Endodontia: Diagnóstico, Tratamento e Materiais Endodônticos
PAR: Dor: intensa, provocada (frio), "suportável", passageira, localizada; Dente: cárie, restauração recente, retração gengival, sem mobilidade; Teste térmico: dói, passa rápido; Tratamento: somente dentinário; DD: PARD.
PARD: Dor: intensa, provocada/espontânea, localizada; dor paroxística (fisgada). Dente: cárie, restauração recente, retração gengival, sem mobilidade. Teste: dói, passa lentamente. Tratamento: dentinário/pulpar, proteção/capeamento pulpar com hidróxido de cálcio. DD: PAR.
PAI: Dor: intensa, contínua, pulsátil, espontânea, difusa. Alivia com frio, aumenta com calor; localizada, provocada. Dente: ampla cavidade, restauração profunda, pode ter pus. Tratamento: pulpectomia, pulpotomia/Otosporin. DD: APA não vital, APC reagudizado.
PCU: ampla exposição pulpar, polpa ulcerada sangrante, processo inflamatório crônico, baixa virulência e longa duração. Dor: inexistente ou moderada, principalmente por pressão, sempre passageira. Tratamento: pulpectomia e pulpotomia/Otosporin (evolução = pólipo pulpar = PCH).
PAA: dor à palpação, trauma, químico, infeccioso. Sensação de "crescido", extrusão súbita, não dói à palpação, característica radiográfica: espessamento do ligamento periodontal. DD: APA (dor espontânea). Tratamento: ajuste oclusal, irrigação com soro 30 ml, Otosporin.
APA: dor intensa, insuportável, espontânea, contínua, localizada, sensibilidade à percussão, extrusão súbita, mobilidade. Pode haver alteração da mucosa periapical. Febre.
Tratamento ANTIBIÓTICO: Amoxicilina 500 mg 8/8h.
ANTI-INFLAMATÓRIO: Diclofenaco de sódio 50 mg 6/6h.
ANALGÉSICO: Paracetamol 750 mg, Tylex 30 mg (codeína). DD: PAI (vital, localizada, sem dor à percussão), PAA (dor local provocada).
APC: dor provocada e suportável, passageira, sem vitalidade, sem mobilidade, sem extrusão súbita, mucosa normal, alteração de cor, continuidade, volume. Pode ter fístula. Característica radiográfica: radiolucidez periapical de tamanho variável, forma irregular, limites imprecisos, lâmina dura da região apical rompida. Aspecto esfumaçado, rarefação óssea periapical. Tratamento: endodôntico radical e acompanhamento, apicectomia.
Diagnóstico diferencial — Granuloma: assintomático, lesão radiolúcida com limites definidos < 5 mm, linha radiopaca, não marcadamente descontínua. Tratamento: endodontia. DD: APC (sem limite definido), cisto (maior).
Cisto Periapical: assintomático, alteração de cor, extrusão do elemento, dor à percussão. Característica radiográfica: área radiolúcida arredondada ou ovalada, limites definidos. Osteogênese reacional = linha esclerótica radiopaca, contínua, bem definida, radiolucidez central bem nítida. Tratamento: endodontia/cirurgia. Já foi granuloma.
Abscesso Periapical Crônico Reagudizado, Displasia fibrosa, região dos incisivos inferiores = Abscesso Fênix: tratamento = APA. Evolução rápida, com dor. Característica clínica = APA: ausência de sintomas, vitalidade positiva. Radiografia = APC: aparência de vidro despolido na região periapical.
OTOSPORIN: somente pulpites e pericementites. Antibiótico na fórmula combate contaminação bacteriana durante o preparo, retarda o reparo tecidual e diminui a atividade metabólica (7 dias). TRICRESOL (15 dias): somente necroses, abscessos, granulomas, cistos. Nunca em pulpite; age à distância, diminui microrganismos. HIDRÓXIDO DE CÁLCIO = SEMPRE (biocompatível, bactericida, hemostático; veículo aquoso — água destilada — 7 dias; viscoso — propilenoglicol — +Q7 dias). Antibióticos = pericementite, APA com envolvimento sistêmico, Fênix, avulsão.
Traumas: fratura dentária — esplintagem rígida 3 a 6 meses. Lesão de ligamento — esplint semirrígida 7 a 14 dias.
1) RX inicial = CAD; 2) reconhecimento tátil inicial (#10, 15); 3) CTex = CAD − 2 mm; 4) CTar (gates): CAD − 5 mm, calibrar GG (−5, −7, −9); 5) após gates, patência (CAD − 2) e RX; 6) odontometria. Positivo: CRd = CTex + X; Nulo: CRd = CTex; Negativo: CRd = CTex − X. 7) Ampliação reversa: limas de 2ª ordem em ordem decrescente (#80 a #45). As primeiras limas não atingirão CTM (CRD − 1). Fazer o diâmetro cirúrgico (DC): alargar/limar/preparar o terço apical utilizando de 2 (BIO) a 4 (NECRO) limas com diâmetros maiores em ordem crescente a partir do DA. A última lima utilizada para confecção do DC determinará o diâmetro do preparo apical = diâmetro da obturação. Limpeza passiva do forame: #10/15 no CRD (NECRO); CTO = CTM (CRD − 1). 8) Secar com cones de papel. 9) Prova do cone principal: teste visual, tátil e radiográfico. 10) Espatular o cimento técnico; condensação lateral (espaçador digital CTO − 2). 11) RX final. AGULHAS DE IRRIGAÇÃO a CTEX antes da odontometria; CTM − 2 após a odontometria.
Soluções: NaOCl (hipoclorito) 1,0% ou 2,5% (início, meio, fim): boa capacidade de limpeza; efetivo poder antimicrobiano; neutralizante de produtos tóxicos; dissolvente de produtos orgânicos; ação rápida, desodorizante, clareador, diminui a tensão superficial. Água oxigenada 10 vol (sangramento); clorexidina (necrose); hidróxido de cálcio; ácido cítrico; EDTA (final) = biocompatível, ação antisséptica, ação autolimitante, remove a smear layer, aumenta a permeabilidade dentinária; usar antes do curativo com hidróxido de cálcio e antes da obturação; também para canais atresiados. Soro fisiológico: pulpotomias, pericementites de origem endodôntica. Rotatórios: sistema ProFile .02/.04/.06, sistema MTwo .04/.05/.06/.07; Introfile substitui gates.
Obturação: anestesia, isolamento, remoção do selamento (sentido horário), remoção de medicação intracanal (lima K), irrigação com NaCl 2,5%, EDTA, patência, secagem com cone de papel, inserção do cone de guta principal, prova do cone.
Condensação lateral: prova do cone (tátil, visual, RX); inserir espaçador (CRD − 3) com cone + cimento; espaçador + cone acessório; repetir de 3 a 6 vezes; condensar com condensador aquecido; remover excessos; CIV/resina; remover isolamento. McSpadden: prova do cone; cone + cimento; espaçador (CRD − 3); cone acessório; usar lima McSpadden (CRD − 4) em sentido horário, pressão apical leve e moderada para aquecer e espalhar a guta e o cimento; remover excessos; CIV/resina; remover isolamento.
Rizogênese incompleta: Classe I: desenvolvimento parcial da raiz — forame com diâmetro maior que o canal. Classe II: quase completo — forame com diâmetro maior que o canal. Classe III: completo — forame com diâmetro igual ao canal. Classe IV: completo — forame menor que o canal. Classe V: completo — forame com dimensões microscópicas.
Classificação das lesões endoperio: Lesão endodôntica primária: fístula, bolsa estreita, pouca ou nenhuma placa/cálculo, restauração extensa e/ou invasão do espaço pulpar (capeamento, pulpotomia/pulpectomia), dor à percussão vertical. Tratamento endodôntico, prognóstico excelente. Lesão endodôntica primária com periodontal secundária: alteração pulpar de longa duração, cálculo, inflamação periodontal e radiografia com defeitos angulares. Tratamento combinado; prognóstico depende do sucesso do tratamento. Lesão periodontal primária: perda óssea generalizada, cálculo/placa bacteriana, inflamação dos tecidos moles, possível trauma oclusal e bolsas amplas. Tratamento periodontal: motivação do paciente, raspagem e controle de placa; prognóstico bom. Lesão periodontal primária com pulpar secundária: bolsas periodontais profundas (6 a 8 mm), histórico de doença periodontal, alteração pulpar irreversível, dor, alteração radiográfica. Tratamento associado; prognóstico depende do seu sucesso. Lesão endoperio combinada: lesão endodôntica apical e doença periodontal progressiva, natureza aguda ou crônica. Tratamento: inicia pela terapia pulpar, seguida da periodontal; prognóstico dependendo da duração e agressividade das lesões.
Clareamento em dentes desvitalizados: peróxido de carbamida 37%. Trabalho clínico: registro da cor, profilaxia, isolamento, barreira gengival. Acesso, registro da altura da coroa clínica, remoção de 3 mm de guta, proteção com JCDE. Selamento mecânico: CIV ou cimento de fosfato de zinco na junção cemento-dentina-esmalte. Condicionamento ácido, lava-seca, limpeza da câmara pulpar, aplicação do peróxido (face vestibular/palatina 15 min). Fotopolimerização 40 s. Sugar, reaplicar 3 vezes, lavar/aspirar/secar, curativo com perborato de sódio. Selamento da coroa com CIV. Repetir o procedimento a cada 7 dias. Saturar a câmara pulpar com pasta de Ca(OH)2 em veículo aquoso (água destilada) por 5 a 7 dias. Riscos: reabsorção cervical (falta de selamento mecânico), recidiva da cor, resultados não previsíveis (fratura da coroa). Decomposição/mecanismo de ação: decompõe-se em íons ativos de H+ e uréia, que mantêm o meio ácido; proporciona decomposição lenta e duradoura e ativação do produto quando em contato com a dentina. O H dissociado é altamente reativo e quebra as grandes moléculas orgânicas que pigmentam o dente.