Diretrizes de Saúde Bucal e Coletiva

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

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1. Protocolos de Atendimento e Princípios do SUS

DAI (Índice Estético Dental): Avalia a má oclusão em dentes permanentes e na dentição mista.

Princípios Doutrinários do SUS: Universalidade, integralidade e equidade.

Princípios Organizativos do SUS: Descentralização, regionalização, hierarquização e controle social.

2. Condutas Clínicas por Perfil de Risco

  • Pacientes de Alto Risco:
    • Instruções de dieta e higiene oral.
    • Orientar bochechos diários com flúor (0,05%) em crianças maiores de 6 anos, adolescentes e adultos.
    • Para menores de 6 anos, orientar a aplicação diária de flúor a 0,02% com algodão, cotonete ou ponta de fralda limpa em todos os dentes.
    • Realizar profilaxia e adequação do meio no início do tratamento.
    • Realizar tratamento restaurador atraumático (ART).
    • Realizar aplicação tópica de flúor ao final de cada consulta para a remineralização do esmalte.
  • Comunidades de Alto Risco: Instituição de promoção em saúde; orientação quanto à alimentação saudável para reduzir o consumo de açúcares; abordagem comunitária para aumentar o autocuidado com a higiene corporal e bucal; políticas de eliminação do tabagismo e de redução de acidentes.
  • Pacientes de Baixo Risco: Reforçar as instruções para a manutenção da saúde bucal; dar preferência ao tratamento restaurador conservador; realizar aplicação de flúor ao final do tratamento.
  • Pacientes Sem Cárie / Livres de Cárie: Reforçar as instruções para a manutenção da saúde oral, valorizando as ações de prevenção até o momento adotadas; evitar o uso de selantes; dar preferência à escovação supervisionada e ao bochecho fluorado, evitando a fluorterapia com o paciente na cadeira clínica.

3. Atenção Odontológica por Ciclos de Vida

  • Gestantes: Limitações ao tratamento devido à impossibilidade de atendimentos prolongados; atenção redobrada a medicamentos e cuidados nos exames de radiografia. O segundo trimestre é o período ideal para o tratamento e exames periódicos. Gestantes possuem risco 7,5 vezes maior de adquirir doença periodontal.
  • Bebês: Orientação aos pais sobre amamentação noturna, uso de chupetas, escovação, dieta, prevenção de doenças bucais e aleitamento materno.
  • Pré-escolares e Escolares: Introdução de bons hábitos e início de um programa educativo e preventivo de saúde bucal, contando com a participação ativa da família. Fase de dentição mista e erupção do primeiro molar. Recomenda-se fluorterapia de acordo com o risco e atividade da doença, educação em saúde, escovação orientada e monitoramento da oclusão.
  • Adolescentes e Adultos Jovens: Foco no desenvolvimento da mentalidade de autocuidado. Há risco aumentado para doença periodontal, como a Periodontite Juvenil (Localizada ou Generalizada), que se inicia na puberdade e caracteriza-se pela destruição rápida do periodonto de sustentação.
  • Adultos: Diagnóstico precoce de alterações gengivais e de mucosa, controle de doenças bucais e ênfase no aspecto preventivo.
  • Idosos: Atenção a medicações contínuas, estado físico e emocional, prevenção do câncer bucal, edentulismo, doença periodontal, cárie de raiz, xerostomia, atrição, abrasão e lesões da mucosa bucal. Importância do acolhimento ao paciente idoso e explicação detalhada das etapas do atendimento.

4. Promoção de Saúde e Cariologia

Alma-Ata e Carta de Ottawa: Conferências que enfatizaram os cuidados primários de saúde por meio de recursos da própria comunidade e o emprego de tecnologias simples, seguras, eficazes e adaptadas à realidade local.

A Cárie como Doença Multifatorial: A dieta é um fator determinante decisivo para o desenvolvimento da cárie, pois fornece substrato (como a sacarose) para a fermentação bacteriana, reduzindo o pH bucal e favorecendo a proliferação de bactérias cariogênicas. A análise da dieta (diário alimentar) é fundamental para a determinação do plano de tratamento. A remoção mecânica da placa bacteriana, sua frequência e técnica de execução também determinam o desenvolvimento da doença.

  • Cárie Aguda: No esmalte, as lesões ativas não cavitadas apresentam-se rugosas e opacas. Na dentina (evolução rápida), apresenta aspecto mole (dissolução mineral), úmido e coloração castanha-clara. A desmineralização da dentina precede a infecção bacteriana, sendo a dentina infectada mais mole que a desmineralizada.
  • Cárie Crônica: De evolução lenta. Na dentina, apresenta cor castanho-escuro a negro. As lesões inativas não cavitadas são lisas e brilhantes, podendo ou não ser marrons.

Níveis de Motivação do Paciente: Para transformar um paciente desmotivado em motivado, pode-se atuar nos níveis cognitivo, afetivo e psicomotor.

5. Fluoretos na Odontologia

Farmacocinética do Flúor: É absorvido pelas vias pulmonares e mucosa gástrica (estômago e intestino delgado), retornando à cavidade bucal através da reciclagem pela saliva e fluido gengival. Se a ingestão de flúor ocorrer com o estômago vazio, a absorção será total. O flúor não solúvel é excretado pela urina, suor, fluidos salivares e fezes.

Efeitos do Flúor: Aumento da resistência do esmalte à desmineralização; aceleração da maturação pós-eruptiva do esmalte dentário; remineralização de lesões incipientes de cárie; e redução da profundidade de sulcos e fissuras.

Mecanismo de Ação: A aplicação de flúor promove a formação de uma camada de fluoreto de cálcio (CaF2) sobre o esmalte e a dentina, mantendo o flúor constante na cavidade bucal em equilíbrio com a saliva. Íons de cálcio (Ca) e fosfato (P) da saliva depositam-se sobre o CaF2, formando uma capa protetora que diminui sua solubilização. Sob queda de pH (ingestão de açúcar), essa capa se dissolve, liberando o flúor para reduzir a desmineralização e ativar a remineralização. Ao normalizar o pH, o CaF2 residual é recoberto, funcionando como um reservatório contínuo contra a cárie.

6. Prescrições Clínicas

  • Receita de Flúor Diário (Crianças menores de 6 anos):
    Uso Externo: Fluoreto de sódio a 0,02% — 30 ml.
    Orientação: Aplicar a solução com cotonete em todos os dentes, 2 vezes ao dia, após a escovação (pingar 4 gotas de cada lado do cotonete). Não enxaguar. Indicado para pacientes com alta atividade de cárie.
  • Receita de Flúor para Bochecho Diário (Uso Caseiro):
    Uso Externo: Fluoreto de sódio a 0,05% — 200 ml.
    Orientação: Realizar bochecho com 1 colher de sopa da solução por 1 minuto, 1 vez ao dia. Cuspir e não enxaguar.
  • Protocolo para Paciente de 18 anos (Alta atividade de cárie e gengivite generalizada):
    Prescrição: Clorexidina a 0,12% — 200 ml.
    Orientação: Realizar bochechos com 10 ml por 1 minuto, 2 vezes ao dia, durante 15 dias. Suspender o uso de dentifrício (pasta de dente) durante este período, realizando apenas a escovação mecânica sem pasta.

7. Conceitos Epidemiológicos

Incidência: Refere-se ao número de casos novos de uma doença que surgem em uma determinada população, local e período de tempo. Mede a velocidade e a probabilidade de ocorrência da doença. Alta incidência indica alto risco coletivo de adoecer.

Prevalência: Refere-se ao número total de casos (novos e antigos) de uma doença em uma dada população e em um ponto específico no tempo.

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