Educação e Reformas no Chile: O Governo de José Miguel Carrera

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Governo de José Miguel Carrera (1812)

O governo de José Miguel Carrera teve como intenção ampliar a cobertura educacional, ordenando que estabelecimentos eclesiásticos, mosteiros e capítulos abrissem escolas primárias. O objetivo era despertar o interesse das massas pelo processo de independência, removendo barreiras sociais, embora sem atingir uma concepção democrática da educação.

Fatores como as rivalidades internas entre patriotas chilenos e a criação da "Aurora do Chile", da Biblioteca Nacional e do Instituto Nacional (derivado do Convictório Carolíngio) foram fundamentais para a propagação de ideias, cultura e o uso de espaços públicos para o ensino.

Regulamento para o Mestre de Primeiras Letras

Este regulamento estabeleceu as bases educacionais no Chile, definindo que:

  • A educação deve ser gratuita;
  • O ensino deve seguir as disposições regulamentares;
  • Escolas para meninas (não mistas) são criadas e anexadas a conventos;
  • Promove-se o ensino privado;
  • Professores devem passar por testes de competência na Câmara Municipal, recebendo isenção de impostos e do serviço militar, além da eliminação da exigência de "pureza de sangue".

Houve também o desejo de implementar o ensino técnico, marcando uma ruptura com o modelo colonial ao separar a fé do conhecimento técnico, enfatizando a responsabilidade do Estado sobre a educação. Contudo, a pobreza e a dispersão populacional dificultaram a meta de estabelecer escolas em todas as localidades com mais de 50 habitantes.

Universidades e o Legado Colonial

As universidades eram prioridade para a Coroa Espanhola, servindo como ferramenta de controle sobre as colônias, e não para o desenvolvimento econômico ou de mão de obra qualificada. No Chile, a partir do século XVII, as instituições focavam na formação de sacerdotes, funcionando essencialmente como oficinas monásticas.

O Século XIX e o Despotismo Esclarecido

Com a mudança de dinastia e a influência do Despotismo Esclarecido no século XVIII, reformas foram implementadas na América:

  • Exclusão dos crioulos da administração pública;
  • Aumento de impostos para financiar a modernização;
  • Expulsão dos Jesuítas (1767) para limitar o poder da Igreja;
  • Promoção da abertura intelectual e circulação de obras como o Contrato Social e O Espírito das Leis de Rousseau;
  • Transformação do Convictório de San Francisco na Academia Real Carolina.

A difusão dos ideais da Revolução Francesa e a presença de cientistas europeus na América, somadas às viagens de jovens crioulos à Europa, criaram o germe intelectual que culminaria no processo de independência.

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