A Eclosão da Guerra Civil Espanhola e a Sublevação

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1. A Guerra Civil: A eclosão da guerra e a sublevação. O conflito foi iniciado em Melilla (1936) e rapidamente transmitido para todo o protetorado de Marrocos, e posteriormente para a Península e arquipélagos, enquanto o governo de Casares Quiroga reagiu lentamente. O cérebro principal da revolta foi formado pelos generais Mola, Franco e Sanjurjo. Franco deslocou-se das Ilhas Canárias para o Marrocos para assumir o comando da Legião. Após o acidente de avião que matou Sanjurjo, formou-se o Conselho de Defesa Nacional para dirigir as operações militares do lado nacional.

2. O golpe e sua expansão. O golpe triunfou na Galiza, Castela e Leão, Navarra (com o General Mola em Pamplona), Andaluzia Ocidental (com Queipo de Llano em Sevilha), Ilhas Baleares (exceto Menorca, com o General Goded, que mais tarde mudou-se para Barcelona para cuidar da insurreição) e nas Ilhas Canárias, onde Franco, depois de garantir a vitória do golpe de Estado no arquipélago, viajou ao Marrocos no dia 19 para dirigir o Exército de África. Também triunfou em enclaves isolados como Oviedo, com o General Aranda; Granada, local do assassinato de Federico García Lorca; e Saragoça, com o General Cabanellas.

O golpe falhou nas Astúrias, Cantábria e parte do País Basco (onde o PNV finalmente colaborou com a República), Catalunha, Valência, Madrid, Castela-Mancha, Múrcia e Andaluzia Oriental. As falhas mais graves ocorreram em Madrid, onde o novo presidente Giral deu armas às milícias de trabalhadores, e em Barcelona, onde uma colaboração inusitada dos trabalhadores da CNT com a Guarda Civil e a Guarda de Assalto cancelou a insurreição. Em geral, exceto em Navarra e Castela e Leão, a revolta não teve apoio popular e baseou-se em insurreições militares.

3. Recursos geográficos e militares. Cada um dos lados possuía diferentes recursos:

  • A zona nacional: Tinha um exército muito mais preparado, pois possuía divisões integradas em Castela, Galiza e Andaluzia, contando com a Legião e os Regulares.
  • A zona republicana: Incluía áreas industriais e detinha as reservas de ouro do Banco de Espanha. No entanto, as unidades do exército foram praticamente desmanteladas, embora a força aérea e a marinha tenham permanecido nas mãos do governo republicano.

4. Repressão. Após o golpe, desencadeou-se uma repressão maciça. Na área nacional, contra militantes operários, camponeses e intelectuais; na área republicana, a repressão foi sofrida por sacerdotes e pelas classes ricas. José Antonio Primo de Rivera, enquanto prisioneiro de guerra, foi julgado e executado. Após o caos inicial, o governo passou a controlar a repressão, que se atenuou gradualmente.

5. Internacionalização. O conflito teve grande impacto internacional, cruzando interesses estratégicos das potências e o compromisso ideológico entre o fascismo e o comunismo. As grandes democracias não quiseram correr o risco de uma nova guerra e mantiveram-se neutras, buscando uma política de conciliação com Hitler através da criação do Comitê de Não Intervenção.

A comissão baseou-se em não fornecer homens ou material de guerra para os dois lados em conflito, mas, na verdade, foi uma farsa: as potências fascistas prestaram assistência importante a Franco, visando benefícios estratégicos na região do Mediterrâneo. Por outro lado, a União Soviética apoiou a República desde o início. O governo dos EUA declarou-se neutro, apesar de empresas petrolíferas norte-americanas venderem combustível para Franco. A assistência externa desigual foi fundamental para a vitória nacional, que recebeu apoio aéreo, tropas e equipamentos, aumentando a superioridade da Legião. Além disso, a colaboração de Portugal permitiu a livre passagem de armas pelo território luso.

O bando republicano recebeu armas da França no início, mas após o Pacto de Não Intervenção, a ajuda soviética (que chegou para a defesa de Madrid) foi muito mais dispersa e de menor qualidade. Também recebeu o apoio das Brigadas Internacionais, formadas por grupos de voluntários (nem todos comunistas) recrutados pela Internacional Comunista em muitos países. Foram cerca de quarenta mil combatentes e desempenharam um papel importante na defesa de Madrid e nas batalhas de Jarama e Teruel.

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