Enfermidade Ulcerosa Gastroduodenal: Guia e Classificação
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Definição de Enfermidade Ulcerada Gastroduodenal
As lesões mucosas planas e superficiais que não sobrepassam a muscular da mucosa, únicas ou múltiplas, de evolução aguda, frequentemente sangram. Apresentam-se como erosões (úlcera aguda) ou fibrosas nas Úlceras Crônicas (UC). Há uma maior incidência pelo consumo excessivo de AINEs (especialmente em idosos).
Etiologia
- Stress;
- AINEs;
- Corticoides;
- Álcool e café;
- H. pylori.
Lesões por stress: Isquemia da mucosa em presença de ácido clorídrico, pepsina e refluxo duodenogástrico de ácidos biliares. Ocorre a redistribuição do fluxo sanguíneo da mucosa; a redução deste fluxo produz, como consequência, uma alteração da barreira mucosa. A diminuição do pH provoca a liberação de histamina, que ocasiona edema do córion, aumenta a permeabilidade capilar e o aumento da secreção ácida, resultando em anoxia, necrose celular, formação de erosões ou úlceras e sangramento.
Lesões por fármacos: Os AINEs são os mais comuns. Atuam por inibição da síntese de prostaglandinas endógenas, o que diminui a defesa da mucosa gástrica. Elas estimulam a secreção de muco e bicarbonato, a regeneração celular, diminuem a secreção de ácidos, aumentam o conteúdo fosfolipídeo da membrana celular e aumentam o fluxo sanguíneo mucoso. O desequilíbrio entre fatores agressores e protetores depende da localização: Tipo 1, 2 ou 3.
Ácido clorídrico: Produzido por células parietais ou oxínticas. Envolve gastrinas (células G do antro gástrico), gastrinomas e mastocitoses. Fatores que rompem o equilíbrio: geográficos, sexuais, psicossomáticos, hereditários e ambientais.
Classificação de Johnson
- Tipo 1: Curvatura menor; diminuição de secreção ácida e de muco; expõe a mucosa gástrica e favorece o crescimento de H. pylori (hipoacidez).
- Tipo 2: Curvatura maior; aumento da secreção ácida; lesiona a mucosa gástrica e duodenal; região pilórica; estenose; distensão gástrica; aumento da gastrina (hipersecretora).
- Tipo 3: Região duodenal (região antral ou pilórica, menos frequente).
Diagnóstico: Hálito, sorologia e EDA (Endoscopia Digestiva Alta). A Úlcera de Cushing adquire maior profundidade com risco de perfuração.
Clínica
A hemorragia digestiva é o sintoma fundamental (sangramento leve a moderado). O procedimento diagnóstico de eleição é a endoscopia digestiva alta.
- Diagnóstico diferencial - Síndrome biliar: Ingestão de alimentos gera dor.
- Síndrome gástrica: Ingestão de alimento gera melhora.
Prevenção: Evitar fatores desencadeantes, neutralizar os ácidos, reduzir a secreção e utilizar protetores da mucosa.
Úlceras Gástricas e Duodenais
Definição: Localização gástrica ou duodenal; perda de continuidade; crônica. Caracteriza-se por alternância de períodos de atividade ou remissão e ruptura do equilíbrio entre a resistência natural da mucosa e a ação agressiva do suco gástrico.
Classificação segundo dimensões
- Pequenas: Pouco penetrantes; destrói mucosa, capa muscular e serosa (úlceras jovens).
- Úlceras calosas: Perfura todas as capas da parede duodenal e gástrica. Em sua progressão, encontra vasos, produzindo erosão da artéria coronária estomáquica ou seus ramos; as da face posterior do duodeno lesionam o pedículo pilórico ou a artéria gastroduodenal.
Fases: Na fase aguda ocorre necrose, exsudação e congestão. Na fase crônica ocorre fibrose e esclerose.
Úlcera crônica em atividade (Estratos)
- Capa de exsudado fibrinopurulento;
- Zona de necrose;
- Zona de granulação infiltrada por polimorfonucleares, linfócitos e eosinófilos que evolui para fibrose;
- Zona fibroesclerosa: interrupção completa da capa muscular, muito deformada pela retração cicatricial, fibrose e infiltração inflamatória.
Úlcera curada epitelizada: O epitélio da úlcera prolifera sobre a superfície granulante, cobrindo-a totalmente, resultando em cicatriz e esclerose vascular.
Úlcera Duodenal
Afeta 10% da população; é uma enfermidade recorrente que pode ocorrer em qualquer idade, com incidência maior entre 35-55 anos e maior frequência em homens.
Fatores predisponentes: Herança familiar, grupo sanguíneo O, altos níveis de pepsinogênios, elevada secreção ácida, estresse, cirrose hepática, transtornos endócrinos (Síndrome de Zollinger-Ellison), hiperparatireoidismo, Síndrome de adenomas endócrinos múltiplos, enfisema pulmonar com pancreatite crônica ou uso de imunossupressores.
Fisiopatologia: Alteração do equilíbrio normal entre a agressão ácido-péptica e a defesa da mucosa (fatores agressores vs. fatores protetores).
Classificação da enfermidade ulcerosa duodenal
Associada a: hipersecreção ácida, AINEs e Helicobacter pylori. O aumento da secreção ácida pode ocorrer por:
- Maior quantidade de células parietais no estômago;
- Excessiva estimulação vagal sobre as células parietais;
- Excessiva estimulação hormonal (aumento da gastrina após ingestão alimentar);
- Alteração dos mecanismos inibitórios gástricos (liberação de gastrina não é inibida por ácidos excretados);
- Alteração dos mecanismos neutralizantes duodenais (diminuição da neutralização dos ácidos pelo bicarbonato do pâncreas).
Apresentação Clínica
Dor epigástrica (principal): Ardor, acidez, tipo constritivo (úlceras penetrantes); melhora com dieta ou alcalinos.
Características da dor ulcerosa:
- Periodicidade: Temporadas ou crises (1 a 4 semanas diariamente).
- Ritmo: Regido por períodos digestivos (manhã/tarde/noite), melhora com alimentos; presença de vômitos e náuseas.
- Ritmo de 3 tempos (Dor - Comida - Melhora): Úlcera duodenal.
- Ritmo de 4 tempos (Ingestão - Sedação - Dor - Melhora espontânea): Úlcera gástrica.
Diagnóstico: RX e Endoscopia. Diagnóstico diferencial: Síndrome biliar (ingesta de alimentos causa dor) e Síndrome gástrica (ingesta de alimentos causa melhora).