Empregabilidade e Competências: Visão de Gestores de RH

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Empregabilidade e competências: uma análise de universitários sob a ótica de gestores de recursos humanos

Resumo

A empregabilidade pode ser compreendida como um conjunto de competências e habilidades necessárias para uma pessoa conquistar e manter um trabalho. A pesquisa objetivou identificar as características mais importantes e as principais dificuldades percebidas para a contratação sob o ponto de vista dos gestores de recursos humanos, bem como as habilidades e competências exigidas atualmente. Participaram 156 empresas do Estado de São Paulo, que responderam a um questionário com dados de identificação e sete questões de múltipla escolha sobre empregabilidade. A coleta ocorreu de forma coletiva em um evento empresarial. Os resultados apontam que a entrevista é a fase de maior dificuldade num processo seletivo e que as maiores limitações para se encontrarem candidatos qualificados profissionalmente são a falta de experiência e a falta de preparo técnico. No âmbito pessoal, a falta de iniciativa e de motivação ou interesse se destacou, e, no âmbito acadêmico, a falta de cursos complementares e de atualização foi o ponto principal. Verificou-se que, para efetivação, as empresas procuram, em alto grau, candidatos que possuam comprometimento, interesse e responsabilidade.

1. Introdução

Empregabilidade: alguns conceitos

As preocupações referentes à empregabilidade têm aumentado nos últimos anos, e as transformações do mundo empresarial parecem exercer forte impacto sobre os padrões de atuação profissional. Em função dessa nova realidade, a palavra empregabilidade passou a ser utilizada como uma alternativa de enfrentamento das demandas que o mercado atual impõe (Campos, 2006).

A Wikipédia (2006) apresenta a empregabilidade como uma nomenclatura recente, referente à capacidade de adequação do profissional às novas necessidades e à dinâmica do mercado de trabalho. Finn (2000) esclarece que, historicamente, o conceito surgiu com educadores que buscavam fatores para ajudar alunos a conquistarem trabalho. O uso recente do termo refere-se às características, habilidades e atitudes esperadas em geral, e não apenas a habilidades específicas de uma profissão (McLaughlin, 1995).

Preparar para a empregabilidade

Na definição de Campos et al. (2003), a empregabilidade é um conjunto de competências e habilidades necessárias para conquistar e manter um emprego. Hillage e Pollard (1998) definem como a capacidade de mover-se de maneira autossuficiente dentro do mercado de trabalho. Na era da globalização, as organizações buscam talentos humanos cada vez mais competentes (Marquardt & Engel, 1993).

O conceito de competência está ligado à qualidade de quem é capaz de apreciar e resolver certo assunto (Boog, 1991). Le Boterf (2006) propõe três dimensões da competência: recursos disponíveis, ação/resultados e reflexividade. Sant'Anna, Moraes e Kilimnik (2005) listam 15 competências essenciais, incluindo domínio técnico, criatividade, comunicação e capacidade de trabalhar em equipes.

Desafios na formação acadêmica

Pesquisas com empregadores demonstram descontentamento com as habilidades de muitos graduados (Fallows & Steven, 2000). No Brasil, a redefinição dos currículos superiores buscou alinhar a formação às demandas sociais. Contudo, estudos como o de Gondim (2002) indicam que não há uma definição clara do perfil profissional exigido, o que prejudica a inserção no mercado.

Método

Participaram desse estudo 156 empresas do Estado de São Paulo, representadas por gestores de RH. O instrumento foi um questionário com dados de identificação e questões sobre dificuldades no processo seletivo, competências exigidas e expectativas organizacionais.

Resultados

A maioria das empresas (78,2%) possui departamento de RH. A entrevista foi apontada como a fase de maior dificuldade (29,1%). Quanto às dificuldades de contratação, 48,7% das empresas indicaram enfrentar problemas frequentemente. As principais lacunas apontadas foram:

  • Profissional: Falta de preparo técnico e de experiência.
  • Pessoal: Falta de iniciativa e de motivação.
  • Acadêmico: Falta de cursos complementares e formação inadequada.

Conclusão

A pesquisa destaca que as IES devem preparar melhor o alunado no que diz respeito ao conhecimento prático. É necessário um diálogo mais efetivo entre empresas e instituições de ensino. O profissional, por sua vez, deve buscar atualização constante e proatividade, compreendendo que o diploma, por si só, não garante o sucesso em um mercado altamente competitivo.

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