A Dúvida Metódica e o Racionalismo de René Descartes

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Na sua dúvida metódica, Descartes — que foi um filósofo, matemático francês e físico racionalista — acreditava que a razão é a principal fonte de conhecimento. Como a razão não possui limites, o desafio é possuir um método adequado para conduzi-la corretamente e chegar a um conhecimento verdadeiro, no qual os primeiros princípios do conhecimento são as ideias inatas desenvolvidas pela razão, e o conhecimento do método dedutivo é encontrado na matemática.

Assim, o objetivo do projeto filosófico cartesiano era alcançar o conhecimento geral em filosofia com uma certeza semelhante à da matemática, utilizando o método dedutivo. Assim como para Descartes, o principal objetivo de sua filosofia foi resolver a origem e o fundamento do conhecimento e estabelecer uma filosofia como ciência rigorosa, seguindo o modelo da matemática, que o atraía por sua clareza e segurança, fornecendo um método para alcançar esse objetivo que se enquadra na estrutura e na forma correta de proceder.

As formas em que opera a razão natural (tipos de conhecimento) são:

  • A intuição: um certo conhecimento que não deixa margem para dúvidas, pois não envolve nem os sentidos nem a imaginação.
  • A dedução: em que a intuição é uma espécie de sucessão que nos dá a certeza, embora a intuição seja superior porque a captura do conhecimento é direta.

Portanto, estes dois modos de conhecimento, através das regras do método, devem ser dirigidos para descobrir verdades indubitáveis. Estas regras são as seguintes:

  • A evidência: onde os conhecimentos devem ser admitidos apenas se apresentados com clareza e distinção que não nos façam duvidar;
  • A análise: que consiste em dividir as ideias complexas em simples para saber se elas são verdadeiras;
  • A síntese: onde, a partir de elementos simples conhecidos por intuição, devemos reconstruir o conhecimento dedutivo;
  • A enumeração (ou revisão): em que temos de fazer um balanço das medidas tomadas para verificar se a aplicação das duas regras intermediárias foi feita adequadamente.

Quando se possui o método, ele tem que ser aplicado no início do processo de dúvida, não aceitando as coisas como verdade para poder encontrar um princípio certo e evidente. Então, a questão é um método de busca de certezas, conhecido como dúvida metódica, que tem três níveis:

  1. A confiabilidade do conhecimento sensível, perguntando por que os sentidos nos enganam muitas vezes;
  2. A incapacidade de distinguir a vigília do sono, que nos permite duvidar do mundo exterior, do conhecimento fornecido pelos sentidos e da existência de tais coisas;
  3. A hipótese do gênio maligno (dúvida hiperbólica), que sugere que poderia existir um gênio do mal dotado de um poder superior dedicado a enganar-nos, fazendo-nos crer como verdadeiro o que não é. Portanto, com esta hipótese, questiona-se o conhecimento e a capacidade de saber, permitindo duvidar até da segurança das verdades matemáticas.

Mas é aqui que surge a primeira verdade: "Cogito, ergo sum" (Penso, logo existo). A existência do "eu" como uma coisa pensante é algo de que é impossível duvidar. Para Descartes, esta é a verdade primeira, e ele enfrenta o problema de ter que deduzir a existência da realidade a partir da existência do pensamento; para isso, terá que afirmar a existência de Deus a partir da ideia de perfeição e de infinito.

Finalmente, com a dúvida metódica, o ceticismo é demolido e o critério de precisão é obtido a partir da primeira verdade descoberta através do exercício da dúvida metódica, onde a verdade é aquilo que se apresenta de maneira clara e distinta.

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