O Difusionismo na Antropologia: Teorias e Conceitos
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As Principais Teorias e Escolas Antropológicas
O Difusionismo
Naturalmente, a época evolucionista não foi estanque nem absolutamente homogénea do ponto de vista do pensamento antropológico. Sob o impulso das críticas do antropólogo americano F. Boas (1858-1942) às teses evolucionistas, uma nova compreensão da humanidade desconsiderou progressivamente o evolucionismo linear e cedeu lugar ao que foi designado de escola difusionista ou corrente da história cultural.
Esta corrente foi relevante nos Estados Unidos e na Alemanha, pela iniciativa do geógrafo F. Ratzel (1844-1904), onde prevaleceu até finais dos anos trinta. Contrariamente aos evolucionistas, que interpretavam as semelhanças entre sociedades como a expressão de uma evolução paralela, os difusionistas interpretam esta evolução como o resultado de empréstimos e contactos culturais entre sociedades.
O difusionismo parte do princípio de que o processo de desenvolvimento cultural não é uniforme, mas marcado pela diversidade devido aos contactos entre sociedades. Como o homem é considerado pouco inventivo, a história da humanidade resumir-se-ia a empréstimos culturais sucessivos a partir de focos de civilização, independentemente da distância geográfica.
Para os difusionistas, a semelhança entre elementos culturais resultava de uma transferência direta ou indireta entre sociedades.
Escolas Alemã e Austríaca
As escolas difusionistas alemã e austríaca introduziram as noções de complexo cultural e de círculo de cultura (Kulturkreis) para qualificar áreas de onde se teriam expandido certos aspetos para o planeta. Discípulos de Ratzel, como Frobenius (1873-1938), F. Graebner (1873-1938) e o missionário W. Schmidt (1868-1954), sustentavam que era possível redesenhar os caminhos seguidos pelos complexos culturais da difusão.
Nestas condições, o difusionismo não era menos hipotético e conjetural que o evolucionismo.
Críticas e o Hiper-difusionismo
A principal crítica ao difusionismo reside na questão de saber se as culturas derivam de centros de difusão ou se são invenções autónomas. Além disso, ao enfatizarem as permanências culturais, os difusionistas não resolveram a questão da inovação e criatividade humana.
A maior oposição surgiu com o hiper-difusionismo inglês, defendido por G. Elliot-Smith (1871-1937) e W. J. Perry (1887-1950), que propunham o Egito como o berço de todas as civilizações. Esta teoria foi rapidamente contrariada por descobertas arqueológicas que atestavam focos de civilização independentes.
Cultura e Aculturação
Enquanto a culturologia inglesa derivava para o hiper-difusionismo, Franz Boas dedicava-se ao estudo dos processos de contacto e transferência cultural. E. B. Tylor (1832-1917), considerado o fundador da culturologia, definiu cultura como um "conjunto complexo incluindo saberes, crenças, arte, costumes e hábitos adquiridos pelo homem em sociedade".
A antropologia cultural passou a refletir sobre a transmissibilidade da cultura (tradição e herança cultural). Posteriormente, M. J. Herskovits interessou-se pelos problemas do contacto entre culturas e pelos processos de aculturação.
A noção de aculturação designa fenómenos resultantes de contactos diretos e prolongados entre culturas, levando à modificação de um ou ambos os grupos. Contudo, esta conceção revelou-se complexa, pois era frequentemente avaliada sob a ótica das culturas dominantes, pressupondo que sociedades tradicionais seriam fatalmente conduzidas a adotar características de sociedades com maior força cultural.