A Economia da Espanha sob o Regime de Franco
Classificado em História
Escrito em em
português com um tamanho de 6,3 KB
Com o fim da Guerra Civil, o lado rebelde impôs seu modelo político e ideológico, que pode ser caracterizado como uma ditadura militar baseada no nacionalismo espanhol. O regime incorporou ideias da Falange, o conservadorismo do catolicismo tradicional e a negação do reformismo republicano, visando evitar o liberalismo, o comunismo, o antisseparatismo e o anticatolicismo.
Durante os anos de Franco, a economia passou por duas fases: a primeira, de 1939 a 1959, a autarquia; e a segunda, de 1959 a 1975, chamada de desenvolvimentista, tecnocrática ou planejamento indicativo.
A fase da autarquia é assim chamada porque o objetivo era a autossuficiência. O estabelecimento das políticas autárquicas resultou da combinação dos seguintes fatores: a destruição após a Guerra Civil, a falta de capital para investir e comprar, o início da Segunda Guerra Mundial, o posterior isolamento do regime em 1945 pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial, a culminação de tendências protecionistas e o interesse político em praticar essa política para consolidar a ditadura.
Nestas circunstâncias, a política econômica autárquica foi o melhor ajuste. No Doc. 1, um texto de Franco sobre os fundamentos e diretrizes do plano de recuperação para a economia refere-se aos problemas enfrentados. O texto sintetiza o déficit na balança de pagamentos: comprava-se muito fora da Espanha sem a devida compensação por vendas no exterior, drenando o capital da Espanha e produzindo um saldo deficitário insustentável. Neste contexto, era necessário reduzir as compras e manter a economia funcionando, o que exigia:
- O controle rigoroso do comércio externo para reduzir as importações, como observado no texto (n.os 1 e 2), para eliminar as importações não essenciais e reduzir aquelas que fossem possíveis.
- O desenvolvimento rápido da indústria para assegurar a autossuficiência. Tentou-se produzir na Espanha para impedir as importações.
- Com relação à agricultura: tentou-se impulsioná-la, mas a ausência de fertilizantes, máquinas e a baixa produtividade, somadas à seca, causaram resultados negativos.
Os resultados desta política autárquica foram negativos; restrições, regulamentação e intervenção conduziram a uma situação de atraso e estagnação. Os níveis de produção foram muito baixos. O desabastecimento impôs o racionamento, obrigando a população a recorrer ao mercado negro (estraperlo). Como observado por J.L. García Delgado no Doc. 2, a autarquia marcou o auge do fracasso econômico iniciado no último terço do século XIX, correndo paralelamente ao retrocesso político e social.
Essa situação era insustentável, então o sistema buscou uma solução. Isto veio através da ajuda internacional e do fim do bloqueio, juntamente com uma boa colheita na agricultura, que permitiu acabar com o racionamento.
A política de Franco foi favorável aos interesses americanos no contexto da Guerra Fria, o que permitiu o início da ajuda financeira. A ajuda recebida desde 1950 culminou no acordo hispano-americano de 1953 para o uso de bases militares em troca de dinheiro, máquinas e comida. Na época, começou um boom econômico, mas a economia espanhola ainda necessitava de ajuda externa e integração no mercado internacional para desenvolver o capitalismo.
Por estas razões, desde 1957, começou a produzir-se uma mudança de regime. Franco, em 1957, formou um novo governo composto por tecnocratas ligados ao Opus Dei, que propuseram medidas para estabilizar a economia, resultando, em 1959, no Plano de Estabilização (Doc. 3).
Como observado no Doc. 3, uma vez superados os problemas de reconstrução econômica após a Guerra de Libertação, era necessário dar mais liberdade, mantendo o controle estatal.
Para atingir as metas traçadas no plano de estabilização, o Estado desenvolveu um planejamento indicativo. Os planos procuravam definir o crescimento da economia, especialmente a indústria, e em algumas áreas que estavam em atraso, mas tinham potencial para crescimento.
O planejamento foi um grande sucesso, com taxas de crescimento médio de cerca de 7% ao ano (maior do que o resto da Europa). Todos os setores econômicos cresceram.
Este enorme crescimento da economia foi apresentado pelo regime como o "milagre espanhol". Um exemplo deste "milagre" foi o crescimento do setor automobilístico, com o desenvolvimento de indústrias como a SEAT, que produziu o lendário SEAT 600 (Doc. 4), introduzido pelo regime como o carro que qualquer espanhol poderia adquirir.
O sucesso no desenvolvimento e planejamento foi impulsionado pela entrada de capital proveniente da emigração e do turismo.
- Emigração: No Doc. 5, há uma tabela que mostra a migração de 1951-1980. Vemos um forte aumento e redistribuição da América para a Europa devido à recuperação pós-Segunda Guerra Mundial. O período de migração caiu entre 1971-1980 devido à melhora das condições na Espanha e à crise de 1973. A emigração agiu como uma válvula de escape para o desemprego e a tensão sobre os salários. Os efeitos foram: diminuição do desemprego na Espanha, entrada de divisas e aumento do consumo interno (pela transferência de dinheiro dos emigrantes).
- Turismo: No Doc. 6, vemos o elemento-chave do "milagre espanhol". O número de turistas passou de 1 milhão em 1952 para 34,5 milhões em 1973, conforme mostrado na tabela.
O auge desta fase de desenvolvimento ocorreu em 1975, motivado pela crise global iniciada em 1973 e pela morte de Franco. Nestas circunstâncias, o conjunto da economia caiu em uma profunda crise de estagnação e inflação.