Doenças da Vesícula e Vias Biliares: Guia Clínico

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COLELITÍASE:
- Quadro clínico: dor abdominal < 6h após refeição, dispepsia, mal-estar.
- Diagnóstico: ultrassonografia (sombra acústica).
- Tratamento: colecistectomia videolaparoscópica (se sintomática, vesícula em porcelana, associação com pólipo ou cálculo > 3 cm). Não operar se risco cirúrgico alto. Administrar ácido ursodesoxicólico.

COLECISTITE:
Quadro clínico: dor abdominal > 6h, febre, sinal de Murphy.
Laboratório: discreto aumento de leucócitos, bilirrubinas, TGO, fosfatase alcalina e amilase.
Diagnóstico: ultrassonografia (cálculo impactado, parede espessada, sinal de Murphy sonográfico); cintilografia das vias biliares (padrão-ouro: ausência de enchimento da vesícula).
Tratamento: antibioticoterapia por 7 a 10 dias (cobrir E. coli, Klebsiella, Enterococcus), como ceftriaxona ou ampicilina + gentamicina, associada a metronidazol; colecistectomia precoce por via laparoscópica.
Complicações: empiema, perfuração livre, fístula (colecistoentérica) ou localizada, colecistite enfisematosa.

COLEDOCOLITÍASE:
Quadro clínico: dor biliar, icterícia intermitente e vesícula não palpável.
Diagnóstico: ultrassonografia, CPRE (padrão-ouro) e colangiorressonância magnética.
Laboratório: aumento de bilirrubinas, fosfatase alcalina e transaminases.
Tratamento: CPRE com papilotomia endoscópica, coledocotomia à Kehr ou derivação biliodigestiva.

COLANGITE AGUDA:
- Quadro clínico: tríade de Charcot (dor abdominal, febre, calafrios, icterícia); pêntade de Reynolds (tríade de Charcot, hipotensão e alteração do sensório, indicando quadro grave/supurativo).
- Diagnóstico: ultrassonografia, ressonância magnética, leucocitose com desvio à esquerda, aumento de bilirrubinas, fosfatase alcalina, GGT, AST/ALT; hemocultura.
- Tratamento: antibioticoterapia (ampicilina + gentamicina ou ceftriaxona); drenagem biliar por CPRE (se obstrução baixa) ou drenagem transepática percutânea (se obstrução alta).

CÂNCER DE VIAS BILIARES
CARCINOMA DA VESÍCULA BILIAR: o mais comum, do tipo adenocarcinoma, mais frequente em mulheres e idosos.
Fatores de risco: colelitíase, fístula colecistoentérica, vesícula em porcelana, adenoma, colecistite xantogranulomatosa, retocolite, junção pancreatobiliar anômala, obesidade, infecção por Salmonella typhi, cisto de colédoco.
Quadro clínico: piora dos sintomas habituais de colelitíase crônica, perda de peso, massa palpável em hipocôndrio direito.
Diagnóstico: ultrassonografia das vias biliares, tomografia computadorizada de abdome com contraste.
Tratamento: colecistectomia.

COLANGIOCARCINOMA: câncer das vias biliares.
Fatores de risco: colangite esclerosante primária, cisto de colédoco, litíase intra-hepática, hepatite B e C.
Tumor de Klatskin: localizado na confluência dos ductos hepáticos esquerdo e direito.
Quadro clínico: icterícia, perda de peso, astenia, dor abdominal, prurido.
Diagnóstico: colangiorressonância magnética, ultrassonografia (vesícula murcha, dilatação de vias biliares intra-hepáticas).
Tratamento: se intra-hepático: ressecção hepática; se extra-hepático distal: operação de Whipple (pancreatoduodenectomia); se perihilar: hepatectomia central com anastomose biliodigestiva.

NEOPLASIAS PERIAMPULARES: câncer de cabeça de pâncreas, colangiocarcinoma distal, câncer da segunda porção do duodeno, câncer de papila de Vater.
Quadro clínico: icterícia (flutuante, com melena, se papila de Vater), perda de peso, vesícula palpável (sinal de Courvoisier-Terrier).
Tratamento: cirurgia de Whipple (pancreatoduodenectomia).

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