A Dimensão Moral e a Filosofia da Linguagem

Classificado em Filosofia e Ética

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Espiritualistas: para eles, a capacidade moral é a mais palpável da nossa condição espiritual. Nada nos define tão claramente como a moralidade de nossa tendência instintiva. Somente os seres humanos são capazes de alterar leis naturais tão enraizadas como as da sua própria sobrevivência. O mundo da natureza e o mundo da moral são duas realidades diferentes. Só porque Deus soprou em nós uma alma, o princípio divino que nos faz como Ele, temos a capacidade de orientar a nossa vida segundo o bem e o mal.
Materialistas: para eles, a capacidade moral só pode vir da natureza e, nos últimos tempos, de uma concepção evolucionista da natureza.
Heteronomia: a dependência de algo externo para seguir uma lei moral que não é própria: Deus, a natureza, a sociedade... A pessoa heterônoma renuncia à sua liberdade e sucumbe a alguma forma de determinismo.
Autonomia: capacidade de se dar a própria lei. Ser livre significa ser autônomo, ter autodeterminação para agir de acordo com sua própria consciência, ao ser guiado por uma instância própria.
Determinismo: a ideia que nega a liberdade de escolha dos indivíduos.
Boa vida: se queremos saber para onde ir, se conhecemos nossos desejos e aquilo a que chamamos vida, nossa inteligência deve ser capaz de trabalhar com dados que a experiência lhe proporcionou para mostrar-nos os meios para alcançar este objetivo.
Vida correta: a boa vida, a vida como convivência necessária, embora difícil.
Consciência moral: capacidade de distinguir entre o bem e o mal moral, entre o que é e o que deveria ser, entre o eu e o dever, entre a avaliação e os padrões de descrição.
Imoralidade: desempenho no qual, mesmo estando ciente do mal, não se respeita o bem.
Amoralidade: é a ausência de consciência moral.
Desmoralizados: quando nos falta força e o desânimo nos domina. Dizemos que estamos com a moral baixa.
Capacidade moral: capacidade de distinguir entre o que fazemos e o que devemos fazer. A partir dela, criamos regras sobre o que fazer e o que não fazer. Chamamos de moral o conjunto dessas regras que regem a conduta.
Liberdade de ação: a liberdade de fazer o que decidimos, sem pressões externas. É uma questão política e social, e não filosófica. Esta é a liberdade que é reivindicada em uma manifestação em defesa da liberdade de reunião ou de expressão. É ser livre para fazer o que eu quero. Outra coisa essencial é refletir sobre quais limites devem ser impostos a essa liberdade, para que todos a aproveitem tanto quanto possível.
Liberdade de escolha ou decisão: refere-se à possibilidade de escolher entre várias opções que não são pré-definidas por uma força externa.
A negação da liberdade de decisão é equivalente à negação do valor da dimensão moral das pessoas.

Indissoluvelmente, humanidade e moralidade estão ligadas

  • Não podemos nos livrar da necessidade de dirigir as nossas vidas.
  • Temos a capacidade de guiar-nos pela consciência moral, a capacidade de distinguir entre o bem e o mal, entre o que é e o que deveria ser.
  • A capacidade moral especifica-se no estabelecimento de normas morais.
  • A Ética discute as bases e a validade das normas morais.

Várias perspectivas sobre a origem da capacidade moral

  • Na razão: quem sabe orientar bem a vida.
  • Nas emoções: sentimentos do bem e do mal.
  • No campo biológico: para o qual a moral é um mecanismo de sobrevivência.
  • No espírito: capaz de se impor sobre as tendências instintivas.

A capacidade moral desenvolve-se ao longo da vida

  • Tornamo-nos mais independentes de critérios e necessidades externas.
  • Descobrimos progressivamente o significado das normas e valores.

Moralidade e sociedade caminham juntas

  • Somente na sociedade o ser é plenamente moral.
  • Somente os indivíduos são capazes de internalizar os padrões morais que tornam a vida em sociedade possível.

Nossa condição moral permite-nos ter:

  • Orientação na vida.
  • Uma escala de autoestima.
  • Mecanismos unificadores da ordem social.

A moralidade pressupõe a liberdade de escolha

  • A ideia de liberdade de escolha ou livre-arbítrio opõe-se ao determinismo.
  • O determinismo aparece tanto em perspectivas espiritualistas quanto materialistas.

Aqueles que se opõem ao determinismo argumentam que:

  • Ele leva a situações inverossímeis.
  • Não é algo visível ou comprovável.
  • Não respeita a distinção entre o mundo físico e a consciência.
  • Nada mais é do que uma desculpa para fugir da responsabilidade.

A liberdade não é a submissão imediata ao desejo, mas a capacidade de conduzir sua própria vida. Devemos, portanto, trabalhar para:

  • Ter informação.
  • Estimular a capacidade de raciocínio.
  • Treinar critérios próprios para marcar um curso.

A origem da capacidade moral: de onde vem?

  • É um produto da razão: conceitos morais são inatos ao homem. O comportamento moral é possível porque já temos os critérios para regulamentá-lo. Autores: Sócrates e Platão.
  • É o produto de sentimentos: são as emoções que determinam se uma ação é boa ou má. Chamamos de bom o que produz prazer, utilidade e bem-estar; chamamos de mau o que traz dor ou desprazer. Autores: Hume e J. Stuart Mill.

Outras respostas:

  • Materialista: a capacidade moral relaciona-se ao processo de evolução da espécie humana.
  • Espiritualista: afasta-nos das tendências instintivas animais e da irracionalidade.

Argumento ad absurdum: argumento que assume o oposto do que queremos provar. Se chegamos a uma contradição, a conclusão correta seria o oposto.

Três conceitos principais da linguagem

A concepção referencialista:

  • A função da linguagem é referir-se à realidade e comunicá-la.
  • O significado, estudado pela semântica, é o elemento-chave da comunicação.
  • É preciso detectar distorções de significado causadas por ignorância de códigos, mudanças semânticas e pela aparência de imobilidade da realidade.

A função básica da linguagem é a função referencial. Como disse Spinoza, dizemos uma verdade quando algo realmente aconteceu e uma falsidade quando não aconteceu. A chave para o bom uso de uma língua está no conhecimento dos códigos (dicionário). Palavras simples podem tornar-se enganosas se não explicitarem um significado claro. Problemas aparecem quando, sob o mesmo código, o remetente e o receptor interpretam coisas diferentes. Todos aprendem palavras em um determinado contexto. As convenções linguísticas variam com o tempo e é essencial evitar confusões causadas por mudanças semânticas.

A concepção logicista:

  • A relação da linguagem com a realidade é sempre uma área insegura.
  • A coerência lógica, estudada pela sintaxe, é o elemento-chave da comunicação.
  • É essencial estar alerta contra o que mascara a verdadeira forma lógica das nossas afirmações.

No início do século XX, teorias da física e matemática trouxeram dúvidas sobre se a língua corresponde à realidade. Na concepção logicista, o importante é a coerência interna e a lógica. Pensadores como Ramon Llull e Leibniz esforçaram-se para criar uma linguagem perfeita.

A concepção pragmatista:

  • A linguagem não pode ser reduzida a um papel pré-definido.
  • O verdadeiro significado da linguagem é determinado pelo seu uso.
  • É essencial estar alerta contra a confusão no uso da língua.

Foca na pragmática e na ação executada ao falar. A linguagem é um instrumento versátil: as palavras não apenas descrevem, mas inventam, organizam e agem. Wittgenstein insistiu que os problemas aparecem quando confundimos os usos da linguagem. A tarefa da filosofia é fornecer uma terapia contra a complexidade da prática do idioma. A dimensão real do significado é a sua utilização.

A linguagem molda-nos, transmitindo a visão de mundo implícita e explícita de nossa própria cultura.

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