Educação Cívica, Ambiental e Intercultural

Psicologia e sociologia35,23 KB

ITEM 4: QUESTÕES POTPOURRI!

A Educação Cívica

Educação cívica e a vida em comum:

A existência humana deve ter um significado, um sentido que iremos definir e construir juntos. Por isso, devemos:

  • Rejeitar a doutrinação, o dogmatismo e o fundamentalismo.
  • Isso não significa escolher o vácuo de valores (onde tudo vale).
  • A coexistência pacífica deve ser baseada na ética mínima (o patamar moral mínimo para ser aceito por todos, sem o qual a convivência é impossível).
  • Ética: o mínimo denominador comum do ser humano.

Viver juntos. Implicações:

O Conselho da Europa recomenda a aquisição de competências básicas para viver e participar na sociedade:

  • Conhecimento das instituições democráticas e o seu funcionamento.
  • Participação e cooperação na sociedade. A educação deve ensinar valores para fundamentar a convivência cidadã.

Sociedade democrática e cidadania:

Cidadania: Governança da convivência, não a partir de uma autoridade centralizada, mas como o trabalho coletivo de todos os que dela participam.

Sentidos da cidadania:

  • Comportamento adequado e respeitoso entre os membros de um grupo e com os de fora.
  • Cultura pública de convivência (segundo V. Camps).

Cidadania como comportamento adequado e respeitoso: Refere-se ao aspecto processual, à maneira de agir.

Cidadania e cultura pública de convivência: Refere-se às maneiras de avançar com uma base moral (e não apenas formal). Neste contexto, as regras são expressões de princípios, valores, crenças e atitudes em relação aos outros. A civilidade estabelece as regras que regem as situações cotidianas.

Democracia:

A democracia é definida:

  • Dependendo do tipo de governo: "Governo do povo para o povo".
  • Referindo-se ao estilo de vida: Defesa dos direitos humanos e das minorias.

Na raiz de toda verdadeira democracia está a proteção dos Direitos Humanos e, portanto, das minorias, superando assim a definição clássica de democracia como mero "governo do povo para o povo".

A vida democrática implica:

  • Primazia dos interesses comuns sobre os individuais.
  • Respeito às normas (leis, direitos alheios...) para com os outros e para conosco mesmos.
  • Compromisso (participação ativa).
  • Informação.
  • Colaboração.
  • Tomada de decisões.
  • Participação ativa (partidos políticos, ONGs, instituições educacionais, voluntariado...).

Não é possível estabelecer a democracia sob a neutralidade de valores ou sob um relativismo absoluto. Qual seria a base de transmissão de valores cívicos na educação? A Constituição deve garantir certos valores que derivam da universalidade dos direitos humanos.

Educação para a cidadania:

Áreas:

  • Ser: dimensão individual.
  • Cidadania ativa: dimensão social.

Ser um bom cidadão envolve valores como a autoestima, autonomia, solidariedade e esforço pessoal.

Cidadania:

  • Significa mais do que mera aceitação passiva.
  • Não é apenas socialização.
  • Não se resume a boas maneiras ou civilidade.
  • Não envolve imposição, mas sim aceitação e participação.
  • Envolve viver humanamente (conviver).

Convivência e Gestão de Conflitos em Sala de Aula

Situação atual da "violência escolar":

É um problema global. Não se deve reduzir a violência escolar apenas ao bullying. Apesar das diferenças metodológicas para realizar comparações, existem tendências claras:

  • Graus variados de incidência.
  • Maior frequência de eventos de gravidade moderada.
  • Predomínio do sexo masculino entre os envolvidos.
  • A faixa etária de risco está entre 12 e 16 anos.
  • O recreio é geralmente o local de maior incidência.
  • Tendência a ocultar os fatos.

A situação atual na Espanha:

  • Tipos de agressão: Existem diferentes classificações, incluindo ameaças, abuso físico e assédio sexual, com percentagens variáveis nos estudos.
  • Reações: 25% das vítimas não comunicam o ocorrido; 90% dos colegas são informados; metade não faz nada por achar que não é problema seu (21%) ou por não saber o que fazer (32%). As ações do professor incluem diálogo, aconselhamento, orientação familiar e encaminhamento ao conselho de direção.
  • Outras áreas de interesse: Continuidade das agressões durante o ano letivo (60%); 16% são tolerantes com a violência; os agressores costumam ser da mesma classe ou de turmas superiores; há efeitos adversos graves a curto e longo prazo.

A situação na Espanha não atinge as taxas extremas de outros países, mas a deterioração da convivência escolar é notável, demonstrando a necessidade urgente de uma educação integral e global com foco em valores.

O que se entende por violência escolar?

Violência: Um ato aprendido, evitável, com efeitos negativos, não negociável, seja ele acidental ou intencional.

Mito: A ideia de que a violência é um fenômeno novo e exclusivo da juventude atual ou da escola, de que os ataques ocorrem com maior frequência e gravidade do que em outros âmbitos, e de que seus efeitos exigem medidas drásticas, imediatas e milagrosas.

Características: É aprendida pela experiência, evitável, caracteriza-se pelo uso intencional da força, possui valor cultural negativo e é um fenômeno complexo (multicausal e mascarado).

O que se entende por agressão?

Agressividade: O impulso natural que dá coragem e bravura, garantindo a nossa sobrevivência; não é, a priori, negativa.

Características: Impulso natural (não aprendido). Existe agressividade positiva (construtiva) e negativa (destrutiva). Agressão = ato de causar dano = Violência.

O que queremos dizer com disciplina?

Indisciplina: Atitude e/ou comportamento aprendido que viola as regras da escola, sendo geralmente comum e de menor gravidade.

Características: Comportamento adquirido. Sua principal característica é a quebra de regras; é subjetivo, comum e potencialmente prejudicial. Disrupção = indisciplina escolar = violência.

O que se entende por bullying?

Bullying: Violência física e psicológica entre alunos, caracterizada por intencionalidade e continuidade.

Características: É uma forma de violência escolar praticada por um ou vários agressores contra uma vítima (alvo de ataques repetidos), caracterizada por uma relação assimétrica e pela manifestação contínua e intencional de agressão.

O que se entende por conflito?

Conflito: O confronto de ideias ou interesses, reais ou aparentes. É inevitável, não é inerentemente negativo e pode ser gerido de forma adequada ou inadequada (sem necessariamente descambar para a agressão).

Características: É um fato real, necessário (positivo), nem sempre resolvido de imediato, subjetivo, imprevisível e parte de um processo global.

Como percebemos o conflito?

Mitos: A percepção de que o conflito é sempre negativo, algo a ser evitado a todo custo, que isola e separa as pessoas como inimigas, ou que é sinônimo de violência.

Percepção positiva: Oportunidade para a resolução de problemas, aprendizado de valores (diálogo, cooperação), desenvolvimento de níveis mais elevados de raciocínio, superação de preconceitos sociais e autoconhecimento.

Por que os conflitos ocorrem?

  • Fatores sociais: Sociedade em rápida mudança (destradicionalização de papéis), individualismo excessivo, supremacia da razão instrumental em detrimento de critérios ético-morais, globalização cultural (geradora de desigualdades), cultura do efêmero e do transitório (tanto material quanto pessoal), consumo de substâncias que promovem a perda de autocontrole e extremismos políticos.
  • Mídia: Proliferação dos meios de comunicação como agentes de socialização concorrentes com a família e a escola. Sua função principal costuma ser informar e entreter, mas frequentemente exibem conteúdos violentos (alto tempo de exposição) e a negatividade da "TV lixo" (demandando monitoramento e controle). Mitos: a TV é a única causa da violência ou, pelo contrário, a televisão não tem efeito algum sobre os telespectadores.
  • Escolas:
    • Características do sistema de ensino: Escolaridade gratuita e obrigatória, busca por uma disciplina democrática e participativa, perda da exclusividade do conhecimento pela escola e tendência social a culpabilizar a instituição escolar.
    • Aspectos organizacionais: Rotatividade e falta de estabilidade da equipe docente, tamanho das turmas e realocação constante de professores.
    • Aspectos do clima escolar: Excesso de burocracia, sobrecarga de conteúdos curriculares, falta de debate sobre controvérsias sociais e dificuldades em lidar com a diversidade estudantil (gerando intolerância).
    • Aspectos do professor: Atitudes diante do conflito (influenciadas por variáveis endógenas ou exógenas), práticas de ensino autoritárias (violência estrutural), tratamento discriminatório e necessidade de equipes de apoio e medidas de diversificação curricular.
  • Relacionamentos:
    • Relações positivas: Promovem o desenvolvimento pessoal e social, a construção de conhecimentos, o aprendizado de atitudes e valores, habilidades de comunicação, construção da identidade, autoconceito e autoestima.
    • Relações negativas: Influência de pares violentos, relações hierárquicas rígidas, dinâmica de "popular versus rejeitado", recusa escolar. Rejeição intencional = agressor; vítima de rejeição = alvo.
  • Características pessoais: Necessidade de poder, características físicas (força), traços de psicoticismo, impulsividade, extremos de autoestima (muito alta ou muito baixa), maior incidência no sexo masculino, faixa etária de risco (12 a 16 anos) e instabilidade emocional.

Quando agir? Na família, na escola, no ambiente social, no grupo de pares...

Como agir? Abordagens pedagógicas:

  • Reforçar comportamentos baseados em valores nos alunos.
  • Promover o respeito nas relações interpessoais.
  • Promover um ambiente escolar e familiar harmonioso.
  • Refletir sobre o próprio comportamento e incentivar o autocontrole.
  • Aprender a ler as emoções do outro.
  • Saber ouvir.
  • Incentivar a empatia e a compaixão para com os outros.
  • Aprender a gerir os conflitos de forma pacífica.

Aprendizado de Normas:

  • Importância das normas na sociedade.
  • Conceito de normas.
  • Promover processos democráticos e o estabelecimento indutivo de normas.
  • Autocontrole e autonomia no cumprimento das regras.
  • Assembleias de grupo.
  • As consequências do descumprimento: para si e para os outros.
  • Estabelecimento de sanções pelo descumprimento.
  • Participação na elaboração das normas.

* Aprender a viver juntos, aprender a ser disciplinado, participativo, envolvido, respeitoso e responsável.

Habilidades Sociais:

  • Habilidades de comunicação: promover espaços de diálogo.
  • Aprender a expressar e ler sentimentos.
  • Assertividade.
  • Descoberta da linguagem corporal.
  • Diálogo acolhedor: respeitar o outro antes mesmo de falar.

Educação para a Responsabilidade:

  • Ninguém deve ser indiferente.
  • Respeito pelas pessoas, independentemente de suas ideias, crenças ou cultura.

Construção da Autoestima:

  • Conhecer-se melhor.
  • Valorizar o que temos de positivo e aprender a apreciar o positivo nos outros.
  • Admitir a possibilidade de mudança.

Cooperação entre Família e Escola:

  • Ambos os contextos são necessários para a interação.
  • Atividades de ensino integradas e globais (ninguém está isento).
  • Importância da dimensão emocional na família.
  • Alinhamento das atividades educativas.

Paradigmas a Considerar na Educação Ambiental

As difíceis relações entre os seres humanos e a natureza: o conceito de sustentabilidade.

As relações entre o homem e a natureza sempre foram complexas, mas nas últimas décadas a degradação aumentou, resultando na chamada "crise ambiental", baseada na exploração ilimitada dos recursos naturais.

Como resposta a essa crise, surge o conceito de sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável (compatível com o progresso econômico, desde que respeite e preserve o meio ambiente).

Modelo de sustentabilidade focado nos aspectos físicos e naturais do ambiente:

A sensibilidade para os problemas ambientais, impulsionada pelo aumento da poluição global, desperta nas décadas de 1960 e 1970.

  • Surgem os primeiros acordos internacionais para evitar a poluição marinha e cresce a conscientização sobre o esgotamento dos recursos naturais.
  • Começa-se a utilizar conceitos como "qualidade de vida".
  • Realiza-se a primeira "Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano", estabelecendo a necessidade de proteção ambiental em nível global.
  • A Conferência de Estocolmo propõe o desenvolvimento de programas globais de educação ambiental.

Conclusão: A transição de uma visão de crescimento econômico ilimitado e otimismo tecnológico para o nascimento de uma nova consciência sobre a degradação ambiental e a necessidade de conservação.

Modelo de sustentabilidade focado na conservação e proteção dos recursos naturais, da fauna e da flora:

Desenvolve-se entre as décadas de 1970 e 1980. Baseia-se principalmente em:

  • Consciência da necessidade de proteger o meio ambiente.
  • Abordagem de problemas ambientais globais.
  • Proteção do planeta.
  • Questionamento da ideia de que o crescimento econômico pode ser ilimitado.

Como consequência dos ideais deste modelo, ocorreram mudanças importantes, refletidas em:

  • Criação do Terceiro Programa de Ação da Comunidade Europeia para o Meio Ambiente.
  • Primeira alteração ao Tratado de Roma, através do Ato Único Europeu (Título VII: "Ambiente").
  • Elaboração do Relatório Brundtland ("Nosso Futuro Comum").
  • Adoção de uma resolução sobre educação ambiental pelos ministros da Educação da CEE.

Em conclusão, este modelo propõe:

A necessidade de proteger o meio ambiente global, criar programas de intervenção, desenvolver políticas de prevenção, promover a educação ambiental e reduzir a poluição.

Nova ética da sustentabilidade: modelo de desenvolvimento humano:

  • A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92 / Cúpula da Terra) aprovou uma estratégia global de desenvolvimento sustentável baseada na cooperação global, definindo o meio ambiente ecologicamente equilibrado como um direito de todos os seres humanos.
  • O Tratado da União Europeia (Maastricht, 1992) integrou o conceito de desenvolvimento sustentável nas políticas setoriais da UE. Os princípios incluem:
    1. Prevenção da poluição.
    2. Integração dos requisitos ambientais nas legislações europeia e nacionais.
    3. Adoção de medidas de prevenção à poluição nos níveis nacional e comunitário.
    Propõe uma abordagem abrangente para a integração dos requisitos ambientais e de responsabilidade compartilhada nas diversas políticas setoriais.
  • Em 1997, o Tratado de Amsterdã reforçou o desenvolvimento sustentável como uma obrigação para os Estados-membros da UE.
  • A Cúpula de Luxemburgo (1997) buscou estabelecer uma estratégia de implementação dos requisitos do Tratado de Amsterdã.
  • Adoção da "Agenda 2000" para prover o quadro financeiro e orçamentário da UE para implementar o Protocolo de Kyoto, visando reduzir as emissões de gases de efeito estufa no período de 2008 a 2012.
  • Em 2002, a UE instou a criação de conselhos de educação, turismo, pesquisa e saúde para desenvolver estratégias que integrem considerações ambientais em suas ações.
  • A educação como motor do desenvolvimento sustentável: com base na Resolução 57/254 da ONU, busca-se melhorar a qualidade do ensino, destacando a educação como elemento indispensável para o sucesso da sustentabilidade.

O problema ambiental como um desafio sócio-moral:

Não se deve negligenciar o cuidado com o meio ambiente. Nos últimos anos, a ação humana concentrou-se na exploração máxima dos recursos terrestres, ignorando as graves consequências geradas.

Conceito de Educação Ambiental (EA):

  • Décadas de 1960 e 1970:
    • A década de 1960 marca o ponto de partida para esse tipo de ensino, despertando a sensibilização para a degradação ambiental.
    • A década de 1970 consolida a preocupação global com as condições ambientais. É nesse período que se cunha e utiliza o conceito de educação ambiental sob diferentes vertentes (ambientalista, conservacionista, naturalista e ecológica).
    • Começam a ser desenvolvidos projetos voltados para a ecologia e as ciências naturais, estabelecendo os princípios básicos da EA: a interação entre sociedade, ambiente e desenvolvimento.
  • Décadas de 1980 e 1990:
    • Nos anos 1980, a EA é formalizada em programas governamentais, refletindo a preocupação mundial com o meio ambiente.
    • Na Espanha, com a consolidação das Comunidades Autônomas, surgem inúmeros programas sob o rótulo de "educação ambiental". Após a Conferência de Moscou em 1987, ocorre um verdadeiro "boom" de ações públicas e privadas para fortalecer a área.
    • Na década de 1990, a educação ambiental atinge seu auge, passando a ser também denominada "Educação para o Desenvolvimento Sustentável", com forte ênfase em valores, mudança de atitudes e adoção de comportamentos sustentáveis.
  • Anos 2000 em diante:

    A partir dos anos 2000, o conceito se expande para incluir temas como:

    • Erradicação da pobreza
    • Saúde pública
    • Segurança alimentar
    • Democracia
    • Direitos humanos
    • Paz

    Esses temas complementam a dimensão ambiental, comprometendo-se com uma sociedade sustentável, ética e moral, tendo a cultura como pilar fundamental.

O que fazer?

A educação ambiental implica considerar não apenas os problemas clássicos (poluição, descarte de resíduos, conservação de energia, conscientização sobre a água e preservação da natureza), mas também os determinantes sociais, culturais e econômicos. A chave está na escolha de um modelo de desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

O que devemos e podemos fazer?

  • Dimensão Ético-Moral:
    • Conscientizar a população sobre a importância de cuidar do nosso planeta é a tarefa mais complexa e crucial, pois dela depende todo o resto.
    • Aprender a respeitar os outros seres vivos que habitam o planeta.
  • Dimensão Técnico-Científica:
    • Incentivar o uso de energias renováveis, buscando preservar os recursos finitos que pertencem a todos.
    • Evitar o uso de fontes de energia altamente agressivas ao meio ambiente.
    • Promover a reciclagem de plásticos, papel e embalagens por meio da coleta seletiva, visando sua reutilização.

Propostas Educacionais:

As diretrizes que devemos seguir para desenvolver uma cultura ambiental são:

  • Capacitar os cidadãos para proteger e conservar os recursos naturais, ensinando-os a admirar e amar todas as formas de vida.
  • Conscientizar de que a preocupação com o próximo inclui, prioritariamente, o cuidado e a melhoria do ambiente em que todos somos chamados a viver hoje e amanhã.
  • Desmercantilizar as relações humanas.
  • Afirmar a cultura do dom e do respeito em relação aos bens da natureza.
  • Princípio fundamental: a humanidade deve subsistir, e com ela a natureza.

Orientações Pedagógicas:

  • Desenvolver uma competência moral nos indivíduos para construir uma nova cultura ambiental, equiparando a competência racional à competência moral.
  • Promover um novo pensamento ecológico, no qual as relações dialéticas e racionais convivem harmoniosamente.
  • Por fim, encontramos o ser humano como sujeito responsável pela manutenção das condições de vida de todos os seres. Sobre este ponto, destacam-se as diferentes definições pedagógicas:
    • A pedagogia geral, cujo objeto principal de estudo é a educação.
    • A pedagogia ambiental, voltada para o estudo da sustentabilidade humana e planetária.
  • Mudança de estilo de vida: os cidadãos devem assumir a responsabilidade por seus comportamentos, conscientizando-se de que o "outro" e os "outros" não nos podem ser indiferentes.
  • Ações voltadas ao bem comum: o compromisso ético e político com o ambiente natural e social deve ir além dos muros da sala de aula.

Interdisciplinaridade:

A interdisciplinaridade é a qualidade do que é interdisciplinar (realizado com a colaboração de várias disciplinas). Ela implica a existência de um conjunto de disciplinas relacionadas entre si, com conexões bem definidas que impedem o desenvolvimento de atividades de forma isolada, dispersa ou fragmentada.

  • Cadeia de causa e efeito.
  • Visão global.
  • Internacionalismo.
  • Nova ética.
  • Ação prática.

A Educação Intercultural

Contexto Atual:

  • Momento histórico de grandes transformações e complexidade.
  • Insegurança em relação ao futuro.
  • Perplexidade diante das crises globais.
  • Consciência de transição e encruzilhada cultural.
  • Incerteza generalizada.

A Transição da Modernidade para a Pós-Modernidade:

A Modernidade:

  • Origem: transição a partir do Renascimento.
  • Consolidação: século XVII, com a centralidade do pensamento antropocêntrico.
  • Características: a razão contraposta ao mito; a razão forte, tida como certa e infalível.
  • Século XVII: A Idade da Razão.
  • Século XVIII: O Iluminismo (busca por uma sociedade racional e consolidação da ciência emergente).

Manifestações da Modernidade Iluminista:

  • Emancipação humana: a autolibertação por meio da razão e da autocrítica.
  • Ideia de progresso: convicção de que a humanidade caminha para o aperfeiçoamento constante (sentido emancipatório da história).
  • Rousseau: "O desenvolvimento histórico não foi puramente positivo, nem é automático" (ambivalência do homem e da realidade histórico-cultural).

Conquistas do Iluminismo:

  • Democracia parlamentar.
  • Educação acessível a todos.
  • Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão no marco da Revolução Francesa.
  • Autocrítica: a radicalização crítica do desenvolvimento sociocultural com base na denúncia da exploração econômica (Marx), da repressão psicológica (Freud) e das dinâmicas de poder (Nietzsche).

A Crise do Projeto Modernista (Século XX):

  • Experiência da barbárie irracional (Primeira e Segunda Guerras Mundiais).
  • Os ideais iluministas são traumaticamente negados (evidenciado pela barbárie nazista).
  • Confrontos geopolíticos entre blocos.

O Pós-Modernismo:

O pós-modernismo é impulsionado por:

  • Consciência dos paradoxos da modernidade.
  • Crise da razão instrumental.

Consequências da crise da razão instrumental:

  • Relativismo, ceticismo, crise ou ausência de valores fundamentais.
  • Surgimento de fundamentalismos.
  • Busca de soluções mágicas para problemas complexos.

Origem: Consciência das graves ameaças geradas pelo próprio modelo civilizatório moderno.

Características:

  • Mudanças profundas na ideologia e na economia.
  • Capitalismo de consumo (em transição do foco na produção).
  • Reestruturação social.
  • Desemprego estrutural.
  • Crise ecológica.
  • Queda dos regimes soviéticos e surgimento de sociedades pós-comunistas sob o capitalismo selvagem.
  • Ameaças globais.
  • Culto ao corpo.
  • Avanço de tensões sociais, misturando racismo e xenofobia.

Atitudes Diante da Pós-Modernidade:

Perspectiva Pós-Modernista (Lyotard, Vattimo, etc.):

  • A modernidade, com todos os seus grandes relatos, fracassou.
  • O fracasso da razão como guia universal "produziu monstros".
  • Subjetivismo, particularismo e relativismo moral (politeísmo axiológico).

Perspectiva Neoiluminista / Reilustrada (Apel, Habermas):

  • A modernidade não fracassou por completo, mas é um projeto inacabado.
  • Defesa da razão dialógica, consciente de seus limites, como instrumento de avaliação moral.
  • Aplicação de um sentido emancipatório à história por meio da ética discursiva.
  • Diante da crise, busca-se resgatar valores que promovam a humanização contra o vazio de sentido.

Chave Humanista para a Educação Intercultural:

  • Reafirmação do indivíduo concreto e de sua humanidade como valor supremo.
  • Valorização da democracia e de seus princípios fundamentais.
  • Os valores como foco principal da abordagem e orientação educacional.

Valores do ethos democrático (segundo Pérez Tapias):

  • Responsabilidade: o avesso da liberdade.
  • Tolerância dialógica: para promover a cidadania comum.
  • Razoabilidade: o exercício prudente da razão.
  • Coerência: harmonia entre pensamento e ação.
  • Honestidade: fruto da sinceridade e da integridade.
  • Austeridade: para enfrentar as desigualdades.
  • Disponibilidade: generosidade no compromisso.
  • Participação: engajamento pessoal.
  • Esperança ativa diante do risco.
  • Afirmação da confiança contra a angústia do vazio de sentido.

Cultura: Conceito e Características:

  • Sociedade Tradicional: compacta e estruturada.
  • Sociedade da Informação: hiperconectada e heterogênea.
  • A globalização e as migrações são dois fenômenos globais marcados por paradoxos:
    • Multiculturalidade frente à pressão homogeneizadora.
    • Hiperconexão versus isolamento e exclusão social.
    • Dificuldade de compreender os eventos sociais apesar do excesso de informação.
    • Tolerância paradoxal ao fundamentalismo.

Conceito de Cultura:

Existem duas tendências principais para compreender a cultura:

  • Como o conjunto de produções objetivas que os seres humanos criaram ao longo da história.
  • Como o conjunto de significados pelos quais interpretamos a realidade (um sistema de símbolos que nos afeta e nos permite compreender o mundo, sendo singular para cada grupo).

Cultura: Conjunto de significados compartilhados e duradouros, adquiridos pela pertença a um grupo, que orientam a interpretação dos estímulos ambientais e moldam atitudes e comportamentos valorizados pela comunidade. Esses significados traduzem-se em ações e produções concretas na vida real, indo além de meras abstrações.

Características:

  • Resulta de um aprendizado adquirido.
  • Papel ativo do indivíduo na sua recriação.
  • Assimilação e acomodação da ação cultural no sujeito.
  • Duas funções principais (segundo Bullivant):
    • Função expressiva.
    • Função instrumental.

Importância da Cultura Humana:

Tornar-se humano é tornar-se um indivíduo guiado por padrões culturais e sistemas de significação historicamente criados, que ordenam, sustentam e orientam a nossa vida. Esses padrões não são genéricos, mas específicos de cada cultura (Geertz, 1997).

Multiculturalismo versus Interculturalismo:

  • Multiculturalismo: Coexistência de culturas que mantêm seus valores isoladamente (sociedade em mosaico).
  • Interculturalidade: Integração ativa, superação de barreiras superficiais, reconhecimento dos valores do outro e construção conjunta de uma nova sociedade.

A Violência na Cultura:

  • A diversidade cultural em si não constitui um problema.
  • A homogeneização cultural forçada, por outro lado, é um ato de violência.
  • Paradoxo: retribalização versus destribalização.
  • Violência simbólica:
    • Imposição de valores, costumes, tradições, língua ou religião.
    • Recusa em compartilhar o bem-estar social.
    • Rejeição da singularidade do indivíduo.
  • Racismo cultural: definido como o medo ou a percepção de ameaça de colapso social trazida pelo outro, gerando o fechamento na própria identidade.
    • A presença do outro nos obriga a reconhecer sua existência e seu modo de vida.

Atitudes Diante da Diversidade Cultural:

  • Etnocentrismo: Quando se toma a própria cultura como parâmetro exclusivo para julgar as demais.
  • Relativismo cultural: Reconhecimento positivo do valor de cada cultura, defendendo que cada comunidade tem direito à sua própria identidade.
  • Posição proativa e aberta: Foca nos pontos comuns entre as culturas e não nas disputas, reconhecendo um núcleo de valores fundamentais (como a vida e a integridade física) comum a todos os seres humanos.

A Integração Cultural:

  • A Integração:
    • Implica uma declaração de intenções traduzida em ações concretas, e não apenas em um discurso politicamente correto.
    • Representa uma conquista pessoal e social.
    • Requer a construção de uma nova sociedade baseada em valores comuns (Maalouf, 1999).
    • Apropriação de uma cultura política comum, sem necessidade de sacrificar o estilo de vida de sua cultura de origem (Habermas, 1999).
    • Avaliação constante da própria cultura para determinar o que permanece relevante.
  • A resposta aos estrangeiros e imigrantes deve ser ética; caso contrário, resultará em exclusão e exploração. Assim, as políticas culturais e a educação intercultural devem fundamentar-se obrigatoriamente nos Direitos Humanos.

Educação Intercultural:

  • Modelo aberto focado na integração.
  • Busca pelo valor intrínseco de cada cultura.
  • Representa uma nova forma de compreender o ato educativo.
  • A educação intercultural deve basear-se necessariamente na educação em valores.
  • Educação intercultural voltada ao outro: uma abordagem ética e moral de aceitação mútua.

A Prática da Educação Intercultural: Abordagens Pedagógicas:

Proposta PedagógicaEstratégias
Acolhimento da diversidadeEstratégias socioafetivas (clima de sala de aula, empatia...)
A cultura como relação com o habitatHistórias e contos sobre a existência humana
Minha cultura e meu habitat: relação com a existência concretaClarificação de valores
Valores que constituem a identidade em outras culturasDepoimentos, expressão artística, histórias de vida...
Clima democrático em sala de aulaAprendizagem cooperativa e gestão democrática da sala de aula
Pensamento crítico sobre experiências de tolerância e intolerância culturalDilemas morais
Apoio à família para criar uma atmosfera de compreensão e aceitação das diferenças

Propostas de Ensino:

  • A integração de todos na sala de aula e na sociedade exige, sobretudo, uma mudança de atitudes.
  • Mudar atitudes requer identificar os fatores que geram a rejeição de diferentes culturas na escola e na sociedade.
  • A integração em uma sociedade coesa está intimamente ligada a uma mudança de paradigma na educação intercultural.
  • A integração social deve ser promovida conjuntamente pela escola e pela família.
  • A integração social requer uma educação para a responsabilidade, ou seja, uma sólida educação moral.
  • A integração de diferentes origens étnicas e culturais envolve o desenvolvimento de habilidades de diálogo e comunicação.
  • A integração plena na sociedade exige uma formação política e social.

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