A Divisão do Trabalho Segundo Adam Smith
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WN — Divisão do Trabalho: O maior aprimoramento das forças produtivas do trabalho e a maior parte da habilidade e destreza com que o trabalho é dirigido ou executado são resultados da divisão do trabalho. Para Adam Smith, a divisão do trabalho é a principal causa da Riqueza das Nações.
- Qualidade e Especialização: A divisão do trabalho gera qualidade; os produtos tornam-se melhores graças à especialização do trabalho. Adam Smith exemplifica com a indústria de alfinetes: um operário desenrola o arame, outro o endireita, um terceiro o corta, um quarto coloca a cabeça nos alfinetes e assim sucessivamente. Ou seja, não somente o trabalho constitui uma indústria específica, como está dividido em uma série de setores que, por sua vez, requerem um ofício especial.
- Aumento da Produtividade: A divisão do trabalho gera em cada ofício um aumento proporcional das forças produtivas de trabalho. Se, no caso da indústria dos alfinetes, fosse tarefa de um único empregado, sem especialização na matéria, criar um alfinete desde o início da montagem até o fim, a quantidade que produziria seria quase impossível em comparação à divisão do trabalho. O mesmo não acontece, mesmo que os empregados sejam pouco dotados no ofício, se apenas se dedicarem a uma das diferentes operações. Ganhamos produção cada vez que dividimos o trabalho, visto que com ele ganhamos eficiência de tempo (diminuímos o tempo despendido por trocar de operações) e destreza (tornamo-nos mais ágeis naquilo que fazemos).
- Indústria vs. Agricultura: Contudo, a divisão do trabalho é mais patente nas fábricas do que no campo. A natureza não comporta tantas divisões do trabalho, nem uma diferenciação tão grande de atividades como as que ocorrem nas fábricas; por exemplo, aquele que planta o trigo é muitas vezes a mesma pessoa que o colhe. Porém, as nações mais desenvolvidas superam as outras tanto na agricultura como nas manufaturas pelo fato de terem uma melhor divisão do trabalho na agricultura, pois, ao investirem mais, também produzem mais. Isto deve-se fundamentalmente à interdependência que existe entre cidade e campo: a utilização de tecnologias produzidas pelas fábricas na agricultura faz aumentar a produção; uma agricultura mais produtiva vai, por sua vez, criar uma indústria também mais produtiva.
- Fatores de Eficiência: Em consequência da divisão de trabalho, um menor número de trabalhadores é capaz de produzir quantidades de trabalho superiores devido a três fatores:
- Primeiro: Ao aprimoramento da destreza do operário. A divisão do trabalho reduz a tarefa de cada pessoa a uma única operação, tornando-a um entendido na matéria e aumentando assim a sua destreza (ex: pregos).
- Segundo: À vantagem da economia de tempo que geralmente se perderia ao passar de um tipo de trabalho para outro. O tempo que se perde mudando para o lugar de execução ou trocando ferramentas é tempo em que nada se produz. Independentemente da destreza ou rapidez, esta questão reduzirá sempre a quantidade de trabalho produzida.
- Terceiro: À invenção de máquinas que facilitam e abreviam o trabalho, possibilitando que uma única pessoa faça o trabalho que, de outra forma, teria de ser feito por muitas outras. Em consequência da divisão do trabalho, toda a atenção de uma pessoa é dirigida para um único trabalho específico; isto faz com que o trabalhador comum vá descobrindo métodos mais fáceis e rápidos para executar o trabalho, daí grande parte das máquinas serem invenções do mais comum dos trabalhadores (Filósofo).
- Riqueza e Cooperação: É a divisão do trabalho que gera a verdadeira riqueza de uma nação. Se examinarmos todos os trabalhos e considerarmos a variedade das suas utilidades e necessidades, percebemos que, sem a ajuda e cooperação de muitos milhares, não seria possível prover às necessidades nem mesmo de uma pessoa de classe baixa de um país civilizado (ex: casaco de lã do agricultor). A verdade é que a diferença de necessidades entre o príncipe e um camponês não é tão grande (ex: Rei de África com 10.000 escravos).
- Propensão à Troca: A principal causa da riqueza das nações não está relacionada com o conhecimento ou sabedoria do homem, mas sim com a propensão natural do homem que o leva a trocar uma coisa por outra. Esta propensão é visível em todos os homens, não se encontrando em mais nenhuma espécie animal. Por exemplo, nunca se viu um cão a trocar um osso por outro objeto. Numa sociedade civilizada, o homem a todo o momento necessita de ajuda e cooperação de grandes multidões, visto que as suas necessidades são enormes. Ao contrário das outras espécies, que se tornam independentes quando atingem a maturidade, o homem continuará a ter uma necessidade constante da ajuda dos seus semelhantes, sendo que esta ajuda não lhe é garantida através da benevolência. Por exemplo, ao comprarmos carne, nunca nos dirigimos ao talhante esperando satisfazer apenas as nossas próprias necessidades; pensamos, sim, na vantagem que advirá ao talhante. Teremos mais probabilidade de obter o que queremos se mostrarmos aos outros que é vantajoso para eles. Não é a benevolência que gera o comércio, mas antes o amor-próprio. Ninguém, a não ser o mendigo, sujeita-se a depender sobretudo da benevolência dos semelhantes.
- O Papel da Filosofia: Se não pudéssemos trocar, teríamos de fazer tudo por nós mesmos. O trabalho do filósofo é observar, o que vai permitir inventar uma tecnologia que vai tornar o trabalho mais eficiente e, portanto, diminuir o esforço do trabalho. Filosofia é poupar trabalho.