O Dominato: A Transformação do Império Romano (235-565 d.C.)
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O Dominato (235 d.C. – 565 d.C.)
O Dominato foi a segunda fase do governo no antigo Império Romano, compreendida entre a Crise do Terceiro Século e a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C. No ano 235 d.C., a morte do último imperador da dinastia Severa, que mantinha a paz, a ordem e a estrutura do Império, deu início a um período de anarquia militar.
A Crise do Século III
Durante o século III d.C., diversos povos dominados por Roma entraram em revolta permanente, especialmente no Oriente (contra os persas) e no Ocidente (contra as tribos germânicas). Nos 50 anos seguintes, os militares passaram a exercer um papel decisivo na escolha dos imperadores, tornando-se um elemento desestabilizador; nesse período, mais de 20 imperadores ascenderam ao poder.
Em 212 d.C., o imperador Antonino Caracala concedeu a cidadania romana a todos os habitantes do Império, o que resultou em uma gradual perda dos valores e tradições republicanas.
A Origem do Termo "Dominus"
A palavra deriva do latim dominus, que significa senhor ou mestre — termo utilizado por proprietários em relação aos seus escravos. Embora tenha sido usado servilmente para tratar imperadores da dinastia Júlio-Claudiana, nunca foi um título oficial; Tibério, inclusive, vilipendiou abertamente o uso do termo. O título tornou-se comum a partir de Diocleciano, sendo a escolha lógica para encabeçar a lista de governantes do Dominato. É neste momento que surgem em moedas e inscrições as palavras Noster Dominus ("Nosso Senhor").
Do Principado ao Dominato
A primeira fase do governo imperial, conhecida como Principado, mantinha as formalidades da República. Esse período encerrou-se com a Crise do Terceiro Século (235–284 d.C.), que terminou com a ascensão de Diocleciano. Ele introduziu um novo sistema de governo: a Tetrarquia (governo de quatro pessoas). Os imperadores abandonaram o título de princeps, adotando um estilo de governo helenístico, influenciado pelo culto às divindades orientais e egípcias, afastando-se da tradição de cooperação civil da República Romana.
Status Divino e Majestade
Mais importante que o título foi a adoção do status divino como Divus, originalmente uma homenagem póstuma concedida pelo Senado, que passou a ser um privilégio em vida do imperador. Outro sinal da elevação do status imperial foi a incorporação do conceito de majestade de Roma, permitindo que qualquer crime contra o imperador fosse punido como alta traição.
Atualmente, historiadores rejeitam a ideia de uma transição abrupta entre o Principado e o Dominato, preferindo descrevê-la como uma transformação sutil e gradual, na qual as reformas de Diocleciano representam apenas um ponto em um longo processo histórico.