Édipo Rei: A Tragédia e o Inconsciente na Psicanálise
Classificado em Psicologia e Sociologia
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FACULDADE ESTÁCIO DA AMAZÔNIA
CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO
Turma: Pós-Graduação em Direito Penal e Processo Penal
Disciplina: Justiça Penal Consensual e Justiça Restaurativa
Professor: Raimundo Gomes
Acadêmicos: Francisco Rogério Gomes da Silva
Resumo Analítico: Édipo Rei e a Tragédia do Inconsciente
Esta dissertação pretende apresentar o que é o trágico para a psicanálise, relacionando-o com o que Freud definiu como Complexo de Édipo, ao mostrar o sujeito em conflito com suas ações. O Complexo de Édipo, conceito central da psicanálise, é a estrutura de organização do psiquismo humano, pois é através dele que o sujeito se constitui. Nesse sentido, as primeiras relações travadas entre o sujeito e aqueles que o rodeiam permitirão a criação da realidade psíquica.
A família, como primeiro grupo no qual o sujeito é inserido, desempenha um papel primordial na transmissão da cultura e da linguagem. Com isso, a família preside os processos fundamentais do desenvolvimento psíquico, transmitindo a estrutura do comportamento e das representações inconscientes. É ela que estabelece, entre as gerações, uma continuidade psíquica, na qual os complexos desempenham um papel organizador.
A Realidade Psíquica e o Complexo de Édipo
Freud, antes de teorizar sobre o Complexo de Édipo, iniciou seu estudo partindo da ideia de que seus pacientes desenvolviam sintomas a partir de um trauma real. Muitas vezes eram relatados abusos sexuais que teriam sido cometidos pelos próprios pais, o que Freud percebeu tratar-se de aspectos fantasiosos — conflitos psíquicos elaborados através de uma fantasia construída em torno das relações familiares. Freud descobriu, então, haver uma outra realidade além daquela vivenciada no cotidiano: a realidade psíquica.
O conflito do sujeito é materializado pelo complexo da família conjugal, de forma que a psicanálise reconhece na estrutura familiar um poder que ultrapassa o seu papel de educar a criança (Lacan, Os complexos familiares na formação do indivíduo). Freud, ao escutar seus pacientes, percebeu que os sintomas estavam ligados àquilo que o sujeito não consegue elaborar simbolicamente a respeito do desejo que o constitui.
A Função da Arte e do Mito
Ao perceber o valor da fantasia na vida psíquica e sua direta relação com os sintomas, Freud recorreu aos artistas, por constatar que suas obras trazem, no cerne das tramas, os elementos estruturais do inconsciente. Os poetas traduzem os elementos estruturantes e atemporais do inconsciente a partir dos enredos que criam, assemelhando-se aos romances familiares desenvolvidos pelos analisantes na clínica.
- Universalidade: A peça de Sófocles traz os elementos do romance familiar fantasiado pelo neurótico.
- Identificação: O espectador identifica-se com a trama porque ela contém elementos de suas próprias fantasias.
- Linguagem: O inconsciente, estruturado como uma linguagem, exige ser decifrado e simbolizado.
Conclusão
Freud percebeu o mito de Édipo, trabalhado na obra de Sófocles, como expressão das fantasias inconscientes, alcançando o seu núcleo trágico por ser a expressão poética das primitivas pulsões humanas e dos mais profundos desejos da civilização. A arte e a análise se encontram na possibilidade de transformar as fantasias em obra de ficção, ao dar expressão aos desejos, pois a cena trágica, da mesma forma que a "outra cena", é representada pela linguagem no campo pulsional, que se articula ao redor do centro de desconhecimento do ser.