Desenvolvimento da Linguagem e Etiologia da Deficiência Intelectual
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1. A linguagem até os 4 anos
As primeiras manifestações da linguagem infantil são inarticuladas e estão relacionadas com sensações e necessidades orgânicas. No 1.º trimestre, as emissões de sons são guturais e vocálicas, dando sensações de prazer, desgosto e necessidade. Estas emissões darão ao bebé um maior controle auditivo. No 2.º trimestre, as emissões são vocálicas. Aos 5 ou 6 meses, o balbucio tem um forte componente social. Este é o início do desenvolvimento fonológico e está formado por sons vocálicos e estruturas tipo V, C, V.
No 3.º trimestre, cada vez vai articulando mais sons: alguma sílaba. A pronúncia vai adquirindo ritmo e entoação. A partir dos 8 meses, dizem as consoantes M, N, P, B, T. No 4.º trimestre, há imitações de vozes (ecolalia) e a reação de palavras alheias. Dizem papá e mamã, e produz-se um treino fonético que levará a criança a comunicar-se para satisfazer as suas necessidades. Entre os 12 e os 18 meses, a criança começa a usar holofrases. Neste período, a compreensão é maior que a expressão. A criança vai adquirindo aos 18 meses um vocabulário de cerca de 500 palavras. Uma palavra pode ter um significado sobreextendido (todos os homens são papá) ou infraextendido (pio pio às gaivotas).
Aos 2 anos é o verdadeiro começo da linguagem: a linguagem telegráfica (omitem artigo, preposição, verbo...). Esta linguagem é muito simples, mas permite expressar ideias. Pode ter um vocabulário de cerca de 300 palavras. Constrói frases de 3 elementos. Usa 50% de substantivos, 20% de verbos e 25% de adjetivos. Aos 3 anos passa do interesse pelas coisas para as palavras; quando se lhe lê um livro, fica pasmado. Entre os 3 e os 4 anos, as frases vão-se tornando cada vez mais complexas. Começam a aprender as formas gramaticais básicas e vão dominando o processo de socialização e as estruturas linguísticas que usa o adulto. Vai usando as ordens, as perguntas e as conjunções. A partir dos 4 anos, vão pronunciando corretamente a maioria das palavras simples.
2. a) Período sensório-motor (0-2 anos)
0-4 meses: O desenvolvimento é praticamente igual numa criança com visão e numa criança sem visão.
4-9 meses: Há um atraso na criança sem visão, pois nesta etapa a criança com visão desenvolve a coordenação óculo-manual.
9-12 meses: Há um atraso na criança sem visão na mobilidade autoiniciada. Aos 12 meses, a criança sem visão já é capaz de pegar num objeto pelo som. Consegue a coordenação ouvido-manual (6 meses depois da criança com visão).
12-18 meses: Nas crianças com visão, realiza-se a inteligência mediante a permanência e o movimento. Na criança sem visão, realiza-se a permanência dos objetos sociais (a mãe, a voz, o tato...) e depois dos objetos físicos.
18-24 meses: Nas crianças com visão, realiza-se o desenvolvimento da representação; nas crianças sem visão também, mas com lacunas, a não ser que haja uma boa estimulação psicocognitiva e afetiva, ainda que sejam menos eficientes do que as crianças com visão.
3. Evolução do TDAH até os 6 anos
Do nascimento aos 3 anos
A maioria foram bebés difíceis, inquietos, exigindo atenção com choros e birras, com dificuldade em estabelecer hábitos (dormir). São caprichosos. É muito importante a reação dos pais, pois podem ser muito rígidos ou muito permissivos. A conduta dos pais tem de ser equilibrada para não piorar o comportamento da criança.
Entre os 3 e os 6 anos
São descritos como inquietos, impulsivos, desatentos, desobedientes e agressivos. Não escutam quando lhes falam, parecem distraídos. Muitas brigas e discussões com os colegas. Brincam com os brinquedos até os deixarem inutilizáveis, custa-lhes seguir as regras e têm dificuldade em perder.
4. Etiologia da deficiência intelectual
As causas da deficiência intelectual podem ser de 2 tipos:
Psicossocial (ambiente): atraso mental leve.
Biológica (orgânica): atraso mental moderado ou grave.
O psicossocial pode ser:
Socioeconómico: pobreza, má alimentação, falta de higiene, sem assistência sanitária e com privação cultural.
Familiar: abandono escolar, capacidade intelectual dos pais, nível educativo...
O biológico pode ser:
Pré-natais: genéticas, como falhas no metabolismo, cromossómicas, toxinas ou doenças da mãe.
Perinatais: lesões no parto, anoxia...
Pós-natais: traumatismos cerebrais, infeções cerebrais, anoxia...
5. Modelo nominal e errático
- Modelo nominal: é o mais comum na nossa sociedade (40-45%). A relação é de coexistência pacífica entre pai, mãe e filhos, e não de convivência. Pouca comunicação e pouca implicação. Deixam a educação nas mãos da escola. Pais mais preocupados com o seu próprio tempo livre e com as férias. (Funcionamento do contexto familiar, Enzo, 2006)
- Modelo errático: parecido ao permissivo. Pais permissivos e passivos. Indiferença às atitudes e condutas dos filhos. Liberdade sem limites. Os pais querem fazer felizes os filhos. Como consequência, criam filhos com pouca autonomia e autocontrolo. Pouco respeito pelas normas e pelo professor. Esgotam os pais.