Douglas Engelbart e a Humanização da Informática

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Desde a metade dos anos cinquenta, Douglas Engelbart, diretor do Augmentation Research Center (ARC) do Stanford Research Institute, imaginou programas para comunicação e trabalho coletivos, hoje chamados de groupwares. Algumas de suas ideias foram postas em prática e comercializadas pela Xerox, Apple e Sun Microsystems na metade dos anos oitenta, por intermédio de engenheiros que colaboraram no ARC.

Observando os primeiros monstros informáticos em salas refrigeradas, ele teve a visão de coletividades reunidas pela nova máquina: homens diante de telas, falando com interlocutores distantes ou trabalhando em silêncio frente a símbolos animados.

A Micropolítica das Interfaces

A micropolítica das interfaces, à qual Engelbart se dedicou, conecta os construtos heteróclitos dos aparelhos eletrônicos à rede de módulos que compõem o sistema cognitivo humano. O princípio de coerência das interfaces ilustra essa noção estratégica de longo prazo.

A crença na necessidade de uma comunicação intuitiva, metafórica e sensoriomotora — em vez de abstrata e rigidamente codificada — contribuiu para "humanizar a máquina". Essas camadas técnicas tornaram os complexos agenciamentos de tecnologias intelectuais mais amáveis e imbricados ao sistema cognitivo humano.

O Papel Social do Engenheiro

Douglas Engelbart foi um participante ativo no debate sobre os usos sociais da informática. Segundo ele, os agenciamentos de mídias, tecnologias intelectuais e métodos de trabalho condicionam a maneira de pensar e funcionar em grupo. Ele via no computador um instrumento para "aumentar" o funcionamento dos grupos.

O estilo tecnológico de Engelbart caracteriza-se por:

  • Perfeita adaptação das interfaces às peculiaridades cognitivas humanas;
  • Extrema atenção às reações dos usuários de protótipos;
  • Ênfase em métodos progressivos para instalar novas tecnologias.

Ecologia Cognitiva e Design

A futura disciplina estaria encarregada dos equipamentos coletivos da inteligência, estruturando espaços cognitivos assim como arquitetos definem o espaço físico. É preciso deslocar a ênfase do objeto (o computador) para o projeto (o ambiente cognitivo e a rede de relações humanas).

O virtuosismo técnico só produz efeito completo quando desloca os eixos das relações entre homens e máquinas, reorganizando a ecologia cognitiva como um todo. Separar o conhecimento das máquinas da competência social é criar um abismo artificial entre o informata "puro" e o especialista em ciências humanas.

A Informática como Hipertexto

A "máquina" rígida foi substituída por um agenciamento instável de circuitos, programas e interfaces. Como cada nova camada transforma o funcionamento do conjunto, o computador assume a estrutura de um hipertexto. Os usos constituem conexões suplementares, estendendo esse hipertexto e reinventando o significado dos elementos conectados.

Em última análise, a verdadeira crítica não opõe homem e máquina, mas situa-se no terreno técnico, transformando a substância das coisas. O espaço das interações sensório-intelectuais, embora menos perceptível que o espaço físico, exige o dever de ser tornado habitável.

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