Embriologia e Histologia do Sistema Endócrino

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Embriologia do Sistema Endócrino

O sistema endócrino é originado a partir da especialização do tecido epitelial, que se diferencia em glândulas. Estas penetram no tecido conjuntivo adjacente, ainda envoltas pela lâmina basal. Possui células endócrinas, que produzem hormônios, tem capilares com células fenestradas e formam estruturas extremamente vascularizadas.

As glândulas podem ser:

  • Exócrinas
  • Endócrinas cordonais: lançam a secreção diretamente na corrente sanguínea.
  • Endócrinas foliculares: armazenam e depois liberam a secreção mediante um estímulo (importante para o estoque de íons e substâncias essenciais à vida).

As secreções podem ser:

  • Autócrinas: autorregulam-se (mensageiro e receptor na mesma célula).
  • Parácrinas: uma célula influencia um grupo de outras células.
  • Endócrinas: a célula mensageira controla as células-alvo, lançando seu produto no sangue.
  • Sinápticas: contato direto entre mensageiro e receptor.

Glândulas Endócrinas

O sistema endócrino é composto por glândulas endócrinas, sendo abordadas, a seguir, seis delas: Hipófise, Tireoide, Paratireoide, Pineal, Adrenal e a porção endócrina do Pâncreas. Dessas, todas têm uma cápsula fibrosa, exceto o pâncreas, que é uma glândula mista.

1. Glândula Pineal (Epífise)

Embriologia

É originada como um divertículo mediano da porção caudal do teto do diencéfalo, a partir da proliferação de células da sua parede, formando a glândula.

Histologia

A pineal está na extremidade posterior do terceiro ventrículo, sobre o teto do diencéfalo, conectada a ele por um pedúnculo. Ela é revestida pela pia-máter, que emite septos de tecido conjuntivo com vasos e fibras nervosas amielínicas, dividindo a glândula em lóbulos. Nela predominam pinealócitos (produtores de melatonina e outros peptídeos, com longas ramificações de extremidades dilatadas) e astrócitos (núcleos alongados e fortemente corados).

Função

Produção do hormônio melatonina, regulada pela luminosidade do ambiente, sendo, pois, responsável pelo ciclo do sono e pelo ritmo biológico (ciclo circadiano).

2. Glândula Hipófise (Pituitária)

Embriologia

Essa glândula tem origem ectodérmica, com dois primórdios embrionários:

  • Invaginação do neuroectoderma do diencéfalo em direção caudal, o assoalho do estomodeu (terceira vesícula do tálamo) – divertículo neuro-hipofisário.
  • Evaginação do teto ectodérmico do estomodeu em direção cranial – divertículo hipofisário (bolsa de Rathke). A partir desse movimento, forma-se a bolsa de Rathke, que se desliga completamente do teto e se une ao produto da invaginação do assoalho do estomodeu.

Observação: Teto do diencéfalo = parede dorsal / Assoalho do diencéfalo = parede ventral.

Terceira semana: O divertículo hipofisário projeta-se do teto do estomodeu, tornando-se adjacente ao assoalho do diencéfalo.

Quinta semana: A bolsa alonga-se, sofrendo uma constrição. Com isso, ela entra em contato com o infundíbulo (derivado do divertículo neuro-hipofisário a partir da invaginação ventral).

Sexta semana: Essa bolsa desliga-se do epitélio oral com a progressiva regressão do pedículo do divertículo hipofisário.

As partes da hipófise derivadas do ectoderma do estomodeu formam a adeno-hipófise. Células da parede anterior do divertículo hipofisário proliferam e originam a parte distal da hipófise (a mais volumosa). Posteriormente, uma extensão, a parte tuberal (cranial), cresce em torno da haste infundibular. Já as células da parede posterior da bolsa hipofisária não proliferam, dando origem à parte intermédia.

A neuro-hipófise é formada a partir do infundíbulo (neuroectoderma do encéfalo), que dá origem à eminência média, à haste infundibular e à parte nervosa. Ocorre a proliferação de células neuroepiteliais na parte distal do infundíbulo e sua posterior diferenciação em pituícitos (células primárias do lobo posterior da hipófise, intimamente relacionadas com as células da neuroglia).

Neurônios dos núcleos supraóptico e paraventricular enviam prolongamentos para formar a neuro-hipófise, sendo protegidos pela dura-máter, tecido conjuntivo e trabéculas ósseas (sela túrcica).

Observação: Pars Intermedia + Pars Nervosa = Lobo posterior.

Histologia

Essa glândula situa-se na sela túrcica, ligada ao hipotálamo (SNC) por meio do pedículo. Ela possui duas porções distintas com origens embrionárias também distintas, como já foi dito, unidas anatomicamente.

Sistema Hipotálamo-Hipofisário

O conjunto hipotálamo-hipófise possui três locais glandulares com produção de grupos de hormônios distintos:

  • A) Núcleos supraópticos e paraventriculares: Produzem peptídeos no hipotálamo, que são acumulados nas terminações desses neurônios, na neuro-hipófise.
  • B) Núcleo dorsomedial, ventromedial e infundibular: Produzem peptídeos no hipotálamo, que são armazenados nas terminações axônicas na eminência média.
  • C) Células da pars distalis: Produzem proteínas e glicoproteínas.
Adeno-hipófise
  • Pars Distalis: São cordões de células epiteliais entremeadas por capilares sanguíneos. Seus hormônios são armazenados em grânulos de secreção. É a maior parte da hipófise e possui poucos fibroblastos que secretam fibras reticulares que sustentam os cordões das células produtoras de hormônios. Contém células cromófobas e dois tipos de células cromófilas (acidófilas e basófilas).
    • Acidófilas: somatotrópicas (produtoras de GH) e mamotrópicas (produtoras de prolactina).
    • Basófilas: gonadotrópicas (produtoras de LH e FSH), tireotrópicas (produtoras de TSH) e corticotrópicas (produtoras de ACTH).
    Observação: As células cromófobas dividem-se em dois grupos: um com poucos grânulos de secreção e outro que não possui grânulos.
  • Pars Tuberalis: Região em forma de funil em torno do infundíbulo. Suas células secretam FSH e LH e organizam-se em cordões que rodeiam os vasos sanguíneos.
  • Pars Intermedia: Localizada na porção dorsal da antiga bolsa de Rathke, é composta por cordões e folículos de células fracamente basófilas com grânulos de secreção.
Neuro-hipófise
  • Pars Nervosa: Não contém células secretoras, uma vez que não produz nenhum tipo de hormônio (apenas armazena e secreta os hormônios do hipotálamo). É composta por axônios amielínicos de neurônios provenientes dos núcleos supraópticos e paraventriculares. Esses neurônios diferenciam-se dos demais pela presença de corpúsculos de Nissl muito desenvolvidos, relacionados à produção de neurossecreção.

Observação: O depósito de neurossecreção na pars nervosa forma estruturas chamadas corpos de Herring, que contêm grânulos de neurossecreção. Essa neurossecreção consiste em dois hormônios, a ocitocina (das fibras do núcleo paraventricular) e o ADH (das fibras do núcleo supraóptico), que são unidos a proteínas chamadas neurofisinas.

Além desses neurônios hipotalâmicos, a neuro-hipófise também possui muitas células específicas da glia, chamadas pituícitos.

Função

  • Adeno-hipófise: Produção de hormônios como TSH, ACTH, GH, etc.
  • Neuro-hipófise: Armazenamento e liberação de dois hormônios produzidos pelo hipotálamo: ocitocina e ADH.

3. Pâncreas Endócrino (Ilhotas de Langerhans)

O pâncreas é uma glândula mista, cuja parte endócrina é formada pelas Ilhotas de Langerhans.

Embriologia

Sua formação é a mesma da porção exócrina. A glândula, como um todo, desenvolve-se a partir de dois brotos pancreáticos, um ventral e um dorsal, derivados da diferenciação de células endodérmicas. Quando o duodeno adquire a forma de “C” e o intestino gira no sentido dorsal para a direita, o broto pancreático ventral é levado dorsalmente, juntamente com o ducto biliar, até se encontrar posterior ao broto dorsal. Os dois brotos fundem-se, assim como seus ductos, formando um único ducto comum. Com a rotação do estômago, o duodeno e o mesentério ventral rotacionam juntos, e a glândula assume sua localização anatômica. O broto pancreático ventral originará o processo uncinado e a cabeça do pâncreas, enquanto o dorsal formará o restante da glândula.

O endoderma do intestino primitivo é a origem das duas partes glandulares.

O parênquima pancreático (ácinos) é formado pelo endoderma, que forma uma rede de túbulos. Os ácinos desenvolvem-se ao redor desses túbulos. Já as ilhotas desenvolvem-se a partir de grupos de células endodérmicas primitivas que se separam dos túbulos e ficam entre os ácinos. As células A (produtoras de glucagon) e D (produtoras de somatostatina) desenvolvem-se antes das células B (produtoras de insulina). A secreção de insulina começa a partir da 10ª semana.

Observação: O diabetes mellitus materno pode afetar o desenvolvimento fetal.

Histologia

São micro-órgãos endócrinos vistos como grupos arredondados de células incrustados no pâncreas exócrino. As ilhotas são constituídas por células poligonais ou arredondadas, dispostas em cordões. Em torno deles, existe uma grande rede de capilares sanguíneos com células endoteliais fenestradas. Envolvendo a ilhota e separando-a do tecido pancreático, existe uma camada de tecido conjuntivo.

Observação: As ilhotas são mais frequentes na cauda do pâncreas.

São encontrados quatro tipos de células: A, B, D e F, com grânulos secretores.

Função

  • Célula A: Produz glucagon; possui grânulos regulares com centro denso, cercado por uma região clara periférica.
  • Célula B: Produz insulina; possui grânulos irregulares com a insulina agrupada em cristais, formando, visualmente, “grânulos dentro de grânulos”.
  • Célula D: Produz somatostatina.
  • Célula F: Produz um polipeptídeo sem função conhecida.

Todas as quatro células possuem características de células secretoras, com muito RER, Complexo de Golgi e grânulos secretores.

4. Glândula Tireoide

Embriologia

É a primeira glândula endócrina a ser formada, o que ocorre a partir da quarta semana com a diferenciação endodérmica na porção cefálica do tubo digestivo, através do espessamento do assoalho da faringe primitiva (entre o primeiro e o segundo arcos faríngeos, cranialmente ao intestino primitivo). Esse espessamento forma uma saliência, o primórdio da tireoide. Com o crescimento do embrião e da língua, a tireoide em desenvolvimento desce pelo pescoço, anteriormente ao osso e às cartilagens dessa região.

A glândula fica, ainda por um tempo, presa à língua pelo ducto tireoglosso, que tende a desaparecer (quando isso não ocorre, acarreta anomalias).

Na sétima semana, a tireoide torna-se maciça e dividida em dois lobos intermediados pelo istmo da tireoide. Ocorre a regressão do ducto tireoglosso, com formação do forame cego.

Uma massa de células endodérmicas é cercada pelo mesênquima vascular, que invade essa massa. Esta se desfaz e forma uma rede de cordões epiteliais. Na décima semana, os cordões reagrupam-se em conjuntos celulares com um lúmen central, cercados por uma camada única de células. A partir da décima primeira semana, ficam visíveis, nessas estruturas, o coloide, formando os folículos tireoidianos. A partir daí, já começa a captação de iodo.

Histologia

De origem endodérmica, na porção cefálica do tubo digestivo, a tireoide é uma glândula folicular, constituída por muitos folículos tireoidianos. Estes são formados por epitélio simples e uma cavidade onde se armazena o coloide. As células do folículo variam de achatadas (menos ativas, logo, com menos coloide) a colunares (mais ativas, logo, com mais coloide) e possuem diâmetro variável. São cercados por vasos sanguíneos com células endoteliais fenestradas.

Observação: Célula pequena com folículo grande indica pouca atividade; célula grande com folículo pequeno (produto sendo usado) indica muita atividade.

Observação sobre o coloide: É composto por tireoglobulina (glicoproteína que se liga aos hormônios) contendo T3 e T4. Para utilizar o hormônio, a tireoglobulina é clivada e reciclada.

As células epiteliais dos folículos têm as características clássicas de qualquer célula que produz, armazena e secreta substâncias, como riqueza em RER, Complexo de Golgi, mitocôndrias, microvilos, etc.

Síntese Hormonal pelas Células Foliculares
  1. Síntese de tireoglobulina: Síntese normal da proteína e sua exportação da célula.
  2. Captação de iodeto circulante: O iodeto é um fator limitante da produção, sendo captado por uma proteína de membrana nas células foliculares, que realiza cotransporte de iodeto e sódio.
  3. Oxidação do iodeto: Feita pela ação da peroxidase da tireoide e transportado para a cavidade do folículo. A oxidação serve para ativar o iodeto.
  4. Iodação dos radicais de tirosila da tireoglobulina: Ocorre no interior do coloide, por meio da peroxidase da tireoide, produzindo T3 e T4.

Observação: Essas células possuem vilosidades para captar o coloide que, uma vez dentro da célula, se une a lisossomos que clivam (por ação de proteases) a tireoglobulina. O T3 e o T4 são então liberados no sangue, e a tireoglobulina é degradada e reciclada.

Outro tipo celular encontrado é a célula parafolicular (ou célula C), com pequeno RER, mitocôndrias alongadas e grande Complexo de Golgi, além de numerosos grânulos que armazenam e sintetizam calcitonina. Elas podem fazer parte do epitélio folicular ou formar grupos isolados entre os folículos tireoidianos. A síntese de calcitonina inibe a reabsorção óssea, diminuindo a calcemia. As células C coram-se menos por serem menos acidófilas que as foliculares.

Observação: Anormalidades nas células parafoliculares são mais raras, mas podem gerar desequilíbrio da calcemia.

Função

Produção de tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3), além de calcitonina.

5. Glândulas Paratireoides

Embriologia

Originam-se do endoderma das porções dorsais da terceira e quarta bolsas faríngeas (as porções ventrais formam o timo). São pequenos nódulos na face dorsal de cada bolsa.

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  • Terceira bolsa faríngea: forma as paratireoides inferiores.
  • Quarta bolsa faríngea: forma as paratireoides superiores.

O mesênquima cresce muito dentro dos nódulos, formando uma rede capilar, enquanto as paratireoides se ligam à cápsula conjuntiva da tireoide.

Histologia

São quatro pequenas glândulas cordonais localizadas nos polos superiores e inferiores da face posterior da tireoide. Cada paratireoide é revestida por uma cápsula de tecido conjuntivo, da qual partem trabéculas para o interior da glândula. É formada por células epiteliais dispostas em cordões, com dois tipos celulares:

  • Célula principal: São menores, predominantes, de forma poligonal, com núcleo vesiculoso e citoplasma acidófilo. Ela secreta o paratormônio.
  • Célula oxífila: Surgem por volta dos 7 anos de idade, são poligonais, maiores que as principais, e possuem citoplasma com muitos grânulos acidófilos.

Função

  • Célula principal: Produz o hormônio da paratireoide, o paratormônio (desenvolve-se no período embrionário). O paratormônio ativa os osteoclastos, que aumentam a reabsorção óssea e liberam cálcio no sangue.
  • Célula oxífila: Sem função definida (desenvolve-se a partir do nascimento).

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