Enigmas do Homem e a Filosofia da Religião
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Enigmas do Homem
Quem é você? Onde está você? Para onde você vai?
O Religioso
1. Aparência Pessoal
O homem tenta descobrir o motivo absoluto da realidade e de si mesmo, buscando entrar em contato com ele. Ou seja, tenta compreender o "todo" e orientar sua vida de acordo com esse conhecimento.
Dois Aspectos Sociais
- 1) Um conjunto de crenças comuns.
- 2) A consciência de grupo.
- 3) A adoração comum.
Níveis de Abordagem da Religião
- Sociologia da Religião: Questiona a realidade e a importância social da religião no mundo.
- História das Religiões.
- Filosofia da Religião: Parte da filosofia que questiona a peculiaridade da consciência religiosa.
- Teodiceia (ou Teologia Natural): Parte da filosofia cuja tarefa é refletir sobre Deus.
- Teologia: Estudo da religião praticada por meio da razão e da fé.
Características da Consciência Religiosa
- Sentimento de dependência absoluta (ou sentimento de criatura): O homem percebe que é uma criatura de Deus e que seu ser depende absolutamente d'Ele.
- Sentimento de mistério (incompreensão).
- Sentimento de "temor religioso": Não se trata do medo de ser punido, mas da consciência de saber-se impuro diante da própria santidade. (Rudolf Otto afirma que a palavra "medo" é inadequada, mas não há termo melhor).
- Sentimento de amor.
Características do Divino
Não podemos falar do divino diretamente, mas podemos falar sobre ele indiretamente:
- Em correlação ao sentimento de "dependência absoluta", a majestade divina aparece como suma.
- Em correlação ao sentimento de "incompreensão", o divino aparece como o mistério.
- Em correlação ao sentido de "reverência religiosa", o divino aparece como tremendo.
- Em correlação ao sentimento de "amor", o divino aparece como fascinante.
Em resumo, o divino manifesta-se como majestade, mistério tremendo e fascinante.
Conceitos e Doutrinas
- Ateísmo: Doutrina que nega a existência de Deus.
- Teísmo: Doutrina que afirma a existência de Deus por razões filosóficas.
- Agnosticismo: Doutrina que afirma não ser possível saber se Deus existe ou não.
- Deísmo: Afirma a existência de Deus, mas sustenta que, após criar o mundo, Ele não se relaciona com a criação ou com os homens.
- Fideísmo: Doutrina professada por alguns religiosos que afirma que Deus não pode ser alcançado pela razão, mas somente pela fé.
- Panteísmo: Doutrina segundo a qual "tudo é Deus", ou Deus é o próprio universo.
O Ateísmo de Marx
A ideia de Deus e do "além" surge como fruto da ignorância humana e dos interesses egoístas das classes que constituem a infraestrutura socioeconômica.
O Ateísmo de Nietzsche
Baseado na divisão da humanidade em dois tipos — os fracos ("escravos") e os fortes ou ricos em vitalidade ("senhores") — Nietzsche rejeita a ideia de um Deus que pune a ação. Tanto a racionalidade socrática quanto o amor cristão e o igualitarismo enciclopedista são violentamente desprezados por Nietzsche, que afirma que "Deus está morto".
As Cinco Vias de São Tomás de Aquino
1ª) Pelo movimento dos seres
- Ponto de partida: Há coisas que se movem.
- Princípio metafísico: Tudo o que se move é movido por outro.
- Conclusão: Há um Primeiro Motor Imóvel.
2ª) Pela causalidade eficiente
- Ponto de partida: Há causas eficientes.
- Princípio metafísico: Toda causa é causada por outra.
- Conclusão: Há uma Primeira Causa Incausada.
3ª) Pela contingência dos seres
- Ponto de partida: Existem seres contingentes (que podem ser ou não ser).
- Princípio metafísico: Todo ser contingente recebe a existência de outro.
- Conclusão: Existe um Ser Necessário que existe por si mesmo.
4ª) Pelos graus de perfeição
- Ponto de partida: Há seres com diferentes graus de perfeição.
- Princípio metafísico: Perfeições limitadas são recebidas de algo superior.
- Conclusão: Há um Ser Supremamente Perfeito, ilimitado e por si mesmo.
5ª) Pela ordem do mundo
- Ponto de partida: Seres sem inteligência agem com ordem para um fim.
- Princípio metafísico: A finalidade em seres sem inteligência é causada por um ser inteligente.
- Conclusão: Há uma Inteligência Suprema que ordena todos os seres.
Aprofundamento: A Causalidade dos Seres
a) Fato da experiência: Uma série de condições que, por sua vez, são causadas.
b) Princípio metafísico: "Toda causa causada é causada por outra". Nada pode ser causa de si mesmo.
c) Série de itens: Este "outro" que causa pode ser causado ou não.
d) Princípio da série: Não podemos continuar indefinidamente em uma sucessão de causas; é necessário chegar a uma causa sem causa.
O Raciocínio de Aquino: De forma profunda, não pode ser que todos os elementos da série sejam causados. Se todos fossem causados, nenhum poderia vir a existir sem uma causa prévia ao infinito. Como é fato que as coisas existem, nem todos os elementos são causados. Existe, portanto, uma Causa Primeira, o Ser Primordial que chamamos de Deus.
A Terceira Via: A Contingência dos Seres
- Ponto de partida: Existem seres contingentes.
- Princípio metafísico: Todo ser contingente depende de outro para existir.
- Série de elementos: A existência é transmitida de um ser a outro.
- Reconhecimento de um princípio absoluto: Deve haver um fundamento necessário para a existência dos seres contingentes.