O Empirismo Britânico e a Filosofia de David Hume
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O Empirismo Britânico
O termo empirismo refere-se à tentativa de construir tanto a filosofia quanto a ciência com base na experiência. Esta corrente opõe-se ao racionalismo continental. Seria enganoso, contudo, afirmar que o empirismo e o racionalismo não possuem pontos de encontro; fatos históricos mostram que os grandes autores do empirismo britânico formaram sua autoridade racional através da leitura.
O núcleo de ambas as correntes são as ideias: para os racionalistas, elas são inatas, enquanto para os empiristas, são adquiridas. O ponto chave que diferencia o empirista do racionalista é o papel central atribuído à experiência, que serve como certificado de validade para qualquer conteúdo de conhecimento, utilizando métodos indutivos e a análise empírica em detrimento do racionalismo dedutivo.
Pressupostos do Empirismo
- A experiência como única fonte: A experiência é a base do conhecimento, embora conceitos de consciência também participem do processo.
- Origem do conhecimento: O sujeito atua sobre o conteúdo, não sendo um receptor passivo.
- Imediatismo: Nosso conhecimento pertence apenas às ideias. A crença na existência real das coisas é substituída pela evidência da ideia que temos delas.
A física, inspirada pela filosofia empirista, recebeu um grande impulso. Hume, por exemplo, tentou aplicar a teoria newtoniana da atração aos fenômenos da consciência. O empirismo é, portanto, uma filosofia da individualidade, colocando a metafísica em evidência.
Crítica da Causalidade e a Filosofia de Hume
Em sua obra Tratado da Natureza Humana, Hume explica sua teoria do conhecimento baseada em três pilares:
- A radicalização da experiência pura e bruta.
- O conhecimento fenomenal: só conhecemos o que percebemos através dos sentidos.
- A rejeição da metafísica: tudo o que vai além dos fenômenos é considerado um artifício humano.
Para Hume, a realidade é o conjunto de fenômenos, o que conduz ao ceticismo, pois só temos acesso à percepção psicológica.
A Geração de Ideias
Hume explica que todo conhecimento provém da experiência sensível, dividindo as percepções em:
- Impressões: Mais intensas.
- Ideias: Menos intensas.
Ambas podem ser simples (indivisíveis) ou compostas (decomponíveis). A união dessas ideias ocorre através das leis de associação: continuidade, semelhança e causalidade. Hume critica a noção de substância e causalidade de Aristóteles, argumentando que não são captadas por intuição, mas são fruto de um hábito psicológico.
Moral, Sentimento e Simpatia
Hume defende que a ética baseia-se na relação de simpatia entre o eu e os outros. Para ele, os juízos morais não derivam da razão, mas do sentimento. A moralidade é uma questão de aprovação ou censura de comportamentos, tornando sua teoria ética fenomenológica, psicológica, subjetiva e utilitarista.