Diretrizes de Ventilação Mecânica e Cuidados na Sepse
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Pressão Positiva Expiratória Final (PEEP)
Sugestão: Em não havendo SARA, utilizar valores de PEEP de 5 a 10 cmH2O. O valor da PEEP deve ser ajustado em combinação com a fração inspirada de oxigênio (FiO2) para manter a saturação arterial periférica (SpO2) entre 90-95% para minimizar lesões cognitivas.
Ajuste da Fração Inspirada de Oxigênio (FiO2)
Sugestão: O valor da FiO2 deve ser ajustado em combinação com a PEEP para manter a saturação arterial periférica (SpO2) entre 90 e 95% para minimizar lesões cognitivas.
Volume Corrente
Sugestão: Volumes correntes superiores a 6 ml/kg de peso ideal aumentam a translocação bacteriana e a lesão pulmonar induzida pelo ventilador; portanto, os pacientes devem ser ventilados com volumes correntes ≤ 6 ml/kg de peso predito.
Decúbito
Sugestão: Em pacientes com pneumonia unilateral e hipoxemia grave, pode-se praticar a mudança para decúbitos laterais. No entanto, pelos resultados imprevisíveis, é necessária vigilância intensa porque há risco de piora da oxigenação e de contaminação do pulmão contralateral.
Tratamento de Resgate
Sugestão: Pacientes com pneumonia unilateral e hipoxemia refratária ao tratamento convencional podem ser candidatos à ventilação mecânica independente.
Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV)
Sugestão: Os pacientes com PAV devem ser ventilados utilizando-se estratégia ventilatória protetora (VC = 6 ml/kg de peso predito), visando manter a PaCO2 entre 35-45 mmHg e PEEP suficiente para garantir uma adequada troca gasosa, com modo ventilatório VCV ou PCV. Assim que possível, passar a modos assistidos ou espontâneos visando adiantar a retirada da VM.
Recomendação: Seguir as seguintes estratégias gerais para redução da PAV:
- Lavagem das mãos e/ou desinfecção das mãos com base de álcool a 70%;
- Uso de vigilância microbiológica;
- Monitoramento e remoção precoce de dispositivos invasivos;
- Programas para uso racional de antibióticos.
Sugestão: Descontaminação seletiva do trato digestivo.
Ventilação Mecânica no Paciente com Sepse
Comentário: A SARA é uma das complicações comumente observadas em pacientes com sepse grave, sendo na maioria das vezes subdiagnosticada. Estudos observacionais demonstram que apenas 30% a 50% dos pacientes que apresentam lesão alveolar difusa em autópsia tiveram o diagnóstico de SARA documentado em prontuário médico.
Sugestão: Empregar um sistema rotineiro de identificação de pacientes com SARA nos pacientes com sepse, particularmente entre pacientes com sepse grave e choque séptico, possivelmente usando a queda da relação PaO2/FiO2 e infiltrado bilateral na radiografia de tórax como diagnósticos para SARA e sinais clínicos.
Observação: O diagnóstico e condução do paciente com SARA encontram-se nas seções específicas “Ventilação mecânica na SARA” e “Ventilação na posição prona e circulação extracorpórea” destas Diretrizes.