade adulta.
- Imaturidade e plasticidade: na infância, o ser humano possui numerosas capacidades para construir uma inteligência flexível, capaz de receber a herança cultural e enriquecê-la.
- Hierarquia: luta por ocupar um lugar na sociedade.
- Cultura: vantagem de já nascer com algo formado; nascemos predispostos e abertos a aprender a cultura transmitida pelos adultos.
Diferenças em relação aos animais
O ser humano apresenta: posição ereta, mão versátil, dieta onívora, atividade sexual ativa, capacidade de cooperação, compreensão e comunicação, infância prolongada, acúmulo cultural e construção de representações.
Capacidade de representação
Surge ao final do período sensório-motor (por volta dos 2 anos), quando a criança utiliza meios simbólicos para se referir a coisas ou situações, sem necessidade de agir sobre elas. Começa a realizar jogos e situações vividas anteriormente.
- Índice ou sinal: significante ligado ao significado.
- Símbolos: significante independente do significado, mas guarda conexão com ele.
- Signos: significante arbitrário, produto de um longo processo histórico; não existe relação clara entre significante e significado.
Cinco manifestações da função semiótica
- Imitação diferida
- Jogo simbólico
- Imagens mentais
- Desenho
- Linguagem
Evolução da linguagem
Fase pré-verbal (gorjeio ou balbucio), período semântico, frase gramatical, sobrerregulação, meia língua infantil e o "eu".
Primeira Tópica (Freud)
- Inconsciente: conteúdos psíquicos reprimidos por resultarem conflitivos, ausentes na consciência. Características: atemporalidade, ausência de contradição, predomínio do princípio do prazer (sonhos, atos falhos, sintomas neuróticos).
- Pré-consciente: formado por sentimentos, pensamentos e fantasias que não estão presentes na consciência, mas podem tornar-se presentes a qualquer momento (voluntários ou involuntários).
- Consciente: sistema que nos relaciona diretamente com a realidade por meio do que percebemos, seja o que ocorre dentro ou fora de nós. É adaptado ao meio social e possui uma censura.
Segunda Tópica (Freud)
- Isso (Ello): aloja os desejos do ser humano; função de obter prazer e evitar dor ou desprazer. É a fonte das pulsões ou impulsos inatos e possui processos inconscientes.
- Eu (Yo): forma-se em contato com a realidade; é a parte "executiva" da personalidade, que reconhece como própria a parte psíquica. Conhece o interno e o externo e controla as respostas de ambos. Processos: inconsciente, pré-consciente e consciente.
- Superego: formado ao crescer, pela identificação com figuras paternas: o que pode ou não ser feito, o permitido e o proibido. Orienta a conduta segundo o que indicam os adultos, seguindo normas e valores da sociedade em que vive.
Hospitalismo e depressão anaclítica
Hospitalismo: conjunto de perturbações somáticas e psíquicas em crianças institucionalizadas, onde se atendem necessidades básicas, mas são privadas da mãe ou abandonadas. Nunca tiveram contato com ela, e quem as cuida não possui vínculo afetivo, gerando atraso corporal, habilidade manual, adaptação ao meio e linguagem. Consequências irreversíveis: marasmo ou morte.
Depressão anaclítica: transtorno ou depressão do bebê quando perde algo que possui (vínculo com a mãe), até os 6 meses.
- 1º mês: choram e exigem, agarram-se a quem está em contato com eles.
- 2º mês: rejeitam o contato e passam a maior parte do tempo deitados.
- 3º mês: o choro é substituído por gemidos estranhos e letargia (inatividade do bebê). Se entre o 3º e o 5º mês a criança voltar para a mãe, o transtorno desaparece.
Organizadores do desenvolvimento
Estados de coordenação e integração de funções que permitem um novo nível de organização e marcam diferenças entre um estádio e outro.
- Sorriso social (3 meses): dirigido a qualquer pessoa em movimento, como resposta a tudo; surge o "eu".
- Angústia dos 8 meses: reconhece quem o cuida e desagrada-se com desconhecidos; começa a relação materno-filial.
- "Não" (18 meses): reconhece o proibido por meio de um processo de identificação com o agressor temido.
Primeira infância (18 meses a 3 anos)
Etapa do "eu". A criança torna-se mais livre, aprende a ultrapassar os limites impostos. É denominada "deambulador": segue importante para deslocar-se e explorar o mundo por si mesma. Desenvolve atividade motora e relações com objetos.
Segunda infância (3 a 6 anos)
Deixa-se de ver a criança como bebê, aproximando-se do adulto. Começa a socializar-se; o jogo ocupa lugar central e surge a relação triangular. Apresenta estado de imaturidade, período de onipotência, necessidade de um terceiro e sexualidade infantil.
Mito de Édipo Rei e sexualidade infantil
As crianças sempre podem apaixonar-se por seus pais. As experiências da criança de 3 anos podem fugir à força de suas pulsões, fantasiando o amor sexual pela mãe e a destruição do pai. Na relação mãe-pai, durante os períodos oral e anal, seu objeto de amor é a mãe (manifestam-se pulsões sexuais genitais).